sexta-feira, junho 10, 2011

Virtudes públicas

Parece que Ana Gomes tem razão

Há cargos públicos  de grande pressão internacional que exigem probidade e não se compadecem com rabos-de-palha.

quarta-feira, junho 08, 2011

"Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura."

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida.
Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.
(...) "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvajaria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade largal aos grandes espaços da matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica-me sendo a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.

Livro do Desassossego

Fernando Pessoa
Composto por Bernardo Soares,

Ajudante de Guarda-livros na cidade de Lisboa

terça-feira, junho 07, 2011

O aviso

De Ana Gomes

A barreira invisível

Não são apenas filmes de culto. Há filmes ( como há livros ou poemas) que se entrelaçam com a nossa vida por uma paradoxal convergência de momentos com sentido.

Vi (vivi) o filme barreira invisível horas antes de entrar em trabalho de parto. Se há filmes impróprios para futuras mães é este filme de Terrence Malick . Nem sequer é um filme de guerra ou sobre a guerra, é um filme sobre a humanidade na sua mais brutal nudez e desesperança. Revivi-me muito deste filme ( uma jovem mulher prestes a parir dentro das imagens sangrentas) ao ouvir a entrevista da mãe de Rui Pedro.
O que fizeram com esta criança, com esta mãe e com esta família não tem perdão.
A negligência da investigação, as barreiras invisíveis.

segunda-feira, junho 06, 2011

Referia-me ao Coelho

Impreparado, populista. A Governar Portugal no auge da maior crise económica dos últimos cem anos.
Tenho pena do rapaz de Massamá.
Mas tenho ainda mais pena dos portugueses.

(Previsões para os Tempos mais próximos.
1 - Cavaco toma posse àmanhã e vai governar seguindo o guião da Troika.
2 - Tózé Seguro como líder de transição para "estabelecer pontes" com o novo plano de privatização de Portugal.
3 - Governo cai de podre ( e de incompetência) nos próximos dois anos. Os riscos de bancarrota e caos social são agora uma quase inevitabilidade.
4 - António Costa vai ser PM antes de 2014.
5 - Sócrates voltará como salvador da pátria)

quinta-feira, junho 02, 2011

Coelhismo explicado aos pequeninos


Na hora em que a extrema direita em Portugal saliva com a oportunidade de "ir ao pote",  o ódio contra o Primeiro Minstro transformado  numa  espécie de "vendeta" ad hominem  avança por aí. Nada de novo - a raiva  personalizada, mais do que ideias para o país ou projectos consistentes é o que tem agitado o meio político parlamentar nos últimos dois anos. De uma forma quase paranóide e persecutória.
Mas este estilo politiqueiro  rasco diz muito da mediocridade crónica das hostes laranja, que pode eleger, finalmente,  o seu produto mais óbvio - um boy da jota, produto directo do cavaquismo, que toda a vida adulta viveu à sombra do proteccionismo partidário, desde as oportunidades de emprego ( patrocinadas por padrinhos barões laranja e empresas partidárias),  até ao curso superior tirado muito tardiamente e  numa universidade privada reduto do partido.

Sejam quais forem os resultados eleitorais, há uma curta  nota prévia que convém assinalar .
Numa das mais graves crises económicas mundiais dos últimos 80 anos, há a possibilidade de ser eleito  um primeiro ministro cujo currículo político ou profissional se caracteriza pela nulidade e mediocridade. ( Só para avaliar o seu grau, os mesmos correlegionários  que agora o aplaudem,  a babujar expectativas de tacho, são os mesmos que há dois anos acharam que Coelho não tinha sequer perfil para ser deputado e por isso o afastaram das listas eleitorais).
A incapacidade é tão notória que assumem desde já, mesmo antes de começarem de  governar, a impossibilidade de cumprir os acordos que assinaram há umas semanas.
O que se avizinha para Portugal é por isso muito próximo da catástrofe. Não que isso afecte gravemente as elites que já veem na crise uma oportunidade de oiro para estabelecer em definitivo um modelo económico de ruptura, ou seja, o neoliberalismo económico sem qualquer regulação e o fim do estado social. È este o programa político do Coelho e sua comandita e é para isso que ele vai ser colocado no poder, como pequena marionetta loira.