terça-feira, março 30, 2010

Pura poesia - para o infinito e mais além

Hoje o grande acelerador de partículas do CERN iniciou às 12:00 (hora de Lisboa) as colisões entre feixes de protões, as primeiras criadas pelo homem . 
(colisão de feixes de protões a 20 milhões de vezes por segundo e a uma energia de sete Tev, o equivalente a 280 mil milhões de baterias de carro).
Foi um grande passo da Física, que permitirá descobrir novas partículas , nomeadamente o bóson de Higgs.
A primeira experiência foi coroada de êxito e, ao contrário do medo dos lunáticos do costume, o mundo não implodiu num buraco negro.

Um ser quimérico

"O tédio de um guarda
de latrinas.
Aquele banco,
olhos sem dádiva:
térmita despida de asas,
luz de caverna,
temente de ser devorada
por inimigo implacável
( a formiga destruidora)
Bom é ouvir
àgua
e no prato
compassivas moedas."

Ant'onio Osório, Luz Fraterna,Assírio&Alvim

Poesia contra o lixo

As mulheres têm uma assombrada roseira
fria espalhada no ventre.
Uma quente roseira às vezes, uma planta
de treva.
Ela sobe dos pés e atravessa
a carne quebrada.
Nasce dos pés, ou da vulva, ou do ânus -
e mistura-se nas águas,
no sonho da cabeça.
As mulheres pensam como uma impensada roseira
que pensa rosas.
Pensam de espinho para espinho,
param de nó em nó.
As mulheres dão folhas, recebem
um orvalho inocente.
Depois sua boca abre-se.
Verão, outono, a onda dolorosa e ardente
das semanas,
passam por cima.
As mulheres cantam
na sua alegria terrena.
Que coisa verdadeira cantam?
Elas cantam.
São fechadas e doces, mudam
de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,
os dias rutilantes, a graça.
Com lágrimas, sangue, antigas subtilezas
e uma suavidade amarga -
as mulheres tornam impura e magnífica
nossa límpida, estéril
vida masculina.
Porque as mulheres não pensam: abrem
rosas tenebrosas,
alagam a inteligência do poema com o sangue menstrual.
São altas essas roseiras de mulheres,
inclinadas como sinos, como violinos, dentro
do som.

(Herberto H'elder in, Ou o poema contínuo pág. 19 a22)

Tiro no pé

O  futuro Bispo de Coimbra veio ontem mais uma vez falar em campanha e "caça às bruxas".
Foi uma intervenção bastante infeliz,até porque todos sabemos quem foi o principal protagonista da caça às bruxas ( a Igreja Católica e a Santa Inquisição).
A falsa vitimização não fica bem à igreja  neste momento.  O assumir de responsabilidades sim.
Lembrei-me do Padre Frederico, que foi comparado a Jesus Cristo ( um inocente perseguido) pelo seu Bispo e que acabou por fugir do país de uma forma obscura, depois de condenado pela morte de um jovem com quem praticava sexo. Aliás, a fuga do padre da prisão é digna de um relato do danbrown ou das histórias da mafia italiana. O padre pedófilo condenado por homicídio conseguiu rapidamente uma saída precária, dinheiro, um passaporte falso e um táxi que o levou directamente da prisão a um aeroporto de madrid. Sem qualquer controlo de fronteiras nem fiscalização da interpol, nem precisou de esconder a cara patibular.O padre frederico è uma figura quase emblemática do pedófilo típico que toda a gente sabia que era, dentro e fora da hierarquia. E usava sempre uma sotaina preta tenebrosa, pois assumia-se como padre tradicional. Safou-se da pena de prisão e goza agora umas gloriosas férias nas praias brasileiras onde continua a assediar rapazinhos. Nunca foi afastado do sacerdócio e realiza pontualmente casamentos e baptizados.

segunda-feira, março 29, 2010

Sim, são culpados

"Lo de la campaña orquestada contra la Iglesia por la pederastia suena a falso y nadie se lo cree.
 Para hacer frente al goteo de casos de curas abusadores, la única salida que le queda a la Iglesia (mediáticamente hablando) es la de la autoinculpación. Me explico. Se trata de reconocer lo evidente: que el silencio y el encubrimiento eran la norma habitual. Que era todo el sistema el que estaba viciado. Desde la cúpula vaticana hasta la última diócesis. Los abusadores eran pecadores/enfermos, pero nunca delincuentes. Y sus pecados había que lavarlos en casa. Todos sabían, pues. Desde el Papa al último prelado de la Patagonia."

Liberdade de pensar ou a teologia sem censura

"Una cosa tan sencilla como inesperada: lo que representa en la vida la libertad de pensar. Sin duda alguna, pensar libremente es una de las cosas más difíciles y más raras que hay en la vida. Todos tenemos miedo a pensar sin miedo. O por lo menos, tenemos miedo a pensar si miedo superando el miedo. Y lo peor, en todo este asunto, es que ni nos damos cuenta de que el miedo nos atenaza, nos controla, nos prohíbe y nos censura. Somos nosotros mismos los que nos cortamos los caminos del pensamiento, los que bloqueamos nuestra mente, los nos decimos a nosotros mismos que hay cosas que no se pueden ni tocar, ni cuestionar, ni poner en duda. "

Um blog livre

Catedral

Já os vitrais da tarde sustentam um sopro qualquer

somos bocados de carne azul pendurada  em arcos

em pleno sol

precisamente no vértice em que as pupilas se cruzam com os pináculos

Oásis

De repente as gaivotas volatizaram-se.
Só as bandeiras despegam a evidência do vento.
Ao longe a muralha fulva do mar a esmeraldar contrastes.
 Franjas de espuma desfiadas nos dentes da brisa.
Já a rua fervilha de pedras gastas.
As casas são barcos azuis.
Ogivas de anil garganteiam na terra batida
há uma rigidez na pedra que se propaga às colunas
músculos de terra erguidos pouco a pouco
nenhum azul mais puro que este
o azul do deserto
o azul vítreo dos olhos dos mortos
o ventre azulado das mulheres grávidas que a prenhez arroxeia.
As casas são barcos azuis à sombra dos claustros, 
e é completamente azul esta alegria
a latir no coração.