segunda-feira, outubro 06, 2008

Momento Zen do Dia

- Mãe, o que é uma crise existencial?
- Isso é uma coisa complicada de explicar a meninos da tua idade. Onde ouviste essa palavra?
- Mas explica mãe, quero saber.
- Bem, uma crise exsitencial é... é... olha, quando as pessoas fazem muitas perguntas sobre a sua vida, quem são, o que querem fazer, se se sentem felizes, essas coisas.
- Mãe, estou com uma crise existencial.

Peregrinações

Quando cheguei a Lourdes pasmei com a fealdade confrangedora do santuário e o comércio obsceno da doença e da esperança milagreira. Procissões medievais com estandartes e escapulápios e umas criaturas vestidas com umas fatiotas de sopeiras cor azul-bebé empurravam cadeiras de rodas de enjeitados da medicina, cegos ,moribundos, rostos disformes de dor e exaltação, velho e novos.
Alguns eram crianças, bebés pequeninos embrulhados em mantas, os crânios calvos da quimioterapia e reluzirem de pasmo, crianças arroxeadas de sono e dor, algumas semidopadas empurradas disciplinadamente pelas freiras sopeiras de azul, uma procissão percorria a rua com pendões e fitas estranhas, pouco faltava para ouvir os cilícios a salpicar sangue, depois lembrei-me eu, talvez algumas dessas criaturas os usassem debaixo das vestes e tive um acesso de vómitos que só serenou quando saí daquele lugar que me pareceu amaldiçoado da hipocrisia e da dor humana sem solução.

domingo, outubro 05, 2008

Economia política

Mas... não há um mínimo de pudor?

Economia da alma


Um estudo inovador sobre alucinações visuais em doentes católicos com esquizofrenia revelou que a intensidade da crença religiosa estava consistentemente relacionada , não apenas com os conteúdos das alucinações mas também com a sua frequêcia: os doentes que referiam que a religiosidade era algo de muito importante nas suas vidas reportavam significativamente mais alucinações visuais.
A mesma correlação foi encontrada entre a intensidade de crenças religiosas e delírios catastróficos ( fim do mundo).

Tradismáticos


Uma das características das seitas religiosas, comum aos aparelhos políticos altamente ideologizados, é uma espécie de lavagem cerebral que faz com que , a médio prazo, os membros integrantes da seita passem a debitar o mesmo discurso, repetindo obsessivamente chavões idiomáticos (por vezes sem sentido, como mantras tribais), ou certas estereotipias verbais. Escutar um tradicionalista trémulo de paixão a vomitar imprecações contra o concilio, uma testemunha de Jeová recém-convertida, um carismático depois do exorcismo bíblico ou um quico a tentar catequizar-nos, é das coisas mais divertidas que podemos vivenciar. Já os da Opus são ligeiramente mais subtis e um pouco mais inteligentes exigindo da nossa parte mais firmeza, mas, subjacente, a mesma lengalenga pegajosa de ideias feitas que vão martelando na cabeça até subverter qualquer capacidade de raciocínio livre. Um pouco como o que faziam nos regimes ditatoriais marxistas, com as suas confissões públicas e privadas, controle de consciências, devassas da vida privada e da liberdade interior.
De notar que a alienação mental resultante destes processos se revela em primeira mão na linguagem e nos discursos. As estereotipias verbais ( repetição abusiva e quase mecânica de chavões fabricados com significados estranhos ao interlocutor) revelam uma rigidez mental e uma inadequação à realidade que se exprime na completa incapacidade de diálogo.
Curiosamente as estereotipias verbais são um dos sintomas de doenças mentais graves, como a esquizofrenia ou o autismo.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Momento Zen do dia

Respostas a uma ficha de aluno, na escola:

O dia mais feliz da minha vida foi o dia em que nasci!
O dia mais infeliz da minha vida foi o dia em que a minha bisavó Maria morreu.
( Anotações à margem.
(Mas ó filha, porque escreveste que foi o dia em que nasceste se não te lembras? Estava á espera que te lembrasses do dia de anos, ou de um dia em que recebeste uma prenda especial, daquela tarde em Veneza, do natal do ano passado, da praia, do dia me que nasceu o mano…
- Pois, mas se não tivesse nascido naquele dia não tinha esses dias felizes todos.)

Relíquias

Fiquei saber que a bisneta do Eça de Queirós nunca leu o Crime do Padre Amaro nem A relíquia, por motivos de censura religiosa da seita a que pertence.
È patético.Depois ainda falam mal dos muçulmanos radicais.

Liberalismo

Palin