quinta-feira, março 06, 2008

Neonazis apoiam a luta dos professores

Segundo circula na net em sites pouco recomendáveis que me escuso a linkar, grupos de neonazis vão apoioar os professores na "marcha da indignação" dia 8 de Março.
O que só me faz simpatizar mais com a Ministra da Educação.
Escreveu um professor de matemática que :

“Há ano e meio atrás, a maior parte dos professores dizia-se contra qualquer avaliação de desempenho que fugisse dos termos da que era feita na época, ou seja, que interferisse com a progressão automática nas carreiras que, como alguns sabem, assegurava a todos, sem distinção, ao fim de uns anos o topo da carreira, isto é, um ordenado de € 2900 (ilíquidos) por 12 horas semanais de trabalho lectivo. Agora, percebendo que não têm argumentos que sustentem o facto de não quererem ser avaliados, dizem que, afinal, querem ser avaliados mas não nos moldes que a regulamentação do Ministério da Educação definiu.

Todos sabemos que a avaliação dos professores, tal como a dos alunos, é de elementar justiça e fundamental para valorizar o empenhamento e premiar o mérito, visando, dessa forma, a melhoria das aprendizagens e resultados. Contudo, isso não é suficiente para que os professores a desejem e aceitem”.

E agora pergunto eu, qual o grupo profissional em que todos os seus elementos atingem o topo da carreira automaticamente, independentemente do desempenho, sem qualquer avaliação ?
Será isto aceitável?

Himens inteiros


Algures, no centro da Europa civilizada discutem-se bizarrias como a de saber se o Estado deve financiar integralmente himenoplastias, cada vez mais solicitadas por jovens mulheres muçulmanas, algumas adolescentes, sob pena de serem assassinadas por razões de honra. Muitos hospitais europeus vêem-se agora confrontados com um aumento progressivo destes pedidos, o que significa uma falha absoluta da lei e do estado de Direito para defender direitos humanos básicos dentro das nossas fronteiras.
A utilização de himenoplastia, embora defenda algumas mulheres da morte certa, é uma espécie de aceitação fatalista da nossa incapacidade de defender as pessoas face ao fundamentalismo religioso. E mais, acaba por ser o reforço ideológico de uma visão perversa da mulher, distorcida por valores religiosos.
Mais bizarra ainda é a atitude ideológica de certos sectores políticos da direita.
Como escreve a anna, perante a ameaça de um conflito civilizacional, em que um Ocidente laico se confronta com um Islão fanático, certa direita pretende defender os valores matriciais europeus usando outras formas de fundamentalismo religioso, que mais não é que outra face da mesma moeda.
Os princípios basilares desta Europa, a visão matricial que nos torna diferentes da cultura islâmica é precisamente a radical laicidade do Estado e a defesa incondicional dos direitos do homem. SE abdicarmos destes valores, nada mais nos resta que fazer himenoplastias às escondidas. E aceitar Burkas e tchadores nas nossas ruas, ou mesmo nas nossas igrejas. Veja-se o que se passa actualmente com a extrema direita católica em Espanha.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Políticos de plástico

Estou um bocado farta do Obama.
É certo que o homem tem presença mediática e um conjunto de acessores inspirados que lhe escrevem bons discursos. O ar ligeiramente dandy também ajuda a ter um certo êxito com as mulheres. Não é por acaso que a sua esposa se desdobrou em comentários sobre a sua performance sexual, o que, aliado ao seu pecadilho de fumador viciado em tabaco e snifador de coca (sendo que o segundo, na óptica americana, é um pecadilho adolescente comparado com o primeiro), faz dele uma personagem vagamente atraente.
A política pastiche, plastificada, sem um debate sério ou substrato, á velha maneira americana.
Obama, embora se afirme negro ou afro-americano e faça disso a sua bandeira, o que lhe valeu os milhões da Oprah, considerada uma das mulheres mais influente$ do planeta, não passa de um mulatinho vaidoso, bastante pálido até, com traços caucasianos e um pedigree de menino bem.
Fosse a pele dele gloriosamente negra, daquele negro azulado e inconfundível de algumas tribos africanas e nunca Obama seria sequer candidato, quando mais presidenciável.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Montanhas

O desafio da semana foi escalar algumas montanhas, em vez de ficar pela mansidão das planícies.
ontem pareceu-me que a montanha era concluir em definitivo uma base de dados.
hoje ao acordar pensei que seria suficiente para a escalada umas horas de trabalho intenso no hospital.
mas a escalada final estava guardada para o fim do dia.
estar com um colega que espera um diagnóstico de TAC.
uma espécie de sentença.
simplesmente estar, porque nada mais podemos fazer.
lembrei-me muito do lobo antunes quando fala na morte.
essa puta.
"É este o nosso tempo: em que o bom, o belo, o são (....), não é já andar na verdade de si mesmo, na sua integridade, a todo o custo e a todo o risco; mas anular-se, deixar-se vigiar e controlar, sob pena de deixar de ser.
A linha é invisível: e quando sentimos a sua pressão sobre os nossos dias, já avançou um pouco mais. Para dentro de nós."

Pedro SEna-Lino

Mas é possível neste nosso tempo, ter lugares de esperança?

sexta-feira, fevereiro 15, 2008