segunda-feira, março 31, 2008

Souviens toi

Nem sempre encontramos as palavras certas para acabar o dia, estamos um pouco gastos para tanta morte que há-de vir, souviens toi barbara, escreveste uma vez face a uma pergunta impossível, eu e a minha mania das perguntas impossíveis, mas agora adormeço-me sem que maré me perturbe, já não há nenhuma planta para desenhar no chão do pátio, souviens toi, barbara, o sírius mudou de dona, não há nada tão reconfortante como um cão labrador preto a lamber-nos as mãos, os miúdos puseram-lhe o nome por causa de um personagem esfíngico do Harry Potter, souviens toi, barbara, il pleuveait sans cesse sur Brest ce jour-là não há longe nem distâncias nem nada que não possamos percorrer que não esteja já dentro de nós, Rappelle toi Barbara il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là et tu marchais souriante, èpanouie , ruisselante sous la pluie ...

sábado, março 29, 2008

Políticas natalistas


Para os preocupados com a baixa de natalidade

O PRIMEIRO HOMEM GRÁVIDO.
Já aconteceu
.Um caso - este verídico - aqui.

Bode expiatório

Dois valores em alta. A sanha ridiculamente justicialista e a venda de t-shirts com a frase - "dá-me o telemóvel já.
Em passant, a utilização vergonhosa do incidente para campanha de marketing do ensino privado. Como se no ensino privado não houvesse alunos mal educados e /ou professores incompetentes...

Entretanto, vale a pena ler.

A autoridade dos professores

Nem quero acreditar no que leio, mas segundo a informação disponibilizada, a professora teria autorizado que os alunos pudessem utilizar o TMV em sala de aula para ouvir música desde que baixinho.O episódio foi despoletado proque a aluna atendeu uma chamada ... da mãe.


Dáme o telemóvel já

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quarta-feira, março 26, 2008

O pior cego é o que não quer ver



A análise das imagens não deixa dúvidas. Uma sala de aula normal, bem equipada, uma turma pequena, alunos que aparentemente pertencem a um contexto socioeconómico de classe média ou eventualmente classe média alta. Nada do cenário catastrofista dos profs vitimizados por bandos de potencias serial-killers.
Nada nas imagens permite deduzir que são alunos particularmente problemáticos ou violentos.O que é então chocante, nestas imagens?
O facto de haver um adolescente “engraçadinho” que tenta por todas as formas chamar atenção dos seus pares – e da professora - na esperança que alguém lhe imponha limites?
Não, nada disso é chocante. È um comportamento adolescente típico. Comum em quase todas as salas de aula.Mais uma vez, há colegas importunados por este comportamento turbulento e manipulativo.
O que é chocante, da observação das imagens, é verificar que em alguns momentos da aula, tudo acontece com um professor completamente desatento aos contextos e às interacções dos alunos. Tem-se a impressão de que os alunos estão completamente em “roda livre”, entregues a si mesmos, face a um adulto professor que se demite do que se espera de um adulto – supervisionar as dinâmicas do grupo, impor limites, sinalizar comportamentos inaceitáveis. Estar atento, simplesmente.
Se este é o clima institucional e organizacional que se vive nas nossas escolas, acho que a cena do telemóvel é perfeitamente compreensível e expectável.
Nota final – A professora em causa pode até ser uma excelente profissional, com um momento de desatenção ou de cansaço que todos nós podemos ter.
A questão não é esta professora em si mas o ambiente, o comportamento e uma atitude de total lassidão e desatenção que “grassa” no corpo docente e que se traduz por expressões do tipo – “não estou para me maçar”. Recomendo-lhes a leitura de O Deus das Moscas, do Nobel William Golding
Depois não se queixem.

Ao conhecimento da DT ou do Senhor Procurador

Esta é a pita Marília.
Espanca uma colega da escola por causa de uma cena no HiFi.
A colega é espancada, humilhada e insultada durante longos minutos enquanto as outras criancinhas filmam, comentam e riem. A cena de humilhação e espancamento foi até agora vista por mais de 600.000 viewers. A pita Marília não é apenas histérica ou mal educada, espanca acolega , ameaça a vítima de morte e afirma que vai fazer queixa dela à “ DT”. Parece que a DT vai saber do comportamento da vítima que “JUSTIFICA” o espancamento .
Claro que a vítima brutalizada pelo grupo durante longos minutos não vai falar nem fazer queixa.
Mais - a pita Marília tornou-se rapidamente numa heroína da escola e outros filmes no youtube reproduziram a cena humilhante. Chama-se a isto cyberbullying e já há casos documentados de adolescentes vítimas de homicídio e suicídio.
Estamos num espaço público, numa zona escolar. Nenhum adulto interferiu.
Que terá feito a DT?

Delírio

O clima de insanidade e total desresponsabilização os professores atingiu o auge com a extraordinária ideia de intervenção criminal face a uma situação que não passa de pura indisciplina em contexto escolar.
De uma só penada
desvaloriza-se e cobre-se de ridículo o sistema judicial (que em vez de minudências desconexas deveria focar a sua atenção em questões da sua esfera), e desvaloriza-se ainda mais os professores e as escolas, passando um atestado público de incompetência aos docentes e às escolas para gerir questões internas meramente disciplinares.
SE se tratasse verdadeiramente de matéria criminal – bandos organizados, burla, furto, agressão física, tentativa de homicídio, posse de arma, tráfico de droga – aí sem já faria sentido o ministério público actuar, sempre tendo em conta que alguns destes crimes dependem da queixa dos lesados.
Mas não se trata de nada disto – arranjaram agora um bode expiatório ridículo – uma miúda de 17 anos, com um comportamento sancionável em sala de aula é certo, mas nada que se possa sequer assemelhar a qualquer tipologia criminal de crime público.
A insanidade deste processo é inacreditável.

segunda-feira, março 24, 2008


Do silêncio.

Professores sem educação

Da leitura dos vários posts blogosféricos emerge outro facto - salvo honrosas excepções pontuais, os comentários postados por professores ( ou que se afirmam como tal) revelam uma profunda falta de educação. A mesma educação básica que agora aparecem a exigir aos seus alunos, com grandes brados de indignação. Nos posts dos professores amontoam-se insultos, impropérios, comentários sexistas, dificuldade em gerir observações críticas, ressabiamento, catastrofismo e um corporativismo doentio.
Outra coisa confrangedora são os textos pontilhados de erros ortográficos daqueles de palmatória, para os amantes de disciplinas mais sérias (LOL). Eu sei que na pressa de teclar respostas, os erros podem surgir como uma inevitabilidade, mas alguns são tão crassos que não parecem resultar da pressa da escrita mas de algo mais estrutural.
De certa forma os nossos alunos são sempre o nosso espelho.

Vítimas

Da leitura em diagonal do amontoado de mails trocados por estes dias e dos comentários lidos a propósito dos coitadinhos dos professores, essas pobres vítimas , parece que agora os culpados da situação já não são a Ministra da Educação, mas os alunos e sobretudo os pais, esses seres sem escrúpulos que usam os professores como baby-sitters. Alguns de má qualidade, ao que parece.
A ideia é a seguinte – os pais são maus, sem formação, são uns uns seres irresponsáveis, que dão umas quecas e depois abandonam os putos nas escolas ( a frase não é minha mas de uma professora (????) numa caixa de comentários).
Os professores, coitadinhos são uma vítimas indefesas e não têm um pingo de responsabilidade pelo ambiente de disciplina nas suas aulas.

Maria lisboa

Acabo de receber este mail que circula entre professores:
"Carta envida ao professor Marcelo
Divulguem
Senhor Professor
Ouço-o sempre com atenção. Só lamento que em questões de educação esteja sempre tão mal informado.Amanhã concerteza não deixará de falar sobre o video desta semana. Seria bom que reconhecesse e fizesse ver aos que o ouvem que a manifestação dos 100 mil professores teve pouco a ver com avaliação, gestão, e quejandos, mas sim com o facto dos professores estarem fartos de ser insultados por Sócrates, ME, jornalistas, comentadores, media, etc. Principalmente os do 3º ciclo e do secundário. Há 30 anos que se vão desvalorizando com todo o pagode de políticos a endeusar o 1º ciclo. Só que no 1º ciclo não há matulões hooliganizados pelos Morangos com açúcar, com a hormonas exarcebadas , nem professoras velhas com mais de 55 anos de idade, reformam-se com essa idade.Nos últimos 30 anos os professores licenciados por faculdades onde penaram, 5 anos, viram que os outros professores do 1º ciclo e educadoras de infância 1º tiveram bacharelatos admnistrativos2º finalizaram dadas licenciaturas de aviário (executadas num ano com notas altíssimas)3º tiveram acesso a mestrados e doutoramentos porque todos os dias saiam às 3 da tarde, o que a nós era negado, sempre com horários e reuniões ao horas variáveis4º se podem reformar aos 55 anos e 30 de serviço, enquanto nós com a Ferreira Leite passamos para os 60 anos independentemente dos anos de serviço e agora com o Sócrates para o regime geral dos 65. (...)Ainda bem que não tenho netos, porque se os tivesse, e se mandasse para a escola não iriam. Homeschooling! "(..)Maria Portugal"

Não faço ideia de quem é a maria postugal, mas o tom do mail (deste e doutros do mesmo teor) é sempre o mesmo ( omiti alguns insultos). Corporativismo, um discurso crispado contra os alunos, os pais, a escola pública, o ministério, outros professores e até, nos últimos dias, contra jornalistas e orgãos de comunicação social que não alinham com a vitimização dos professores.
Não se vislumbra uma reflexão séria, uma tentativa estruturada de melhorar a situação ou uma preocupação exigente com o estado do ensino público em Portugal.
Enfim, é de uma tristeza confrangedora.

Professores e stôres

A propósito da briguinha do telemóvel, Marcelo Rebelo de Sousa considera que a culpa da situação de indisciplina em salas de aula é apenas da… actual ministra da educação.
Tal frase, deu-me uma imensa vontade de rir.
1975, Liceu Infanta Dª Maria, Coimbra. Uma escola elitista urbana, uma turma de meninos bem.
Vi de tudo. Professores saneados, professores literalmente cuspidos, ovos podres atirados ao quadro em plena aula, insultos brejeiros, professores com crises de nervos a desfazerem-se em lágrimas e gritos histéricos, alunos que saltavam das janelas em plena aula, gozos vários, descomunais, tudo o que a imaginação de adolescente permitia…
E no entanto, havia professores intocáveis.
E não eram os mais permissivos ou o mais “porreiros”. Muito menos eram os que se impunham pelo rigor disciplinar, longe disso, numa altura em que as sanções disciplinares não existiam na prática.
Eram os professores. Mais nada.
Quanto ao episódio do telemóvel, "
Basta ver como a professora (a adulta e a profissional que tem de garantir o normal funcionamento das aulas) lida com o problema para perceber que estamos perante alguém sem preparação para cumprir as suas funções. Uma professora não fica dois minutos a disputar um telemóvel com uma adolescente. Não o faz, ponto final. Chama outra pessoa, manda a aluna para a rua, interrompe a aula… Qualquer coisa. Mas não desce ao nível da adolescente. Se o fizer, está frita. Nem é preciso ser profissional para saber isto. E o que vejo neste vídeo é uma professora com uma turma completamente descontrolada a usar métodos só aceitáveis em alguém com a idade da adolescente que tenta controlar. "
Portanto, as vitimizações fáceis, são pouco dignificantes.

quinta-feira, março 20, 2008

segunda-feira, março 17, 2008

Tinha anotada na minha agenda - de 27 de Dezembro de 2008 a Janeiro de 2009 - Tibete. Não para um programa turístico, mas para um fascinante projecto de ajuda humanitária na área da saúde.Agora, não faço a mímima ideia se será possível.

O pecado


"O conhecimento dos mecanismos moleculares subjacentes à especialização morfológica e funcional das células e tecidos (diferenciação) e da formação dos organismos adultos (organogénese) abre, assim, perspectivas para a compreensão dos processos de desenvolvimento do embrião humano e dos defeitos que podem gerar-se no decurso da sua evolução (congénitos), e também, da origem e progressão dos tumores ou do modo como se poderão aplicar materiais de substituição biológica para reparar deficiências estruturais do nosso organismo.
(...) as aplicações possíveis das Células estaminais com fins terapêuticos surgem como muito mais vastas e promissoras, designadamente no âmbito da reparação de tecidos e órgãos – que alguns consideram poder constituir uma nova
“era” , a da Medicina Regenerativa
(Kukekov, 1999; Bjorklund & Lindvall, 2000;Assady et al., 2001; Hagege et al., 2003; Ghostine e tal., 2002). De igual modo adisponibilização de linhas célulares derivadas de CE poderá servir para testar fármacos,o que possibilitaria individualizar tratamentos, melhorando a sua eficácia e reduzindo o risco de efeitos indesejáveis. De entre as primeiras aplicações admite-se a possibilidade de as CE se constituírem como matrizes de tratamentos baseados na substituição de partes de tecidos e de órgãos que se encontram lesados por afecções irreversíveis. São exemplos: as doenças degenerativas do sistema nervoso central (v.g., doença de Parkinson e doença de Alzheimer), órgãos afectados por tumores malignos, parcialmente destruídos por agressões traumáticas (v.g., traumatismos vertebromedulares),térmicas (v.g., queimaduras extensas da pele) e também por isquémia (v.g.,áreas mortas do tecido cardíaco ou nervoso após enfarte por obstrução vascular) ou perda de áreas críticas do metabolismo do pâncreas (v.g. ilhéus de Langherans e diabetes).
Admite-se que a utilização de CE para regenerar tecidos poderá ainda minorar as dificuldades em obter órgãos dadores em número suficiente para as necessidades actuais e futuras de transplantação de órgãos o que constitui um relevante problema de saúde pública. "
in RELATÓRIO SOBRE INVESTIGAÇÃO EM CÉLULAS ESTAMINAIS - CNEV, 2005

sábado, março 15, 2008

Neofascismo

"Há gente aí a trabalhar profissionalmente para lançar estas calúnias, mas comigo têm pouca sorte.”
O facto de haver profissionais (empresas especializadas em marketing político) cuja única tarefa é sujar o nome alheio, diz muito sobre a qualidade da democracia em que vivemos.

Salazarentos

Daniel Sampaio, já escreveu, num artigo muito lúcido, que não é aceitável o branqueamento de marketing da figura de Salazar.
Por muitas razões e em nome da verdade histórica.
MAS, como o neofascismo pulula por aí, aparentemente sem margens ou regras de pudor, só me resta concordar com o irmão Lúcia.

A Tradição já não é o que era


"Cada vez mais fica evidente: o tradicionalismo é muita ideologia, papaguear de teologia manualística a-histórica e bastante equivocada, pouca espiritualidade e quase nada de sentido eclesial. Muito azedume e pouca fé no Espírito Santo. "

Alef

Ser católico

Se a fé é uma relação amorosa irrepetível de Deus com cada um, se a fé é encontro e desafio, não há a menor dúvida que cada um deve construir uma fé à sua medida.
Há uma profunda falta de fé nos defensores da religião hard baseada em dogmas doutrinários e regras punitivas só aparentemente imutáveis. E muitos destes homens de pouca fé são padres.
Acusam os outros de "descafeinados" e falam mesmo em bons e maus católicos, à boa maneira dos fariseus cumpridores da "lei".
Agarrados a dogmas marginais que nem sequer são a essência das “verdades da fé” mas muitas vezes resultam de episódios históricos circunscritos esquecem o essencial do cristianismo. Esquecem o essencial.
Homens de pouca fé que passam a vida a olhar para cima ( “o que buscais?”), em vez de olhar para o lado – para os outros e para a relação de misericórdia com os demais.
Acham que a Igreja católica se deve afirmar na sociedade apenas pela crispação doentia ou pela pela rigidez doutrinária.
Claro que para eles nada importa aquele verdadeiro escãndalo essencial que esteve na génese da afirmação do cristianismo - "vede como eles se amam".

E depois ainda dizem que a causa das igrejas estarem vazias e da falta de vocações é o secularismo.

terça-feira, março 11, 2008

Circula pela comunicação social que o papa Bentinho quer o retorno da comunhão na boca dos fiéis. Para lá da pouca higiene do acto, o que obrigaria qualquer ASAE a fechar as missas, há todo um simbolismo subjacente ao acto.
Os padres alimentam os fiéis na boca, que submissos e passivos, são pequenas crianças ou animais que precisam de um apoio externo na busca espiritual e não têm autonomia para se alimentarem por suas mãos.
Imagino Jesus a enfiar na boca dos amigos o pão da última ceia.
E depois ainda dizem que a culpa do esvaziamento das igreja é do secularismo..

O grande silêncio - Manicómios prisões e conventos

Não será por coincidência, mas as escassas mulheres que conheço que sentem algum fascínio pela vida monástica têm gravíssimas dificuldades em relacionar-se amorosamente com os outros ou em ter um projecto de vida fecundo.

Zapatero

Uma boa notícia para a democracia - a vitória de Zapatero contra uma extrema direita catolaica e franquista. Não é por acaso que esta direita religiosa surge de mão dada com a ETA.

segunda-feira, março 10, 2008

Professores histriónicos

Ao ver as imagens de fim de manif em lisboa, com professores (????) esfuziantes aos gritinhos histéricos, uma mistura de carnaval com fim de cortejo da queima das fitas , lembrei-me nitidamente dos meus vetustos professores e professoras do velho Liceu infanta Dª Maria, em Coimbra, que mesmo em período de pleno PREC, com saneamentos diários, quando entravam na sala de aula com aquela postura irrepreensível de professores a sério, só pela sua presença ( e também com os seus saberes de velhos mestres) faziam acalmar imediatamente o alarido adolescente dos mais radicais amotinados. E nem era preciso mais nada que não a presença.
Imaginei logo a senhora professora Laura Mano (mais tarde substituída por stôras mais new age de roupas psicadélicas), nas suas saias cinzentas e olhar coruscante, numa manif deste tipo e pareceu-me uma impossibilidade matemática que uma verdadeira professora pudesse andar aos guinchinhos pela rua a gritar insultos a outra professora, por acaso minstra.
A manif pode ter satisfeito o ego dos professores, mas cobriu de ridículo uma classe que só se mobiliza contra a avaliação.

quinta-feira, março 06, 2008

Neonazis apoiam a luta dos professores

Segundo circula na net em sites pouco recomendáveis que me escuso a linkar, grupos de neonazis vão apoioar os professores na "marcha da indignação" dia 8 de Março.
O que só me faz simpatizar mais com a Ministra da Educação.
Escreveu um professor de matemática que :

“Há ano e meio atrás, a maior parte dos professores dizia-se contra qualquer avaliação de desempenho que fugisse dos termos da que era feita na época, ou seja, que interferisse com a progressão automática nas carreiras que, como alguns sabem, assegurava a todos, sem distinção, ao fim de uns anos o topo da carreira, isto é, um ordenado de € 2900 (ilíquidos) por 12 horas semanais de trabalho lectivo. Agora, percebendo que não têm argumentos que sustentem o facto de não quererem ser avaliados, dizem que, afinal, querem ser avaliados mas não nos moldes que a regulamentação do Ministério da Educação definiu.

Todos sabemos que a avaliação dos professores, tal como a dos alunos, é de elementar justiça e fundamental para valorizar o empenhamento e premiar o mérito, visando, dessa forma, a melhoria das aprendizagens e resultados. Contudo, isso não é suficiente para que os professores a desejem e aceitem”.

E agora pergunto eu, qual o grupo profissional em que todos os seus elementos atingem o topo da carreira automaticamente, independentemente do desempenho, sem qualquer avaliação ?
Será isto aceitável?

Himens inteiros


Algures, no centro da Europa civilizada discutem-se bizarrias como a de saber se o Estado deve financiar integralmente himenoplastias, cada vez mais solicitadas por jovens mulheres muçulmanas, algumas adolescentes, sob pena de serem assassinadas por razões de honra. Muitos hospitais europeus vêem-se agora confrontados com um aumento progressivo destes pedidos, o que significa uma falha absoluta da lei e do estado de Direito para defender direitos humanos básicos dentro das nossas fronteiras.
A utilização de himenoplastia, embora defenda algumas mulheres da morte certa, é uma espécie de aceitação fatalista da nossa incapacidade de defender as pessoas face ao fundamentalismo religioso. E mais, acaba por ser o reforço ideológico de uma visão perversa da mulher, distorcida por valores religiosos.
Mais bizarra ainda é a atitude ideológica de certos sectores políticos da direita.
Como escreve a anna, perante a ameaça de um conflito civilizacional, em que um Ocidente laico se confronta com um Islão fanático, certa direita pretende defender os valores matriciais europeus usando outras formas de fundamentalismo religioso, que mais não é que outra face da mesma moeda.
Os princípios basilares desta Europa, a visão matricial que nos torna diferentes da cultura islâmica é precisamente a radical laicidade do Estado e a defesa incondicional dos direitos do homem. SE abdicarmos destes valores, nada mais nos resta que fazer himenoplastias às escondidas. E aceitar Burkas e tchadores nas nossas ruas, ou mesmo nas nossas igrejas. Veja-se o que se passa actualmente com a extrema direita católica em Espanha.