sexta-feira, abril 30, 2010

Fishiela em alta

Rino Fisichella, amigo pessoal e colaborador muito próximo de Bento XVI vai presidir a um novo dicastério especialmente criado pelo Papa - Conselho Pontifício para a Nova Evangelização.
Trata-se de um cargo prestigiado e de grande influência, e constitui o reconhecimento público, por parte do actual papa, do trabalho desenvolvido por Fisichella á frente da Academia Pontificia para a Vida, onde tomou posições públicas corajosas contra a pena de excomunhão devido a um aborto terapêutico que salvou a vida de uma menina brasileira de nove anos.
 Recorde-se que depois da sua intervenção, o Bispo de Recife, desautorizado pelo vaticano,  foi forçado a renunciar e substituído por um outro que nada tem a ver com o integrismo católico. Além disso, o vaticano apressou-se formalmente a declarar que neste processo ninguém foi excomungado.
Esta escolha de Bento XVI diz-se nos corredores do vaticano, destina-se a dar uma novo sentido, mais progressista,  à nova evengelização, até agora entregue a tendências reaccionárias.
Como Fishiela será brevemente nomeado o mais jovem cardeal italiano.

a mãe

havia uma mulher que vomitava na sanita e comia o próprio vómito, compulsivamente.
acreditava que só assim os alimentos estariam purificados.
 às vezes chorava em silêncio durante a noite,  uma figura desvanecida, só pele e osso, alimentada por tubos e sondas.
morreu durante o sono, como se a noite, essa terna mãe, a tivesse finalmente encontrado
e lhe limpado definitivamente todas as lágrimas.

das noites

Havia uma mulher que gritava toda a noite. Os gritos ecoavam no pátio e faziam ricochete no silêncio aflito dos corredores, era um uivo de animal ferido, sem espaços de soluços, sem explicação fisiológica, urros apenas, até a medicação fazer efeito.

Depois, em algumas noites beatíficas, os urros davem lugar a sorrisos orgásticos.

la revolución ignorada

"Los cristianos no hemos sido capaces todavía de extraer todas las consecuencias que encierra la actuación liberadora de Jesús frente a la opresión de la mujer. Desde una Iglesia dirigida e inspirada mayoritariamente por varones, no acertamos a tomar conciencia de todas las injusticias que sigue padeciendo la mujer en todos los ámbitos de la vida. Algún teólogo hablaba hace unos años de "la revolución ignorada" por el cristianismo.Lo cierto es que, veinte siglos después, en los países de raíces supuestamente cristianas, seguimos viviendo en una sociedad donde con frecuencia la mujer no puede moverse libremente sin temer al varón. La violación, el maltrato y la humillación no son algo imaginario. Al contrario, constituyen una de las violencias más arraigadas y que más sufrimiento genera.
¿No ha de tener el sufrimiento de la mujer un eco más vivo y concreto en nuestras celebraciones, y un lugar más importante en nuestra labor de concienciación social? Pero, sobre todo, ¿no hemos de estar más cerca de toda mujer oprimida para denunciar abusos, proporcionar defensa inteligente y protección eficaz? "
José Antonio Pagola

quinta-feira, abril 29, 2010

A inevitabilidade do futuro.

Os teólogos Carreira das Neves e Anselmo Borges defenderam hoje a realização de um concílio ou assembleia magna da Igreja para discutir algumas das polémicas atuais da instituição, desde a ordenação de mulheres ao celibato dos padres.
Comentando a recente carta do teólogo suíço Hans Kung aos bispos de todo o mundo, onde era feito um apelo à realização de um concílio, os dois sacerdotes portugueses consideram que esta é uma matéria que deve ser ponderada pela hierarquia.
«Não um novo concílio, mas uma assembleia sobretudo para as questões dos ministérios. O Vaticano II teve medo de abrir o dossiê dos ministérios, do sacerdócio aos homens casados e às mulheres», disse à Lusa o padre Carreira das Neves.

Tradicionalismo católico e extrema direita

"En règle générale, tous les fondamentalismes religieux, comme les sectes d’ailleurs, prônent les mêmes préceptes : retour à l’origine première des textes dogmatiques, repli communautaire, coupure nette ou limitation extrême des relations avec l’extérieur, construction d’une vision mythifiée pour expliquer la création du monde, mise à l’index des théories scientifiques sur l’origine de l’homme, proclamation de l’opposition radicale à la séparation des pouvoirs politique et religieux… Des procédés fort proches de ceux de l’extrême droite.
Rejetant la modernisation de l’Eglise (enclenchée depuis Vatican II), les intégristes chrétiens sont nombreux dans les rangs du nationalisme d’ultradroite. Ces fous de Dieu ont même souvent été les pivots centraux de partis néofascistes. A la direction du Front national français, comme dans celle du Vlaams Blok/Belang ou celle du FN belge, siègent des intégristes patentés. Des élus frontistes comme blokkers défendent eux aussi, dans les parlements démocratiques, les valeurs de l’ordre moral visant à sauver l’Occident chrétien d’unanéantissement programmé par le « lobby cosmopolite », c’est-à-dire les Juifs, leurs pires ennemis."

Tridentinos nazis

A TF1, televisão francesa tem um programa de jornalismo de investigação. O tema desta semana, depois de dois anos de pesquisa, foi a realidade dos movimento integristas católicos tridentinos em França.
Um grupo de extrema direita,  Dies Irae, composto por militantes simpatizantes do franquismo, tem como lema "político" o regresso às raízes cristãs da França e Europa. A investigação, conduzida por dois jornalistas infiltrados (o programa chama-se precisamente les infiltrés) conduziu a ligações com movimentos católicos integristas tridentinos, nomeadamenteo  Instituto do Bom  Pastor da zona. A escola local avolhe 85 estudantes de 3 a 15 anos. O esquema educativo inclui cantos antisemitas, revisionismo histórico e formação para a Jihad católica.

O programa integral pode ser visionado aqui.

Informações detalhadas sobre estes grupos tridentinos de extrema direita podem ser consultados aqui.

Miriam 4

Há aqui qualquer coisa de mistério neste fé cega que busca a cura. Não é o rabi que a toca, é uma mulher que o toca. o evangelho diz que jesus sente o toque e pára perplexo, pois tinha sentido uma energia saír de si, como se a mulher o tivesse sugado, ou bebido qualquer coisa de si mesmo, é um relato quase mágico, como se não houvesse outra forma de descrever o que ocorreu.
o epílogo é estranho - primeiro a mulher sabe-se ( sente-se ) curada e só depois, ele próprio surpreendido se volta para ela - quem me tocou?
como se a cura , a permanente dádiva , não dependesse  da sua vontade humana, sem sequer de uma qualquer natureza divina, mas simplesmente da obstinada fé de uma mulher a esvaír-se em sangue.

quarta-feira, abril 28, 2010

Miriam 4

A mulher rasteja entre a multidão, uns trapos molhados entre as pernas, a roupa tresanda , coágulos secos na parte de trás do vestido, mas no meio da multidão os cheiros confundem-se entre o suor e o pó e ela tenta passar despercebida,
são muitos os que a separam dele, acotovelam-se, empurram-na, se ao menos lhe tocar na fímbria do manto, a mulher esgueira-se, rasteja, rasga espaço entre a muralha de mãos e pernas e cheiros podres, não é sequer uma mulher, é um útero sangrante, tem dor, uma dor antiga,  sinal de opróbio de um pecado escondido, a impura, não lhe permitem sequer que prepare os alimentos, o homem rechaçou-a, não pode tocar-lhe, os filhos enjoam-se dela, não lhe é permitido ir à fonte buscar água, a impura, a contaminada de uma sanguinolenta lepra, se ao menos lhe tocar na fímbria do manto.
a dor é tão grande, o sentido de abandono tal, que nem sequer ousa pedir-lhe ajuda face a face , limita-se a querer tocá-los às escondidas, pois ela sabe absurdamente, com uma convicção aflitiva, que será curada.

Miriam 4

a mulher tinha hemorragias uterinas permanentes,
foi há dois mil anos, não havia pensos, nem tampões, nem banhos, nem sabonetes, nem roupas fáceis de limpar.
uma mulher permanentemente menstruada era a mais repugnante aberração para qualquer judeu.
nada havia de mais obsceno e mais impuro que uma fêmea a regurgitar coágulos e a cheirar a sangue apodrecido vindo das suas entranhas.
as mulheres há dois mil anos menstruvam muito pouco, - durante todo o ciclo da sua vida reprodutiva, a maior parte do tempo ou estavam grávidas ou estavam a amamentar.