Para algumas mulheres o casamento, 'inda que abençoado por deus e destinado ao sagrado dever da procriação, pode ser uma espécie de prostíbulo.
O texto da anna "fecha-te sésamo" é tristíssimo - a antítese das mil-e-uma-noites.
sábado, fevereiro 26, 2011
Rad Trads
O diálogo e a conversão do integrismo católico mais radical tem sido uma preocupação de Bento XVI.
A abertura à reintegração dos excomungados lefebvrianos, foi o ponto de partida. È certo que o diálogo com fundamentalistas é sempre difícil e moroso.
Mas as discussões "doutrinárias " com a FSPX assentam numa base irredutível, conforme explica o La Croix:
" L’objectif de Rome est de ramener une partie des intégristes au sein de l’Église, tout en restant ferme sur le caractère non négociable de Vatican II."
" L’objectif de Rome est de ramener une partie des intégristes au sein de l’Église, tout en restant ferme sur le caractère non négociable de Vatican II."
Em França, devido à presença de uma extrema-direita bastante combativa, as tensões com os integristas católicos levaram no ano passado a uma reunião do presidente da Conferência Episcopal Francesa com o papa:
"C’est dans ce contexte que, lundi 18 janvier, la présidence de l’épiscopat français a été reçue en tête-à-tête trente minutes par Benoît XVI. Étaient présents son président, le cardinal André Vingt-Trois, archevêque de Paris, son vice-président, Mgr Hippolyte Simon, archevêque de Clermont (1) et son secrétaire général, Mgr Antoine Hérouard.
Un rendez-vous traditionnel – il a lieu après chaque assemblée plénière, mais qui a permis cette fois d’évoquer une année marquée par une série de crises qui ont secoué l’Église. Benoît XVI a été attentif, manifestant une réelle connaissance des dossiers. Les suites de la levée des excommunications furent bien évidemment abordées. Les évêques français regrettent aujourd’hui de n’en avoir été informés que fortuitement. « Prévenus à l’avance, nous aurions pu préparer le terrain » affirment-ils aujourd’hui.
Si les demandes de célébrations en rite extraordinaire (préconciliaire), autorisé par le motu proprio Summorum pontificum n’ont pas explosé, des groupes utilisent néanmoins ce texte, pratiquant la surenchère systématique et agressive, avec des moyens militants, en se réclamant du pape. Les évêques, donnant les exemples des diocèses de Strasbourg et Versailles, particulièrement touchés, s’en sont ouvert lundi 18 à Benoît XVI. « S’il ne s’agit que de petits groupes isolés à ramener au bercail, il faut les traiter avec respect, disent-ils. Mais s’ils cherchent à faire du prosélytisme au détriment du rite de Paul VI, c’est différent. » Un cardinal de curie français a ainsi été malmené publiquement par de jeunes intégristes, à Bordeaux et à Lyon. Au fond, note un évêque, « l’attitude de ces groupes relève d’un relativisme moderne : ils choisissent l’autorité à laquelle ils se soumettent, se réclamant du pape, qui est loin, au détriment des évêques, qui sont proches ». Pourtant, les évêques sont nommés par le pape et sont en communion avec lui. La démarche des groupes contestataires s’enracine, selon les évêques, dans un terreau idéologique et politique proche du maurassisme. Mais « Maurras est peu connu au Vatican… »
Benoît XVI l’a redit aux évêques : il n’existe qu’un seul rite, romain, avec deux formes, ordinaire et extraordinaire. Son motu proprio ne concerne a priori qu’un petit nombre de personnes, familières du latin, troublées par le passage rapide au rite de Paul VI. Pour Benoît XVI, l’unité de l’Église passe par la reconnaissance de la richesse de son patrimoine liturgique, avant et après Vatican II, dans une continuité à laquelle il est très attaché.Mais, avec ces groupes militants, les évêques français se trouvent face à la revendication d’une nouvelle liturgie. Ils rappellent que le pape célèbre lui-même tous les jours, en communion avec les évêques du monde entier, selon le rite de Paul VI. Et que dans ces affaires, c’est l’autorité de l’évêque, gardien de la liturgie dans son diocèse – qui se trouve défiée."
Um ano passado, a pressão agressiva do integrismo católico contra o Concílio Vaticano II tendo como pretexto a Missa tridentina, tem tido amplo eco no Vaticano. Convém ter este contexto para compreender a necessidade sentida por Bento XVI para "eslarecer" em definitivo as condições de celebração da missa segundo o rito extraordinário. Para os fundamentalistas católicos a "liberalização" da forma tridentina seria um direito sem limites, sem quaisquer orientações pastorais ou necessidade de autorização do seu Bispo. Aliás, o objectivo (completamente lunático) destes grupelhos é a abolição do rito ordinário, considerado sacrílego.
Ora o entendimento do Papa está nos antípodas deste desvario. E um documento formal do Vaticano irá brevemente colocar um ponto final nessas pretensões absurdas.
Claro que isto está a gerar alguma histeria antecipatória nos aficcionados integristas do costume.Adivinham-se rezas e flagelações.
terça-feira, fevereiro 22, 2011
os novos do restelo - a geração mimada
Ontem, na TVI, três elementos da geração rasca tiveram oportunidade de questionar o sapiente Marcelo Rebelo de Sousa com perguntas pretensamente inteligentes.
Atenção que os jovens são todos da mesma linha - liceu francês e tal, betinhos atè à quinta casa, quiçà monárquicos, cursos clássicos e tal, portanto os representantes de uma certa "casta" que daqui a uns anitos pode governar este país.
E que é que os marmanjos perguntam ao oráculo do regime? Questões políticas? Causas universais? Preocupações com o país? Angústias ambientais? Qualquer coisita que tenha um laivo de ideologia, de preocupação pelo outro ou de simples sonho comunitário?
Nada disso - os dois primeiros falaram apenas preocupação com os respectivos tachos - como se isso fosse uma preocupação universal. A primeira, caloira em direito quer limitar a entrada no curso aos futuros aloiros ( agora que já está na faculdade, quantos menos entrarem menos competição terá no mercado de trabalho). O betinho do colégio francês que até vai estudar no estrangeiro (noblesse oblige) aflige-se por não ter um tacho à medida quando voltar. E aqui se esgotam a pobres cabecinhas...
O umbiguismo narcísico das tais elites formadas pretensamente para servir a comunidade.
A terceira rapariga quiz questionar o oráculo sobre a indiferença dos jovens para com a política.
Marcelo falhou no alvo. Deveria ter respondido o óbvio - os jovens desinteressam-se pela política porque a coisa pública não tem sentido para eles. Os outros, o grupo, a comunidade, a amizade a solidariedade, são coisas inúteis.Tudo se resume aos seus pequeninos interesses e satisfação dos seus caprichos.Uma geração mimada. Uma geração falhada. São estes gajos que irão legislar a eutanásia, não tenho a menor dúvida.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Recado para os deolindos
O limiar entre a corriqueira maleita e a doença muito grave é ténue, tão ténue que é um verdadeiro milagre andarmos por aqui. Qualquer gajo que acabe um turno de 16 horas nas urgências sabe isto. No resto do tempo, esforça-se para o esquecer.
Milagre é estarmos vivos, o resto são minudências.
Milagre é estarmos vivos, o resto são minudências.
da vida das pessoas
Ricardino mantém o riso de criança.
È raro mas acontece, alguns velhos conservam até ao fim da mais extrema ausência toda a frescura de um recém-nascido.
São felizes com o periquito matinal, riem descarados face a um limoeiro, espantam-se com as miudezas dos dias.
Nenhuma sombra, nenhum rancor, nenhuma agridoçura.
Quando compoem a boina sobre os cabelos vagos fazem-no precisamente com os mesmos gestos de quando tinham seis anos, um misto de garridice desajeitada e medo do frio - sim minha mãe, já puz a boina.
Tenho este defeito - gosto dos velhos.
È raro mas acontece, alguns velhos conservam até ao fim da mais extrema ausência toda a frescura de um recém-nascido.
São felizes com o periquito matinal, riem descarados face a um limoeiro, espantam-se com as miudezas dos dias.
Nenhuma sombra, nenhum rancor, nenhuma agridoçura.
Quando compoem a boina sobre os cabelos vagos fazem-no precisamente com os mesmos gestos de quando tinham seis anos, um misto de garridice desajeitada e medo do frio - sim minha mãe, já puz a boina.
Tenho este defeito - gosto dos velhos.
domingo, fevereiro 20, 2011
terça-feira, fevereiro 15, 2011
O piano
A irmã cecília tinha olhos azuis e o rosto avermelhado das ruivas delicadas.
Em boa verdade não tenho a certeza se era ruiva - o tchador religioso tapava-lhe completamente a côr dos cabelos.
As aulas de piano eram como ela, muito lentas, absorventes, avermelhadas de alguma impaciência, solfejos e peças a quatro mãos, o ribombar do piano na sala de música que ficava no último andar (donde se via o rio e algumas aves pálidas), o marfim da carne das teclas, a irmã cecília a sorrir sozinha de olhos fechados enquanto acompanhava a música sem olhar a pauta, o tchador a oscilar sem que uma única madeixa espreitasse a luz (eu estava convencida de que era careca e que usava o véu por vergonha ),
Um dia explicou-me que não se chamava mesmo cecília mas um outro nome qualquer - quando se tornou freira escolheu o nome cecília por ser a santa padroeira dos músicos, que morreu a cantar.
Parecia-me muito triste ter um nome de alguém que morreu a cantar, mas desde então fiquei convencida que santa cecília tem olhos azuis, o rosto avermelhado das professoras de piano, uma doçura muito leve na forma de solfejar pautas e uma luminosa careca celestial.
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