terça-feira, março 31, 2009
Pela vida, contra a ignorância e o preconceito
Pela Vida
"Dito isto, subscrevo no entanto as palavras na Mensagem de Quaresma de D. Ilído Leandro, Bispo de Viseu, «…, quando a pessoa infectada não prescinde das relações e induz o(a) parceiro(a) (conhecedor ou não da doença) à relação, há obrigação moral de se prevenir e de não provocar a doença na outra pessoa. Aqui, o preservativo não somente é aconselhável como poderá ser eticamente obrigatório.»D. Ilídio começa por apoiar o Santo Padre explicando-nos «O Papa, quando fala da SIDA/AIDS ou de outros aspectos da vida humana, não pode fazer doutrina para situações individuais e casos concretos.» […] . Será falta de hábito e de cultura da exigência e da honestidade, numa sociedade tão relativa, tão mínima e tão pouca ambiciosa e coerente na defesa das pessoas e dos seus valores? Será tão fácil o escândalo farisaico de quem não sabe interpretar as diferenças entre valores e princípios gerais, por um lado e situações concretas e pessoais, por outro?»
«Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» (Mc 12,31)«Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo Meu nome.» (Act 9, 16)"
Um Bispo a Favor da Vida
Pela Vida, Contra a Ignorância e o Preconceito
Caro Pe. Nuno,
No seu amor à Igreja e ao Senhor, toldado, neste caso, pela paixão exacerbada, incorre no gravíssimo erro de compartilhar as ideias do relativismo e dos maçons ao pretender remeter o papel da Igreja ao seu foro íntimo, quando escreve “a Igreja não tem que dizer-lhes que não usem o preservativo, mas não pode de modo nenhum aconselhá-las a que o usem”.
NÃO, a Igreja tem a obrigação e o dever de se envolver em tudo que à vida dos cristãos diz respeito.
Erra, ofende e não pratica a virtude cristã da caridade, quando reduz todos os seropositivos aos homossexuais e aos promíscuos; pergunto-lhe aonde coloca aqueles, e que são bastantes, que se infectaram pela via sanguínea?
Aonde coloca aqueles, infelizmente mais frequente serem aquelas, que casados são infectados devido à infidelidade do conjugue? "
Silêncios
"Na igreja de Yamaguchi, no alto da colina, assistia à missa uma simpática anciã que jamais faltava aos domingos, com seu kimomo à moda antiga. Transpirando no verão e protegendo o pescoço no inverno, subia, em passitos curtos, a encosta para que chegasse sempre antes do início da missa. No fim, sempre alguém lhe oferecia boleia para descer, mas ela sempre recusava. Um dia explicou-nos porquê. “Prefiro descer pela encosta da colina que vai dar ao jardim do templo budista. Ali, a meio caminho, sento-me e respiro fundo à sombra das árvores. Ali, entre a paz e o silêncio daquelas árvores centenárias, é que verdadeiramente se encontra a Deus...”. “E – acrescentou logo de seguida– “libertamo-nos do cansaço da missa e do sermão...”. Perante o nosso desconcerto, concluiu: “É que na missa, –vocês bem o sabem– há tantas palavras seguidas... são tantas as palavras...!” "O equivalente japonês do termo latino lente festina, [«apressa-te devagar»], diz-se de modo parecido: “se tens pressa, vai dar uma volta”. Em castelhano, dizemos: “vísteme despacio, que tengo prisa” ou “no hay atajo sin trabajo”. Na tradição do artesanato japonês fala-se de “atitude de artesão” como de um estilo e modo de trabalhar próprio de quem põe nisso toda a sua alma, gastando tempo em cada detalhe da sua obra, produzindo cada objecto como se fora exemplar único... Recordo a conversa com um jardineiro de uma vila de recreio imperial no norte do Japão. “Vê estes pinheiros todos retorcidos?”, dizia-me ele. “A sua mais bela imagem é a que oferecem quando se vergam, sem quebrar-se, ao peso da neve”. “Não precisam de estacas?”, perguntei-lhe. Explicou-me: “Custou muito esforço e muitos anos até se conseguir uma curvatura como a deste ramo. Desde que o pinheiro começou a crescer, foram podando-o com habilidade. Se o ramo está comprido demais, cairá ao peso da neve; se ficar muito curto, não produzirá um efeito tão belo”. Diante do meu espanto mudo, o jardineiro ria-se e repetia-me: “É tudo uma questão de fazê-lo devagar, senhor; dar tempo ao tempo e... muita paciência”.Não se acelera o crescimento duma planta puxando-a com força para cima: assim, só conseguiríamos arrancá-la e desenraizá-la.
Todo o organismo vivo tem seu ritmo. O espírito do taoismo só tem que se sintonizar com o Tao, caminho que a tudo orienta. “Deixa que tudo siga o seu curso natural”. Estamos convidados, assim, a abandonar o nosso egocentrismo, a viver em comunhão com a natureza e a descobrir o Caminho no prosaico e no quotidiano, enquanto caminhamos... lentamente.
Para a atitude ocidental da pressa e da aceleração é dificilmente aceitável o convite taoista ao «não-actuar». Provoca rejeição, pois parece que se trata de não fazer nada e deixar-se de braços cruzados. Mas não é. Pelo contrário, trata-se de nos conscientizarmos do muito que se pode fazer deixando que isso se faça por si, deixando estar as coisas aí e deixando passar os acontecimentos. Sobretudo, deixando que as pessoas sejam..."
in, Caminos Sapientiales de Oriente, por Juan Masiá Clavel, SJ, Ed. Desclée De Brouwer, 2002.
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Delírios místicos
A religião é o ópio do povo
O meu blogue tem sido alvo de alguns destes doentes, comentadores compulsivos com todo o tipo de delírios, que tenho de apagar.
É verdade que a crise aumenta a incidência de algumas patologias, mas parece-me óbvio que os refúgios no misticismo não resolvem a psicopatologia de base, antes a agravam.
Curiosos são os estudos em que se observa uma relação estatisticamente significativa entre a pertença a uma determinada confissão religiosa e certos quadros psiquiátricos. Os católicos aparecem claramente em desvantagem face a outras religiões.
Pela vida,contra a ignorância e o preconceito
Pela vida contra a Ignorância e o preconceito
"Não sabem uns dos outros e ainda guardam a doença como um segredo. Eram 137, hoje são 37. Seis são mulheres infectadas pelos maridos.
“Falecimento: A Associação Portuguesa de Hemofílicos (APH) regista e lamenta uma vez mais a perda de duas pessoas muito especiais.” O anúncio não é inabitual no boletim trimestral da APH e João (nome fictício), 55 anos, nunca sabe se foi mais um caso como o seu - o de um hemofílico contaminado com VIH, entre 1985 e 1987, numa das ocasiões em que recebeu um derivado sanguíneo (factor VIII) num hospital público.(...)A conta de subtracção dos que foram morrendo não vem com nomes e a contabilidade só é tornada pública de vez em quando, muitas vezes quando Maria de Lourdes Fonseca, vice-presidente da APH, é contactada por órgãos de comunicação social. A hemofilia é uma doença hereditária transmitida pela mãe portadora para filhos rapazes que se traduz pela falta de derivados responsáveis pela coagulação do sangue, o que está na origem de hemorragias internas.Foram 137 os hemofílicos contaminados com o vírus VIH: em 1994 tinham morrido 23, em 2005 metade, hoje sobrevivem apenas 37. (....) A vice-presidente da APH conhece--lhes as histórias: dois irmãos, de dez e 11 anos, e outros dois irmãos que apenas foram fazer uma vez tratamento e ficaram infectados já morreram. E há mortes com outras causas. João sabe de uma que não o abandona, o de um infectado que se suicidou, e imagina que deve ter havido mais - basta pensar no seu próprio isolamento, na sua revolta. Ainda lhe chegou a dizer, quando o via com maus pensamentos: “Não sejas parvo, enquanto cá andas vês os passarinhos.”’Se fosse possível dissecar uma a uma as causas da sua angústia, escolheria a culpa de ter passado o vírus à mulher, “sem saber”. (...) Depois veio a confirmação da mulher e o medo de que o filho também tivesse sido contaminado durante a gravidez. Dos 37 sobreviventes, seis são mulheres infectadas pelos maridos."
Catarina Gomes/Público - 01.02.2009