sábado, março 15, 2008

Salazarentos

Daniel Sampaio, já escreveu, num artigo muito lúcido, que não é aceitável o branqueamento de marketing da figura de Salazar.
Por muitas razões e em nome da verdade histórica.
MAS, como o neofascismo pulula por aí, aparentemente sem margens ou regras de pudor, só me resta concordar com o irmão Lúcia.

A Tradição já não é o que era


"Cada vez mais fica evidente: o tradicionalismo é muita ideologia, papaguear de teologia manualística a-histórica e bastante equivocada, pouca espiritualidade e quase nada de sentido eclesial. Muito azedume e pouca fé no Espírito Santo. "

Alef

Ser católico

Se a fé é uma relação amorosa irrepetível de Deus com cada um, se a fé é encontro e desafio, não há a menor dúvida que cada um deve construir uma fé à sua medida.
Há uma profunda falta de fé nos defensores da religião hard baseada em dogmas doutrinários e regras punitivas só aparentemente imutáveis. E muitos destes homens de pouca fé são padres.
Acusam os outros de "descafeinados" e falam mesmo em bons e maus católicos, à boa maneira dos fariseus cumpridores da "lei".
Agarrados a dogmas marginais que nem sequer são a essência das “verdades da fé” mas muitas vezes resultam de episódios históricos circunscritos esquecem o essencial do cristianismo. Esquecem o essencial.
Homens de pouca fé que passam a vida a olhar para cima ( “o que buscais?”), em vez de olhar para o lado – para os outros e para a relação de misericórdia com os demais.
Acham que a Igreja católica se deve afirmar na sociedade apenas pela crispação doentia ou pela pela rigidez doutrinária.
Claro que para eles nada importa aquele verdadeiro escãndalo essencial que esteve na génese da afirmação do cristianismo - "vede como eles se amam".

E depois ainda dizem que a causa das igrejas estarem vazias e da falta de vocações é o secularismo.

terça-feira, março 11, 2008

Circula pela comunicação social que o papa Bentinho quer o retorno da comunhão na boca dos fiéis. Para lá da pouca higiene do acto, o que obrigaria qualquer ASAE a fechar as missas, há todo um simbolismo subjacente ao acto.
Os padres alimentam os fiéis na boca, que submissos e passivos, são pequenas crianças ou animais que precisam de um apoio externo na busca espiritual e não têm autonomia para se alimentarem por suas mãos.
Imagino Jesus a enfiar na boca dos amigos o pão da última ceia.
E depois ainda dizem que a culpa do esvaziamento das igreja é do secularismo..

O grande silêncio - Manicómios prisões e conventos

Não será por coincidência, mas as escassas mulheres que conheço que sentem algum fascínio pela vida monástica têm gravíssimas dificuldades em relacionar-se amorosamente com os outros ou em ter um projecto de vida fecundo.

Zapatero

Uma boa notícia para a democracia - a vitória de Zapatero contra uma extrema direita catolaica e franquista. Não é por acaso que esta direita religiosa surge de mão dada com a ETA.

segunda-feira, março 10, 2008

Professores histriónicos

Ao ver as imagens de fim de manif em lisboa, com professores (????) esfuziantes aos gritinhos histéricos, uma mistura de carnaval com fim de cortejo da queima das fitas , lembrei-me nitidamente dos meus vetustos professores e professoras do velho Liceu infanta Dª Maria, em Coimbra, que mesmo em período de pleno PREC, com saneamentos diários, quando entravam na sala de aula com aquela postura irrepreensível de professores a sério, só pela sua presença ( e também com os seus saberes de velhos mestres) faziam acalmar imediatamente o alarido adolescente dos mais radicais amotinados. E nem era preciso mais nada que não a presença.
Imaginei logo a senhora professora Laura Mano (mais tarde substituída por stôras mais new age de roupas psicadélicas), nas suas saias cinzentas e olhar coruscante, numa manif deste tipo e pareceu-me uma impossibilidade matemática que uma verdadeira professora pudesse andar aos guinchinhos pela rua a gritar insultos a outra professora, por acaso minstra.
A manif pode ter satisfeito o ego dos professores, mas cobriu de ridículo uma classe que só se mobiliza contra a avaliação.

quinta-feira, março 06, 2008

Neonazis apoiam a luta dos professores

Segundo circula na net em sites pouco recomendáveis que me escuso a linkar, grupos de neonazis vão apoioar os professores na "marcha da indignação" dia 8 de Março.
O que só me faz simpatizar mais com a Ministra da Educação.
Escreveu um professor de matemática que :

“Há ano e meio atrás, a maior parte dos professores dizia-se contra qualquer avaliação de desempenho que fugisse dos termos da que era feita na época, ou seja, que interferisse com a progressão automática nas carreiras que, como alguns sabem, assegurava a todos, sem distinção, ao fim de uns anos o topo da carreira, isto é, um ordenado de € 2900 (ilíquidos) por 12 horas semanais de trabalho lectivo. Agora, percebendo que não têm argumentos que sustentem o facto de não quererem ser avaliados, dizem que, afinal, querem ser avaliados mas não nos moldes que a regulamentação do Ministério da Educação definiu.

Todos sabemos que a avaliação dos professores, tal como a dos alunos, é de elementar justiça e fundamental para valorizar o empenhamento e premiar o mérito, visando, dessa forma, a melhoria das aprendizagens e resultados. Contudo, isso não é suficiente para que os professores a desejem e aceitem”.

E agora pergunto eu, qual o grupo profissional em que todos os seus elementos atingem o topo da carreira automaticamente, independentemente do desempenho, sem qualquer avaliação ?
Será isto aceitável?

Himens inteiros


Algures, no centro da Europa civilizada discutem-se bizarrias como a de saber se o Estado deve financiar integralmente himenoplastias, cada vez mais solicitadas por jovens mulheres muçulmanas, algumas adolescentes, sob pena de serem assassinadas por razões de honra. Muitos hospitais europeus vêem-se agora confrontados com um aumento progressivo destes pedidos, o que significa uma falha absoluta da lei e do estado de Direito para defender direitos humanos básicos dentro das nossas fronteiras.
A utilização de himenoplastia, embora defenda algumas mulheres da morte certa, é uma espécie de aceitação fatalista da nossa incapacidade de defender as pessoas face ao fundamentalismo religioso. E mais, acaba por ser o reforço ideológico de uma visão perversa da mulher, distorcida por valores religiosos.
Mais bizarra ainda é a atitude ideológica de certos sectores políticos da direita.
Como escreve a anna, perante a ameaça de um conflito civilizacional, em que um Ocidente laico se confronta com um Islão fanático, certa direita pretende defender os valores matriciais europeus usando outras formas de fundamentalismo religioso, que mais não é que outra face da mesma moeda.
Os princípios basilares desta Europa, a visão matricial que nos torna diferentes da cultura islâmica é precisamente a radical laicidade do Estado e a defesa incondicional dos direitos do homem. SE abdicarmos destes valores, nada mais nos resta que fazer himenoplastias às escondidas. E aceitar Burkas e tchadores nas nossas ruas, ou mesmo nas nossas igrejas. Veja-se o que se passa actualmente com a extrema direita católica em Espanha.