quarta-feira, dezembro 31, 2008

Religião newage

Ao que parece, a criação espiitual de cada ser humano resulta de um deus e de uma deusa.


Isto anda mesmo tudo doido.

Vera Tradição

"A mulher está em sujeição por causa das leis da natureza, mas é uma escrava somente pelas leis da circunstância...A mulher está submetida ao homem pela fraqueza de seu espírito e de seu corpo...é um ser incompleto, um tipo de homem imperfeito [...] A mulher é defeituosa e bastarda, pois o princípio ativo da semente masculina tende à produção de homens gerados à sua perfeita semelhança. A geração de uma mulher resulta de defeitos no princípio ativo" ( Tomás de Aquino, Summa Theologica, Q92, art. 1, Reply Obj.

S.Agostinho sobre a poligamia: "Ora, uma serva ou uma escrava nunca tem muitos senhores, mas um senhor tem muitas escravas. Assim, nunca ouvimos dizer que mulheres santas tivessem servido a vários maridos e sim que muitas serviram a um só marido ... Isso não é contraditório à natureza do casamento' (De bono conjugali 17, 20)"

" As Mulheres não deveriam ser educadas ou ensinadas de nenhum modo. Deveriam, na verdade, ser segregadas, já que são causa de horrendas e involuntárias ereções em santos homens" (Santo Agostinho)

"Como uma mulher há de se reconhecer em Maria quando a ladainha de Nossa Senhora louva Maria como mater inviolata? Isso torna todas as outras mães matres violatae, mulheres que foram violadas, mal tratadas, conspurcadas, injuriadas, envergonhadas e profanadas - pela maternidade." (Uta Ranke-Heinemann)

"É Eva, a tentadora, que devemos ver em toda mulher...Não consigo ver que utilidade a mulher tem para o homem, tirando a função de ter filhos" (Santo Agostinho de Hipona, pai da Igreja)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Milagreiros Tradicionais

Dona Domingas é que sabe. Milagres, há-os para todos os gostos e feitios e quem não tem cão caça com gato, que é como quem diz, quem não tem uma Mariazinha-sempre-virgem, capaz de inventar um chapéu atómico, aparecer numa tosta de queijo ou até num tumor cerebral , salvar uma desequilibrada que se atirou pra cima de uma vulgar bicicleta...

Dona Domingas recorre aos reis magos. Esses sim, uns verdadeiros magos, que salvam pessoas de tiros nas costas e as livram de ter filhas cegas. E em vez de longas rezas repetitivas pode adorar os santinhos da sua devoção com samba e batucadas...

Conta-me como foi

Desde pequena gostava de escrever cartas. A primeira, com cinco anos, desenhada afincadamente com uma bic laranja chegara às mãos trémulas da mãe depois de atravessar um continente ( A mãe guardou religiosamente a carta por mais de quarenta anos).

Com o tempo correra a fama da sua capacidade epistolar ( a letra escorreita, desenhada sem pressa, a capacidade em fazer de anseios não ditos frases completas) e eis que as mulheres da aldeia, muitas analfabetas, pediam à menina para ler e escrever cartas. Cartas demasiado pesadas para uma menina carregar - a menina aprendeu com elas a guerra do ultramar, os caminhos da emigração para o brasil, frança e argentina e mesmo os meandros do namoro epistolar.

"Meu querido filho Francisco: espero que esta carta te vá encontrar de boa saúde que eu fico bem graças a deus. Fiz uma promessa à nossa senhora de fátima para que voltes inteirinho e com saúde. Todos os dias penso em ti meu rico filho, a falta que me fazes" .

" Querido António:Espero que ao receberes esta carta estejas de boa saúde na companhia dos teus. É para te informar que a Ermelinda já acabou o enxoval e queria a tua benção para apadrinhar o casamento". Nessa altura a menina achava que aquelas mulheres de preto e muitas rugas eram velhíssimas, mas agora que volta o olhar para trás, repara que as mulheres são afinal tão novas e que só a dor e os partos adolescentes lhes desfiguram as formas.

"Senhor Correia: Depois de informar o mau pai das suas honradas intenções, venho lhe dizer que ele deixa que receba as suas cartas mas que tenho de lhas mostrar e pedir a uma menina para lhas ler , para ver se são honestas ".

As cartas eram relativamente raras e anunciadas em voz tonitruante pelo estafeta lá do sítio que gritava do fundo das escadas: "correio" e fazia vir à porta metade da vizinhança.....

O mais aflitivo de receber eram os telegramas rectangulares com esfíngicas urgências - sempre obrigatoriamente anúncio de mortes, ferimentos em combate ou regressos felizes. As mãos tremiam na delicada tarefa de os rasgar que demorava milénios de rostos empalidecidos e, certo como a luz do sol, depois de um telegrama havia sempre gritos . De luto ou de alegria.

Por tudo isto a epistolar tarefa da menina ia-se agudizando com as marés e quando tinha nove anos tornara-se precocemente perita na arte da escrita, que a biblioteca do avô, cheia de livros proibidos alimentava às escondidas.

Cartas a um jovem poeta

"A mulher, que uma vida mais espontânea, mais fecunda, mais confiante habita, está sem dúvida mais perto do humano do que o homem - o macho pretensioso e impaciente que ignora o valor do que julga amar por não estar preso às profundidades da vida, como a mulher, pelo fruto das suas entranhas. Esta humanidade, que na dor e na humilhação amadurece a mulher,virá à superfície quando esta quebrar as cadeias da sua condição social. E os homens, que não sentem aproximar-se esse dia, ficarão surpreendidos e vencidos. Um dia (sinais certos o atestam já nos países nórdicos), a rapariga existirá, a mulher existirá. E estas palavras: 'rapariga', 'mulher', não significarão somente o contrário de 'homem', mas qualquer coisa de pessoal, valendo por si mesma; não apenas um complemento,mas uma forma completa de vida: a mulher na sua verdadeira humanidade.Um tal progresso transformará a vida amorosa, hoje tão cheia de erros (e isto mau grado o homem, que, de princípio, será ultrapassado). O amor deixará de ser o comércio de um homem e de uma mulher para ser o de duas humanidades. Mais perto do humano, será infinitamente delicado e cheio de atenções, bom e claro em tudo o que fizer ou desfizer. Este será o amor que, lutando duramente, agora preparamos: duas solidões que se protegem, se completam, se limitam e se inclinam uma para a outra. Isto ainda: não julgue que o amor que conheceu adolescente se tenha perdido. Não foi ele que fez germinar em si aspirações ricas e fortes, projectos de que ainda hoje vive? Tenho a certeza de que esse amor apenas sobrevive, tão forte,tão poderoso na sua recordação, pelo facto de ter sido a primeira ocasião de estar só no mais profundo de si próprio, o primeiro esforço interior que tentou na sua vida.Meu caro senhor Kappus, todos os meus votos de felicidade. Seu

Rainer Maria Rilke

"Há só um caminho: entre em si próprio e procure a necessidade que o faz escrever. Veja se esta necessidade tem raízes no mais profundo do seu coração. Confesse-se a fundo: "Morreria se não me fosse permitido escrever?"- Examine-se a fundo até encontrar a mais profunda resposta. Se esta resposta for afirmativa, se puder fazer face a uma tão grave interrogação com um forte e simples "Devo", então construa a sua vida segundo esta necessidade. A sua vida, mesmo na sua hora mais indiferente, mais vazia, deve tornar-se sinal e testemunho de tal impulso. Então, aproxime-se da natureza. Experimente dizer, como se fosse o primeiro homem, o que vê, o que vive, o que ama, o que perde. Não escreva poemas de amor. Evite, de princípio, os temas demasiado correntes; são os mais difíceis. Nos assuntos em que as tradições seguras, por vezes brilhantes, se apresentam em grande número, o poeta só pode fazer obra pessoal na plena maturação da sua força. Fuja dos grandes assuntose aproveite os que o dia-a-dia oferece. Diga as suas tristezas e os seus desejos, os pensamentos que o afloram, a sua fé na beleza. Diga tudo isto com uma siceridade íntima, calma e humilde. Utilize, para se exprimir,as coisas que o rodeiam, as imagens dos seus sonhos, os objectos das suas recordações."
"Uma só coisa é necessária: a solidão, a grande solidão interior. Caminhar em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém - é a isto que é preciso chegar. Estar só - como a criança está só quando as pessoas crescidas se agitam, ocupadas com coisas que lhe parecem grandes e importantes pelo simples facto de preocuparem os adultos e ela nada compreender do que estes fazem."
"É bom estar só porque a solidão é difícil, razão mais forte para a desejar. Amar também é bom porque o amor é difícil. O amor de um ser humano por outro é talvez a experiência mais difícil para cada um de nós, o mais alto testemunho de nós próprios, a obra suprema em face da qual todas as outras são apenas preparações. É por isso que os seres muito novos, novos em tudo, não sabem amar e precisam de aprender."
"Rainer Maria RilkeRoma, 14 de Maio de 1904

Deseducação sexual

A filha de 18 anos de Sara Palin acaba de parir solteiramente. Ao que parece, os programas de deseducação sexual ( os mesmos que algumas criaturas querem importar para portugal) ditados por um cristianismo conservador não funcionam.
E novidades?

Balanço anual

Este ano estive mais pela Europa: França, República Checa, Suiça, Hungria, Áustria, Eslováquia...

As beatas



Elas envelhecem com pequenos passos


Como de cãezinhos ou de gatinhos

As beatas

Elas envelhecem tão depressa

Que confundem o amor e a água benta

Como todas as beatas

Se eu fosse diabo ao vê-las por vezes

Eu acho que me faria castrar

Se eu fosse Deus ao vê-las rezar

Eu acho que perderia a fé. Pelas beatas...

Elas procissionam em pequenos passos

De pia de água benta em pia de água benta. As beatas. E patati e patata.

As minhas orelhas começam a assobiar

As beatas.

Vestidas de negro como o Senhor Padre

Que é demasiado bom com as criaturas

Elas beatizam-se de olhos em baixo

Como se Deus dormisse sob os seus sapatos.De beatas.

No sábado à noite depois do trabalho

Vê-se o operário parisiense

Mas nada de beatas

Porque é no fundo das suas casas

Que elas se preservam dos rapazes. As beatas

Que preferem encarquilhar-se

De vésperas em vésperas, de missa em missa

Muito orgulhosas de terem conservado

O diamante que dorme entre as suas pernas. De beatas.

Depois morrem, em pequenos passos

Em fogo lento, em montinhos. As beatas.

E enterram-se em pequenos passos.

De manhãzinha num dia frio. De beatas.

E no céu que não existe

Os anjos fazem depressa um paraíso para elas

Uma auréola e duas pontas de asa

E elas voam… com pequenos passos. De beatas

( De Jacques Brel, 1962; tradução livre de Ricardo Alves) Roubado à MC, a quem agradeço este momento.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Ignorância

«… Nos mais novos, com uma presença forte nos blogues, o que aflige na salazarofilia intelectual que por lá emerge é o grande peso da ignorância tomada como sendo a ausência de complexos sobre o passado e antiesquerdismo. Na verdade, é mais ignorância do que ideologia, a que depois o estilo de boutade e de comparação absurda para épater le bourgeois dá circulação. Um dia se fará uma antologia das mais estapafúrdias comparações dos blogues e nelas a salazarofilia chique terá o seu papel. (...)
Os jovens dos anos 30 e 40, a lei da morte foi-lhes diminuindo o peso na vida pública e na opinião. Com eles foi a salazarofilia de regime, parente pobre e menos coreográfico dos regimes totalitários de Itália e Alemanha, que nunca ultrapassou os anos 30 e deixou, depois do fim da guerra, instituições moribundas e anacrónicas como a Legião Portuguesa ou a Mocidade Portuguesa. A salazarofilia dos anos 50 era já mais da guerra fria do que a da "guerra civil europeia" dos anos 30 e, por isso, mais compatível com a democracia e com a "livre Inglaterra". A guerra colonial resumiu e deu algum alento a todas as salazarofilias anteriores, mas os tempos já estavam a mudar e, mesmo que Salazar odiasse a modernidade, o mundo estava já mais moderno, mais solto, menos estável, mesmo por detrás da formidável barreira da censura.Por outro lado, fora das elites, tem crescido depois do 25 de Abril uma salazarofilia popular e não é só na figura emblemática do motorista de táxi que brada contra o mundo e que funciona, para quem não conhece o povo, como a vox populi. Esta salazarofilia é em grande parte uma reacção antipolítica, demagógica e justicialista relativamente a muitos aspectos da democracia política, aos partidos, aos "políticos", à corrupção existente e imaginada, à ineficácia e custo da democracia. Esta salazarofilia comunica à esquerda com o populismo anti-sistema, forte nos simpatizantes comunistas e na parte do PS que é popular e urbana e de "baixo". A comunicação social, pelo modo cínico como relata a política, sendo ela própria salazarofóbica, porque alinhada à esquerda, alimenta a salazarofilia popular com muita eficácia e não é só no 24 Horas, esse híbrido esquerda-direita que enche os olhos dos leitores de primeiras páginas nas bancas.», por JPP, Abrupto

domingo, dezembro 28, 2008

Voar














O meu imão chegou para passar o natal, com fotografias fabulosas. Da Patagónia, Chile e até Ilhas da Páscoa.





é o que dá ser livre....

Fantasmas

Uma melodia para começar a noite.
Outra para acabar...
Ou seja, Good Girls Go to Heaven Bad Girls Go Everywhere ....

As solteironas

Tão boas raparigas e ninguém as quer, dizia a velha a quem o destino tinha dotado de uma netinha gordalhufa e meio insonsa. Muito prendada, a moçoila, cheia de recursos culinários e bordados à moda antiga, educação esmerada, missinha semanal e tudo, conjugado com um cursozeco de letras que a habilitava a "professora de liceu", um cargo invejável para uma avó de província...
As doidivanas é que têm sorte, concluía a velha, depois de um longo cismar sobre a colcha de crochet.
Não sabemos se por obra das novenas da avó , se porque se tornou uma verdadeira doidivana trintona, dando bom uso ao que deus lhe deu para folgar, a moçoila lá acabou por se casar tardiamente e parir pela primeira e última vez uma adorável criancinha com a bela idade de quarenta e três anos...

Da pimbalhada

Ente esta versão e esta, não sei qual a melhor....

Uma emoção, este amor filial. Bastante pindérico mas nem por isso menos real.

Natalmente

Da perplexidade natalícia sobram os restos de bolos e as notícias de mais uma chacina na palestina. O pai natal deixou uma carta cá em casa, uma carta escrita ao contrário.
Ainda só é domingo e tenho o mail entupido de assuntos de tabalho e pelo meio um ou outro comentário de tarados anónimos eivados de merdosos eflúvios católicos. Para o ano vou passar o natal ao brasil....

Mãe Querida

"As mães portuguesas nascem primeiro avós,só depois (não muito) devêm mães.

Mãesda autofagia dos filhos,da estupidez gregária das galinhas,do porco solitário,dos homens-netos a quem admitem o acasalamentoe a degola.

As mães portuguesas sabem de lume como ninguém,nem aqui nem no estrangeiro.Elas como ninguém engendram o coração da lareira,onde as madeiras oliva e pinha urdem o rubi rútilo.Resistem à saúde do idioma e à moléstia da literatura,não são nenhumas maricas de versos nenhuns.Na arca, salgam mantas de toucinho e trançasde anteriores como elas avós.

Têm com a Mãe de Deus uma diplomacia de clones.Nada lhes escapa ao almanaque:cónegos e coelhos, frangos e fregueses,vasos e veias, rios e frios,bailes e bules, cidras e hidrocefalias,câmbios e cambras, juncos e junhos,ossos e destroços, vinhos e tinhas,moucos e loucos, manhas e manhãs,censuras e tonsuras:nada pode furtar-se às avoengas evas."

Do Daniel Abrunheiro

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Mulheres, sede submissas

As mulheres não devem estudar mas casar.

Natal

Hoje vão nascer muitos meninos. Filhos do amor, filhos da guerra, filhos da morte, filhos da pobreza e de campos de refugiados. Filhos só das mães, como Jesus.

Hoje, muitas meninas adolescentes como Maria vão parir sózinhas, sem cuidados médicos nem antibióticos. Muitas delas irão morrer hoje ou nas semanas mais próximas.

terça-feira, dezembro 23, 2008

A vera tradição católica

Santo Agostinho, o arquitecto da visão cristã negativa da sexualidade, encontrou o momento adequado para os seus estudos e ensinamentos como secretário e porta voz do papa Dâmaso I, filho de um bispo.
Dois séculos antes, o filho de um sacerdote tinha-se convertido no papa Sixto (c. 116-125). Houve santos que foram papas que geraram filhos que chegaram a ser papas e santos.
O sucessor do papa Anastácio I (399-401) foi o seu filho, Santo Inocêncio I (401-417); Um século mais tarde, o papa São Hormidas (514-523) teve um filho que também alcançou a dignidade do Romano Pontificie: São Silvério (536-537).
O grande papa e doutor da Igreja, dos finais do século VI, Gregório I, era bisneto do papa Felix III e tetraneto do papa Felix II.
Entre os papas do primeiro milénio, aproximadamente 12 deles eram filhos de sacerdotes.
O último papa casado foi Adriano II (867-872
). O seu caso, como vimos, não é nenhuma excepção ou anomalia, mas trata-se apenas mais de um na série de esposos e pais, muitos deles aclamados como santos, que serviram a Igreja como bispos de Roma.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Funeral

Na missa fúnebre um padre senil falou longamente do purgatório onde, garantiu, estaria concerteza o nosso irmão. Entre atirar-lhe com qualquer coisa à cabeça para o fazer calar e pensar que é um pobre velho a caminho da senilidade que já devia estar reformado ,optei pela segunda opção, mais politicamente correcta.
Com padres destes e cerimónias religiosas destas admiram-se das igrejas vazias.

Epitáfio

Rosie
Eu, Rosie,

eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout,
everywhere,
em toda a parte,
A vida égale,
idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos;
dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Fausto, Madrugada dos Trapeiros , "roubado " daqui

Uma mulher que não era obediente nem submissa

O senhor era muito simpático, garante a vizinhança. A mulher, pelos vistos é que não era nada obediente nem submissa. O pobre homem perdeu a cabeça, coitadinho.
Àmen.

domingo, dezembro 21, 2008

Funeral

O TMV piscava o sinal de mensagem caída algures durante a madrugada. Antes de ler, já sabia o que era. Ás 5 h 40m, é o que vai constar no atestado de óbito. Sentei-me um bocado no sofá da sala, com um peso no peito e a pensar em coisas subitamente parvas como tenho de comprar uns collants pretos. Entretanto as minhas orquídeas abriram completamente durante a noite - sete flores de um arroxeado exótico a confirmarem a beleza aguda das noites em que uns morrem e outros florescem.
Cortei o caule ao alto e meti-as na jarra, no quarto, para as olhar antes de adormecer.
Uma conferência que vale a pena escutar.
Aqui

A beleza em tudo




Um corpo é sempre belo, desde que a luz o habite. Fotos daqui

Os novos iletrados

O que é absolutamente inquietante é verificar a profunda vacuidade intelectual de uma grande parte dos estudantes universitários em Portugal. Não só têm conhecimentos muito limitados sobre várias áreas do conhecimento que são estruturais ( Língua Portuguesa, Matemática, História, Sociologia, Arte, Música), como poucos deles estão habituados a ler um livro, a reflectir sobre um texto, a fazer uma apropriação do conhecimento que seja pessoal. Em vez de livros leem sínteses prefabricadas; em vez de pesquisas mais atentas limitam-se a linkar ou fazer copypaste de sites da net, nenhum esforço intelectual sério de buscar fontes credíveis ou originais, de buscar com rigor informações cientificamente válidas, de elaborar análises reflexivas com sustentabilidadae formal. A ignorância é de tal maneira confrangedora que se torna difícil ensinar estes novos iletrados. Não conseguem debater com qualidade, fazer citações credíveis, formular uma hipótese com um mínimo de consistência. Para a maior parte deles a noção de "conhecimento" é antes de mais um conhecimento panfletário de tiradas propagandísticas, pesquisadas à pressa num site indicado pelo google como "científico" ( alguns nem isso); a maior parte dos estudantes não consegue dissecar um texto, analisar múltiplas variáveis, formular variações analíticas mais complexas, ficando-se pelo óbvio e pelo imediatamente evidente. Já nem falo dos erros ortográficos crassos, na iliteracia funcional, na incapacidade em fazer raciocínios aritméticos simples...
No fundo, como qualquer professor do Ensino Superior confessa em conversas privadas, é-se obrigado a progressivamente descer o nível de exigência. E isto é particularmente óbvio em cursos de letras ou humanidades e afins... Que fazer quando a maior parte dos estudantes entra no Ensino Superior com notas próximas da mediocridade ?

Obediência e submissão.

Em alturas natalícias um simbólico gesto de Cavaco Silva, cheio de significado. Numa sociedade que culturalmente ainda se baliza por conceitos machistas de violência contra as mulheres ( alguns deles com conotações religiosas),é importante que a voz do Presidente da República se faça ouvir. E isto é parcialmente premente, porque em alturas de grave crise económica sistémica e estrutural, numa sociedade em que a violência é latente e socialmente aceite, os crimes contra as mulheres tendem a aumentar.

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O imperativo bíblico


Deu-me para ler os sucessivos delírios onanistas sobre a condição feminina, num blogue RAD TRAD.Passo a citar: "O marido manda à mulher que passe a vestir sempre saias; ela é obrigada a obedecer, porque, objectivamente, o conteúdo dessa ordem não viola a piedade cristã;Concordo! Deve obedecer. Mas não só porque sim, não só porque o marido mandou, qual déspota. Deve obedecer porque leu, porque estudou, porque sabe que uma mulher não deve usar calças porque ofende a Deus."

Ofende a Deus porquê?????A única explicação plausível é que usar saias é mais facilitador de uma boa foda, esse imperativo bíblico. Estes rad trads são uns grandes foliões, essa é que é essa...

sábado, dezembro 20, 2008

Sede submissos


Nada como postar um bom par de mamas para afastar comentadores compulsivos.
E agora, lá vou eu para mais um jantar de natal.

Da submissão

"Na Europa, no fim do século XVII e início do XVIII, ocorreu uma mudança marcante no lugar da criança e da família (Ariès, 1986). O afceto tornou-se importante entre os cônjuges, e entre os pais e os filhos. O “sentimento de família” nasceu simultaneamente com o “sentimento de infância”: com o objetivo de melhor cuidar de suas crianças, a família recolheu-se da rua, da praça, da vida coletiva, em que antes se encontrava, para a intimidade, fazendo desaparecer a antiga sociabilidade. Paulatinamente, através dos séculos, o valor social da linhagem transferiu-se para a família conjugal. Quando essa passagem se consolidou, a família tornou-se a “célula social”, a “base dos Estados”, mas isso só ocorreu muito tardiamente, depois da Revolução Francesa.A família afastou-se, assim, cada vez mais da linhagem, da integridade do patrimônio, prevalecendo a “reunião incomparável dos pais e dos filhos”, firmando o modelo nuclear. Passou-se a privilegiar e marcar as semelhanças físicas entre pais e filhos, inclusive nas situações de adopção. A criança tornou-se a “imagem viva de seus pais”.

Quanto à relação conjugal, a partir do século XVIII, os jovens começaram a considerar os sentimentos para a escolha do cônjuge, desvalorizando aspectos exteriores como propriedade e desejo dos pais. Esta, para Shorter (1995), foi a primeira revolução sexual.

O casamento por amor só foi defendido abertamente no século XIX, quando o essencial do capital herdado passou a ser o capital cultural: as transformações económicas, advindas da Revolução Industrial, permitiram as condições materiais necessárias para uma liberação da escolha conjugal, que não ameaçava mais o patrimônio familiar.
Shorter (1995) estuda o que chamou de um “surto de sentimento”, ocorrido desde o século XVIII, fazendo desaparecer a família tradicional. Este surto desenvolveu-se em três áreas: primeiramente no namoro, caracterizado pela busca de felicidade e desenvolvimento individual; depois na relação mãe-bebê, que passou a se caracterizar pelo bem-estar do bebé acima de tudo; e por último na mudança da relação entre a família e a comunidade circundante, na qual os laços entre os membros da família reforçaram-se, caracterizando a “domesticidade”.
O namoro transformava-se, incorporando duas características: a substituição de um sistema de valores baseado na fidelidade, na cadeia de gerações e na responsabilidade perante a comunidade, por um sistema de valores baseado na felicidade pessoal e no autodesenvolvimento; e com a possibilidade de escolha, o controle pela comunidade dos encontros dos dois sexos cessa-se. Esta segunda característica está ligada ao desejo de ser livre, de desenvolver a própria personalidade e de realizar ambições pessoais. Desse modo, na forma do amor romântico, o sentimento tomou o poder. A espontaneidade permitiu a substituição dos roteiros tradicionais pelo diálogo, e a empatia iniciou a quebra da divisão sexual do trabalho, modificando os papéis desempenhados pelos sexos. O casal afastou-se da comunidade, buscando isolar-se dos “olhares curiosos” e investiu na “experimentação e inovação” dos “jogos do amor” (Shorter, 1995).
Com a difusão das relações igualitárias, a autoridade patriarcal reforçada pela comunidade tornou-se intolerável. O conceito de “domesticidade” como unidade emocional, constituída pela privacidade e isolamento da família, foi a terceira área na qual o surto de sentimento na modernidade manifestou-se: “Os membros da família passaram a sentir muito mais solidariedade uns com outros...” (Shorter, 1995, p. 244). Nas palavras de Sennett, a família deixou de ser vista como uma região “não-pública, e cada vez mais como um refúgio idealizado, um mundo exclusivo, com um valor moral mais elevado do que o domínio público” (Sennett, 1993, p. 35).
A família na modernidade, além de ser o lugar privilegiado para o domínio da intimidade, é também o agente ao qual a sociedade confia a tarefa da transmissão da cultura, consolidando-a na personalidade (Lasch, 1991)".

Para quem não está acostumado a ler muito, eis uma boa síntese Aqui

Novos feminismos, velhos problemas

Os efeitos da globalização neoliberal sobre a vida das mulheres tem vindo a reforçar aspectos significativos do patriarcado como a divisão entre público e privado, a "naturalização" da mulher como suporte dos cuidados com a família, perante a diminuição dos serviços públicos e o desemprego crescente, a mercantilização de todos os aspectos da vida, com particular destaque para o tráfico de mulheres que sustenta fortes redes financeiras internacionais, o fundamentalismo de todos os tons que impede as mulheres de disporem dos seus corpos e deoptarem por uma maternidade consciente ou que apedreja mulheres até à morte por romperem códigos de conduta medievais.

Aqui.

Não sabem do que falam

De que falam os rad trads e seus acólitos quendo defenden a Família Tradicional ou mesmo os valores tradicionais da família?
Provavelmente não fazem a menor ideia. Limitam-se a repetir chavões estereotipados, por vezes eivados de pretensas citações intelectuais.
Se se referem à família burguesa novecentista assente num modelo institucional baseado no patriarcado; se falam da família nuclear, produto directo da revolução francesa; se se referem à família baseado na conjugalidade e no amor romântico, uma invenção do século XX,; se falam dos ancestrais modelos medievos da família tradicional, que incluem o adultério masculino, a pedofilia e o incesto como algo de absolutamente comum , "natural" e socialmente aceitável....

Devoção


Há quem goste de mulheres submissas, há quem prefira homens submissos...
Hà quem saiba que no amor não há margens para a submissão.



Moralistóides

Os valores morais de defesa da família e da natalidade...
Aqui.

Feliz Natal 2008

Cada vez gosto mais do natal. Dos cromados kicth dos centros comerciais, das bolas douradas, dos neons, das renas mais pirosas, das músicas com fundo de violino, deste sol do natal ao sul, das prendas completamente inúteis mas que dão um gozo tão especial, do consumismo puro e duro sem complexos de culpa porque é tempo dele, das roupas natalícias, das rábulas dos contemporâneos sobre o pai natal, da manuela ferreira leite subitamente humanizada, imagem composta em frente à lareira como um conto em que os gnomos maus se transformam,
gosto desta crise económica natalícia que inaugurou saldos, adoro as gravatas natalícias,
os brincos-com-árvores-de natal- de- pisca- pisca para iluminar as orelhas na consoada, gosto dos perfumes novos, da neve, dos filmes musicais, dos gorros, das luvas, das boinas, dos doces proibidos, de perder completamente a cabeça estoirar 99 euros numa blusa ( em saldo), porque sim e porque sim, e porque é natal e eu mereço, gosto de todos os pecados natalícios, da futilidade, dos jantares da empresa e do departamento, jantares formais e pretensamente amistosos, abrilhantados por toilettes de novos ricos e as últimas sobre os divórcios dos colegas ou o projecto que não foi aprovado,
gosto de ir tomar um café à noite ao bar mais bonito da cidade e calcorrear a pé as ruas, sob as luzes, enquanto os meus pulmões gelam deliciados com o bafo da dezembro, gosto das cartas ao pai natal que os meus filhos escrevem a pedir sonhos possíveis e impossíveis, gostos das caras dos meus alunos a desejaram-me bom natal, gosto dos mails foleiros e das cartas de natal mais sofisticadas com poemas e brasões de família....
Gosto do natal e vou comê-lo até ao fim!

Dies Irae


Apetece cantar, mas ninguém canta.

Apetece chorar, mas ninguém chora.

Um fantasma levanta

A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.

Apetece fugir, mas ninguém foge.

Um fantasma limita

Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.

Apetece matar, mas ninguém mata.

Um fantasma percorre Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,

Sepultura de grades cinzeladas,

Que deixam ver a vida que não temos

E as angústias paradas!
Miguel Torga - Cântico do Homem

Á espera da Ressurreição

Morrermo-nos é o maior mistério que nos pode acontecer.

Somos concebidos para a vida, para radicalmente nos mantermos vivos.

O nosso impulso mais fundo é este : o prazer animal de estar vivo. Esta voragem egoísta, atávica , masturbatória, violenta, capaz das maiores torpezas e das maiores exaltações - é o que nos impulsiona nas várias idades do nosso tempo.

Por trás deste impulso de sobrevivência adivinhamos o propósito último do nosso respirar existencial: somos vida e só para a vida somos chamados a ser.

Morrermo-nos é a antítese da nossa humanidade.

Este animal azul que somos, que só quer respirar delícias, comer até à saciedade, beber com sofreguidão, sentir inebriamentos e orgasmos, amar apenas, na ilimitada transcendência da nossa carne.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

O país conta pouco, o bem público muito menos e o partido, apesar de estar sempre na boca de muito gente como se fosse um clube de futebol, fora das benesses que a cada um pode dar, conta ainda menos (...)

Esta desertificação que nasce em baixo, produz os deputados que acham absolutamente normal passarem quatro anos no parlamento como uma sinecura suplementar e por isso não estão dispostos a prejudicarem o seu fim de semana alargado com votações.

Aqui

Vivemos habitados entre os mastros e os ventos

como pressentiu a poetisa.

Habitamos o prepúcio das palavras,

uma ligeira película que separa o início do fim,

Somos anémonas,

temos o peso da lua sobre as fístulas dos dedos.


Por isso cintilamos todas as noites

Maresias

A convicção é antiga, mas é mesmo assim:

o meu coração bate ao compasso das vagas.

Desde a orla do mar ergue-e o seu sopro sincopado

o bater das ondas que não são vagas mas o som de um coração.

Comecei assim , inteira:

um latido rumoroso a tamborilar diástoles.

Desabafo

Digo asneiras com a mesma intensidade com que ecrevo poemas. Ou com a mesma delicada convicção. Quse que podia dizer unicórnios azuis.


Há muito que deixei aquela praia


De grandes areais e grandes vagas.


Mas sou eu ainda


quem na brisa respira.


E é por mim


cintilando


que a maré vaga.


Sophia de Mello Breyner

sábado, dezembro 13, 2008

Os anjos de natal

São todos tão jovens. Deslizam pelos corredores vestidos de branco. Os enfermeiros na terra e os anjos no céu, disse um doente.

Aqui morre-se muito. Aqui, morre-se todos os dias. É verdadeiramente o corredor da morte. E os anjos deslizam, com suavidade. Hoje são loiros, os dois, uma jovem mulher que sorri docemente e um homem de trinta anos, muito belo. Sorriem-me também quando entramos no gabinete e o sorriso é caloroso, um enorme clarão morno que nos empurra a entrar.

Ele está deitado a dormir profundamente. Agonizante. Em lençóis limpíssimos, que a respiração estertorosa eleva e afunda com um bote na água. A enfermeira de sorriso loiro explica pacientemente a evolução da noite, o banho matinal, a barba irrepreensível, o corte de cabelo, o débito urinário. Tem os pés gelados penso eu , e eis-nos a tapar-lhe os pés com o cobertor, sabendo de antemão que não vão aquecer. O rosto corcomido pelo cancro parece uma daquelas imagens de cristo agonizante que as histéricas reverenciam. Órbitas arroxeadas numa magrez de cadáver, as mãos translúcidas, a pele de um macilento acinzentado. O cabelo , tão negro , tão jovem - que idade tinha, e agora que idade tem. Ficamos a olhá-lo em silêncio durante minutos numa prece muda abraçadas - a minha amiga e eu. Nada mais há a dizer - é este o fim da estrada. Não sabemos quanto durará a agonia.

Só choro quando me despeço dos anjos , duas cabeças loiras debruçadas sobre a a dor.

Choro, não só de tristeza, mas de uma espécie de profunda gratidão por existirem anjos - estes, que chegam com a seringa de morfina.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Fevereiro

Iria fazer anos próxino dia 9 de Fevereiro. Quarenta e nove. Iria, porque já não vai. ( Tinha escrito provavelmente já não vai, mas apaguei o provavelmente). Há palavras que temos de escrever para se tornarem materiais, reais. Já não vai fazer mais anos.

Restam-lhe os cuidados paliativos, a morfina em doses certas.

Este ano sim, em Fevereiro deste ano 2008, brincou comigo como e costume .

Fazemos anos praticamente no mesmo dia e assim durante um dia , os anos que nos separam ficavam divertidamente encurtados. O que era motivo de private jokes.

Amanhâ vou vê-lo ao IPO. Porque sim. Para me despedir. Sem saber o que dizer. Talvez lhe fale do dia dos anos.E aquelas brincadeiras parvas sobre os aquarianos estarem muito à frente do seu tempo.

Vais primeiro, ainda nos havemos de encontrar algures e voltar a fazer anos quase ao mesmo tempo. Mas não penses que nas contabilidades da eternidade me vais enganar .

Não, não: vais ser sempre muito mais velho que eu ainda que eu morra com oitenta anos...

Como este ano de fevereiro de 2008, percebes? Não penses que morres tão cedo para ganhar a aposta.E prometo que não vou chorar. Não tenho esse direito.

Coração nas mãos

Por estas semanas o meucoração anda a ter algumas falhas - crises hipertensiva, picos de taquicardia e arrimias. Hoje o ecocardiograma confirmou o defeito da válvula mitral. Segue-se uma bateria de testes e aumento dos B-bloqueantes.

Deitada na maca a ver as imagesn do écran, o pulso a 100 à hora, dei por mim a lamber lágrimas silenciosas. Puta que pariu a vida que a morte está sempre tão próxima.

Suicídio assistido

A Sky Real Lives ontem teve uma emissão especial - o primeiro suicídio assistido em directo na hsitória dos media.

Nestes dias tem-se debatido o direito a morrer dignamente como um dos direitos humanos fundamentais.


Natal

Uma belíssima imagem natalícia.

quarta-feira, dezembro 10, 2008


Migrantes

A imagem é um ícone da grande recessão da década de trinta, é um ícone também da condição de migrante e da condição de mulher. Em situação de crise económico, as primeiras vítimas são sempre as mulheres e as crianças.Temo que a história se repita uma e outra vez.
Recentemente a CNN recuperou o rosto da criança sobrevivente numa fotografia do rodapé da história. A fotografia é tão violentamente bela que rasga a evidência da brutalidade contra as mulheres e esta capacidade extraordinária de resilência no feminino.

Professores rascas

É absolutamente inacreditável o que se está a passar nas nossas escolas públicas. Insultos, ameaças, coacção, tudo serve para calara os colegas, que legitimamente até concordam com a avaliação.
Sócrates, não desistas, a partir de hoje tens o meu voto incondicional.

As Deusas Católicas

A IC está prestes a reconhecer como uma fraude abismal as pretensas aparições de Medjugorje e o seu mentor espiritual está algures enclausurado no vaticano a ser sujeito a sanções espirituais e, esper-se a tratamento psiquiátrico formal.
Entretanto, alguns resquícios da mariolatria podem ser vistos aqui.
Tanta histeria junta.

O stôr

Confesso, estou farta do Mário Nogueira. Aquele bigodinho à anos oitenta, aquele penteadinho ( cabelo pintado, de certeza) alisado semigorduroso de eterno funcionário do partido, os bitaites diários na televisão pública, as idas a fátima, as intervenções balofas, digo-vos que me causa azia e me pergunto, sempre que o vejo em frente às câmaras como "representante da classe" quando terá sido a última vez que deu uma aula a sério como qualquer professor.
Mas que dá uam boa personagem para os contemporâneos, isso dá.

Teans

Na grécia os teans estão na rua. São adolescentes de doze, treze anos.

Biologia

Eu já suspeitava disto. Atenção Meninas púberes à procura príncipe encantado ( eufemismo para macho cobridor), não se esqueçam dos resultados deste estudo:Brainy men, it seems, do have better sperm.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Body ownership - the sense that one's body belongs to one's self - is central to self-awareness, and yet is something that most of us take completely for granted. We experience our bodies as being an integral part of ourselves, without ever questioning how we know that our hands belong to us, or how we can distinguish our body from its surroundings.
These issues have long intrigued philosophers and psychologists, but had not been investigated by neuroscientists until recently. Now researchers from the Karolinska Institute report that they have induced a "body-swap" illusion, whereby subjects perceived the body of another person as belonging to themselves.
Foto- O mais antigo cerimonial de enterro datado até hoje.
"Hence, it is quite obvious that something as common as religion, which affects over 90% of the world population, would also have some neuronal basis. The interesting part is that the activity is common to all religions - A Buddhist meditating has the same neuronal activity as a Christian praying. This somehow brings us all closer a notch, its a shame this also causes humans to become zealots. I think this notion makes this zealotry ludicrous - “My favorite stimuli for creating neuronal activity in the right frontal lobe is correct and your is false, therefore you must die!”. Now doesn’t that make sense? Why didn’t you just say so?
Another thing that’s interesting is that the activity (and thus spiritual revelations) can be reproduced by simple measures: Meditation, Prayer, Trance music and LSD. Apart from LSD which causes chemical reactions which could take some work to figure out, this demystifies spirituality to a point of absurd. There is nothing special about the AHUM syllable used in meditation, nor the rocking of Jewish prayer. Any repetitive motion will eventually induce spiritual activity in the brain, be it embedded in trance music created a year ago, or a religious ceremony created 2000 years ago. "

A exultação de leite

Triste país este onde a líder do principal partido da oposição exulta porque Portugal entrou em recessão técnica.

Nomes brasileiros

Nao resisto. É delicioso....

Milagres das Deusas católicas

Nada como uma boa constipação para ficar em casa a beber chá e a rir um pouco com os disparates da blogosfera. Depois do milagre da tosta no pão temos o milagre do Udsonzinho ( Udson, será mesmo este nome improvável ??).
Deixa ver se percebo o milagrezinho. Uma jovem mulher instável vem da missa com uma criança ao colo. Devia vir meia tonta com o cheiro do incenso e vai daí, ao saír do autocarro, de uma foram irresponsável, com a criancinha carregada no lado direito, nem olha se tem o caminho livre. Claro, uma bicicleta bate-lhe no lado esquerdo. A mulher desequilibra-se e cai no chão.
A criancinha que estava ao colo no lado direito, não sofreu qualquer impacto , consegue leventar-se e fica de pé ao lado do passeio.. .
O choque não foi muito forte - nem a mulher se magoou seriamente nem o ciclista se desiquilibrou e caiu no chão. Ou seja, foi apenas um ligeiro raspão de uma bicicleta...em andamento...Nada de incomum. O que explica que a criancinha, mais lesta que a mãe atordoada, se tenha posto de pé na estrada.
Que não, que foi milagre. Que a criancinha ficou miraculosamente de pé...Salva por mão divina que desceu dos céus e tal.
Já se entoam laudes e adivinham-se peregrinações mais bebidas que as da senhora da aparecida...
E ainda falam dos Rcc...
Gentinha doida mesmo, né?

Prenhez on line

A prenhez está em alta. São revistas especializadas tipo pronto-a-vestir de conhecimentos maternos, é um programa na rádio sobre cegonhas, são milentos sites e blogs pessoais onde primíparas e outras divagam sobre coisas surreais como o tamanho das mamas e fissuras mamilares. Algumas chegam ao ponto de começar os blogues antes de engravidar e anotam online as ovulações, discutem com as vizinhas comadres blogosféricas o resultados inseminadores da última queca, programam as posições e as mezinhas e só me falta ver alguma dessas almas a colocar on line a foda criadora com o título: aqui , em directo, assista à fabricação do meu querido martin...
Aterrador é quando engravidam mesmo, colocam online a fotografia do Kit com as risquinhas da urina, e vá lá de postar as ecografias, os resultados da amniocentese, a marca das sanita onde vomitam , as variações hormonais e todo o circo da prenhez narcísica.
E de repente o zigoto delas passa a ser do mundo, as comadres sentam-se ao sol a discutir se foder grávida é mesmo melhor do que quando não estamos grávidas ( poderia escrever uma tese sobre o assunto) , alguns putativos pais são entrevistados sobre o tema, trocam-se emails compungidos e aposto que alguns romances de caserna vão nascer virtualmente entre dicussões sobre fraldas e bronquiolites.
O tom de amável cacarejar é permanente e acho sinceramente de um profundo mau gosto esta profusão de imagens dos meninos online por tudo o que é sítio, de exposição pública exibicionista de pequenos bebés, de descrição exaustiva de pormenores íntimos, de nomes pessoais, de coisas que deveriam ser um património próprio e pessoalíssimo de cada ser humano e de cada família, sem andar por aí numa expécie de exibicionismo prenho de feira .
Lembrei-me disto tudo a propósito de um dos últimos brilhantes posts da rititi, que subscrevo na íntegra....

weekend

Qualquer tentativa de racionalizar a metafísica do medo acaba depois de uma viagem mais ou menos longa com um bando de crianças a cantar em coro dos rústicos pelo epicurismo.
Vá lá que não lhes deu para a floribela.

Momento Zen 2

Os dois rapazes, fazendo jus ao cromossoma Y, fazem um concurso para saber quem faz mais barulho a sorver a sopa.
Mãe em frangalhos:
- Miúdos, parecem animais a comer!!
Silêncio reflexivo seguido da pergunta inevitável:
- Então, queres que coma como uma planta?

"O Natal é bestial para se perceber a casa pia que Portugal é: um menino nu entre um burro e uma vaca à espera que o crucifiquem não tarda nada", escreveu o Daniel.

É o que me vem à cabeça ao folhear o Jornal da manhã.

Doente

Enquanto as vísceras me aprisionam na cama, ainda assim num enquadramento de aguado verde, aguardo que a solarenga manhã me seja mansa.

Maria, a Deusa Católica

Teria menstruações?
Hemorragias periódicas que, segundo a lei judaica, a tornavam impura porque relembravam a sua inferior condição de mulher?
Será que defecava?
Terá sido concebida por inseminação artificial, isenta do pecado original do sexo ligado à procriação humana?
Terá concebido sem óvulo seu nem esperma alheio , tornando-se
cobaia da primeiro aluguer de ùtero da história humana?

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Momentos Zens do Fim de semana

Miúdo mais novo, enquanto se discute se um gato é uma boa prenda de natal para a avó:
- Adoro gatinhos!
Irmã mais velha em tom pedagógico:
-Mas olha que os gatinhos não são todos assim tão queridos. Alguns até comem passarinhos...
Silêncio reflexivo, seguido de pergunta filosófica:
- Se os gatos comem passarinhos os leões comem avestruzes?

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Do fim

A minha aluna fala-me da doente que hoje lhe morreu literalmente nas mãos.
Era uma mulher de 94 anos e a morte estava mais ou menos agendada para estes inevitáveis dias de inverno, apesar disso, os lábios tremem-lhe quando me faz a descrição clínica do caso. - -- - Nunca me tinha morrido uma doente.
- Pois, o nosso trabalho é assim, disse-lhe. Eles morrem-nos porque fomos nós que estivemos com eles até ao fim.