quarta-feira, janeiro 24, 2007

Robots-enfermeiros

"União Europeia
Projecto pode criar robots-enfermeiros

O projecto IWARD, financiado pela União Europeia, está a criar robots-enfermeiros que poderão ser uma ajuda preciosa para os Hospitais.
Os robots poderão aliviar carga de trabalho aos enfermeiros O IWARD tem em vista o desenvolvimento de três robots que realizarão as tarefas normalmente executadas por enfermeiros como medir a temperatura ou a pressão sanguínea.
Espera-se que, uma vez em funcionamento, estes robots inteligentes sejam capazes de efectuar ainda outras actividades como fazer limpezas ou mesmo atender pacientes de forma remota.
Acredita-se que dessa forma os enfermeiros ficarão com uma carga de trabalho menor que poderá ser aproveitada para passar mais tempo com os pacientes.
Cada robot-enfermeiro será concebido com uma plataforma comum e uma série de sensores que permitam a programação para diferentes tarefas.

A manter-se o actual quadro legal, podemos confiar na discricionariedade e competência dos juízes no sentido da não condenação de mulheres?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Vê-se bem que Marcelo Rebelo de Sousa é PROFESSOR DE DIREITO: até para compreender o voto dele é preciso um MANUAL.

Não percebe o que Marcelo Rebelo de Sousa anda por aí a dizer sobre este referendo? Deixe lá, o resto da humanidade também não.

sexta-feira, janeiro 19, 2007



Uma questão de confiança



«Fala-se e sugere-se que as mulheres decidirão abortar por questões fúteis, por dá cá aquela palha. A construção do género, construção social que se vai fazendo desde o nascimento e que define identidades, comportamentos e papéis sociais, há muito que decretou que as mulheres não são de fiar. Houve tempos em que nem se podia ouvir o seu testemunho em tribunais, as juristas, formadas em faculdades portuguesas, não podiam defender casos em tribunal e seguiu-se, já no regime de Salazar, a proibição da sua entrada na carreira de juízes.

Estas condicionantes históricas mais óbvias, somadas a outras ainda anteriores, foram formando uma representação do feminino que lhe tira dignidade e o respeito do outro. Assim se constroem estereótipos, que só eles explicam a continuada atitude da crença na irresponsabilidade das mulheres. Sendo fúteis, incapazes de decidir com racionalidade, inseguras, frágeis, emocionais e medrosas, a sua decisão não é credível, alguém deverá decidir por elas: por isso se criaram as comissões de ética em vários estabelecimentos de saúde que decidiam se as mulheres podiam ou não abortar, mesmo que a sua interrupção de gravidez fosse legal. [...]

Foi Adão e Silva que muito recentemente disse que, quando o Homem não decide, deixa de ser um cidadão e passa a ser um servo. Será que isso se aplica às mulheres? Quem deverá decidir então? »

Madalena Barbosa, Público, 04-01-2007
SE eu morrer antes do dia 11, não quero missinhas, tá?

Por uma questão de solidariedade para com todos os católicos que morrerem depois desse dia e vão votar SIM.
Ah... e para que conste, não vou comprar outro telemóvel no dia 12 de fevereiro.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

"Nunca dissemos que não havia julgamentos. Digo e repito que os houve e os deve haver."

Escreve a mafalda do blogue do não em nome do dito.

Acredito piamente que seja essa a intenção deles.

Ainda assim, é bom que finalmente o assumam publicamente


"

sábado, janeiro 13, 2007

Vale a pena visitar esta Torre dos cães.
“Com a penalização do aborto, não se pretende agravar os problemas das mulheres. Pelo contrário, deseja-se evitar-lhes problemas futuros de que elas não têm consciência.”

Coitadinhas das mulheres, essas criaturinhas indefesas e inconscientes, que precisam antes de mais de ser protegidas delas próprias e das decisões que possam tomar, se preciso for com penas de prisão preventivas para evitar eventuais síndromes pós-aborto.

Agora com licença que vou ali vomitar. Ler destas coisas deixa-me nauseada.
Devo estar grávida.

sábado, janeiro 06, 2007

Desvarios

Até os díaconos remédios que vão usar os púlpitos das Igrejas a fazer campanha pelo Não à despenalização afirmam despudoradamente que
Nós não queremos que as mulheres sejam penalizadas

E um bocadinho da mais elementar vergonha na cara, não há?

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Outro a favor da despenalização

O João Gonçalves, no blogue do não, defende a legislação espanhola sobre o aborto e a equiparação da actual lei portuguesa á lei espanhola nestas matérias – ou seja, defende
a despenalização da IVG até ás doze semanas, sem necessidade de referendo!

Depois, a alínea a) do número 1 do art.º 142º é o que se pode chamar uma "claúsula aberta", tão aberta que serve perfeitamente em Espanha, não se entendendo - eu não entendo - por que é que não serve cá(…). Dar-se-á o caso de as mulheres espanholas serem mais "oprimidas" do que as mulheres portuguesas nesta matéria? Não consta que, em Espanha, se queixem. Pelo contrário.

As prioridades do SNS passam por coisas bem diferentes do que o aborto, nomeadamente por criar as condições para que as normas que registei acima sejam aplicadas, sem complexos, sempre que seja necessário. Não é preciso mais nada”

Ao que parece, nem os do blogue do Não vão votar Não.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Os Pobrezinhos

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis"

António Lobo Antunes, Crónicaspágs. 119 a 121 (1ªedição)
È oficial – a campanha do não assentou arraiais nas igrejas e sacristias.
Vai ser um ver se te avias nas 10 semanas mais próximas…(como aliás foi nestas últimas, na aflitiva tentativa de conseguir assinaturas á saída das missas ou nos corredores de sacristias...)
Nem falo de financiamentos bancários de cariz religioso.
Toda esta Cruzada em tom excessivo e um pouco histérico é interessante. Um pequeno senão… nem todos os comungantes serão indefectíveis defensores da prisão de mulheres… E, os convencidos á partida da bondade da penalização, esses não precisam de missa pra irem votar…

Não é por acaso que o paulo portas ( esse católicíssimo animal político) vai discutir a presidência do PP só depois do referendo… Sinais.