sábado, janeiro 12, 2008

Vegetas doentes


Uma reportagem interessante na Visão desta semana sobre um "convertido" ao vegetarianismo. E experiência clínica traz resultados perturbantes - uma dieta vegetariana restritiva conduziu a alterações metabólicas extremamnete negativas - aumento radical dos triglicéridos, e da homocísteína ( factores agravantes de doença cardiovascular); baixa para metade dos níveis de Vitamina B12 e ácido Fólico ( com graves consequências neurológicas e psíquicas a longo prazo), baixa considerável de ferritina e ferro sérico ( risco de anemia). E isto num indivíduo jovem e saudável...

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Eles é que sabiam

Este é o mais visto no Youtube nos últimos dias.
As minhas homenagens aos Gatos com a demosntração de que o humor mais nonsense é um indicador seguro das tendências políticas.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Família cristiana

De iniciado a perito

As competências técnicas da prática clínica em profissões de saúde só se adquirem com treino. E os “objectos” do treino intensivo são cobaias humanas. AS competências de um enfermeiro, ou de um cirurgião ou de um terapeuta ou de um obstreta depende de algo só aparentemente muito simples – experiência práticas concretas, repetição rotinizada de “boas práticas”, experiências contínuas de padrões de comportamentos técnicos em quantidade considerável, de forma a que os gestos técnicos se tornem rotinizados, seguros, quase automáticos.
Quando falamos em treino de competências, quanto mais, melhor. Um perito é capaz de ultrapassar a segurança da rotina técnica e ter uma visão mais abrangente podendo agir em situações excepcionais ou de emergência. Mas um perito só adquire este patamar de articulação /concepção ou criatividade porque está muito seguro das rotinas técnicas básicas.
O treino de competências clínicas em cobaias humanas levanta questões éticas delicadas.Levanta também questões práticas de oportunidades concretas de aprendizagens significativas e estruturantes de competências técnicas básicas.
Algumas alternativas são práticas em laboratório. A Escola de Ciências da Saúde do pólo de Braga da Universidade do Minho (UM) abriu um Laboratório de Aptidões Clínicas, para formar os seus estudantes, treinando-os na recolha de histórias clínicas.O projecto, permite que os alunos contactem com "doentes estandardizados", actores treinados para simular determinada patologiacom o objectivo de melhorar a comunicação dos médicos com os pacientes.
Ou seja as competências e técnicas comunicacionais são um instrumento de base na prática clínica e devem ser objecto de aprendizagem.
Outras comptências técnicas instrumentais podem também ser treinadas em laboratório.
usando estratégias ou equipamentos elaborados, com recurso a novas tecnologias.
Mas o “saber fazer”, quando se trata de intervenções /cuidados em seres humanos, tem de ultrapassar as fronteiras laboratoriais.

Não ao referendo

Pedro Arroja explica com clareza o porquê do referendo ser um disparate. Há matérias que, pela sua natureza são irreferendáveis. Banalizar e instrumentalizar este mecanismo de participação democrática é pôr em causa o próprio instituto do referendo.

mais do que óbvio que o chamado «Tratado de Lisboa» é irreferendável. Só quem não o leu, ou quem queira retirar dividendos políticos do facto, poderá insistir em tão peregrina ideia. Sob pena do instituto do referendo ficar definitivamente desacreditado, é suposto as pessoas compreenderem o que lhes é perguntado, para poderem responder com alguma consciência, e o resultado final fazer algum sentido. Ora, o documento em causa é intragável, mesmo até para os juristas especializados em Direito Comunitário, quanto mais para o comum dos cidadãos. Perguntar-lhes, por isso, se concordam com uma coisa que nem sequer vão ler e que se lessem não compreenderiam, é demagógico e absurdo.

2. É também mais do que tempo de compreender que pertencer à União Europeia consiste em participar num processo de integração económica e política de natureza supranacional. Isto quer dizer que a União não é uma organização internacional de cooperação, mas sim de integração, o que significa que possuiu uma dinâmica própria de criação de políticas comuns em detrimento das soberanias nacionais. Pertencer à União Europeia é aceitar isto, pelo que não se pode, por um lado, estar lá e, por outro, querer referendar todos os passos que ela dá no sentido de cumprir os seus objectivos. A saber, prosseguir com a integração económica e política dos seus membros, das suas soberanias e das suas políticas numa organização que os transcende."

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Vidas invisíveis


Família cristã

“el matrimonio y la familia son el centro neurálgico de la humanidad"; pero no cualquier familia sino en concreto la cristiana, que corre el peligro de "difuminarse" ante los nuevos modelos de família”
Curiosamente o modelo de família defendido na maif religiosa pelos extremistas católicos espanhóis é em tudo igual ao modelo de família muçulmana, nomeadamente quanto ao papel da mulher, a punição da homossexualidade, a proibição do divórcio ou da contracepção, a criminalização do aborto, e claro a inevitável menoridade feminina, acompanhada do exercício dos bons costumes, sem os quais os adolescentes podem mesmo provocar sexualmente os adultos

Com tudo isto, nem sei muito bem a que família cristiana se estavam eles a referir, mas à minha não era concerteza.

quarta-feira, novembro 28, 2007

A Propósito de Ti

"Somos felizes. Acabámos de pagar a casa em Outubro, fechámos a marquise, substituímos a alcatifa por tacos, nenhum de nós foi despedido, as prestações do Opel estão no fim. Somos felizes: preferimos a mesma novela, nunca discutimos por causa do comando, quando compras a «TV Guia» sublinhas a encarnado os programas que me interessam, lembras-te sempre da hora daquela série policial que eu gosto tanto, com o preto cheio de anéis a dar cabo dos Italianos da Mafia.

Somos felizes: aos domingos vamos ao Feijó visitar a tua mãe, ficas a conversar com ela na cozinha e eu passeio com o Indiano, filho de uma senhora que mora lá no pátio; assistimos ao básquete dos sobrinhos dele no pavilhão polivalente, comemos uma salada de polvo no café durante os resumos do futebol, e voltamos para Almada à noite, com o jantar que atua mãe nos deu numa marmita embrulhada no «Record», a tempo de assistir às perguntas sobre «factos e personalidades» do concurso em que a apresentadora se parece com a tua prima Beatriz, a que montou um pronto-a-vestir no centro comercial do Prior Velho.

Somos felizes. A prova de que somos felizes é que comprámos o cão no mês passado e foi por causa do cão que tirámos a alcatifa, que as unhas do animalzinho rasparam de tal forma que já se notava o cimento do construtor por baixo. Andamos a ensiná-lo a não estragar as cortinas, pusemos-lhe uma coleira contra as pulgas depois de uma semana inteira a coçarmo-nos sem entender porquê, passados dois dias o Fernando começou a coçar-se também e a acusar-me de cheirar a cachorro e levar pulgas para a repartição, o chefe avisou-me do fundo

- Veja-me lá isso, Antunes

de modo que pus também uma coleira contra as pulgas debaixo da camisa e o Dionísio, espantado

- Deste em cónego ou quê?

E eu, envergonhado, a abotoar o colarinho

- É uma coisa chinesa para o reumatismo, a Jóia Magnética Vitafor é uma porcaria ao pé disto

e como nas Finanças se respeitam o reumatismo e as coisas chinesas, nunca mais me maçaram.

Às segundas, quartas e sextas sou eu que vou lá abaixo levar o cão a fazer chichi contra a palmeira, às terças, quintas e sábados é a tua vez, e o que não vai lá abaixo fica à janela a olhar o bichinho a cheirar os pneus dos automóveis, com um ar sério de quem resolve problemas de palavras cruzadas que os cães têm sempre que farejam postes e Unos.

Somos felizes. Por isso não me preocupei no Sábado com o animal, muito entretido na praceta, e tu atrás dele, de trela enrolada na mão, sem olhares para cima nem dizeres adeus, a nadares devagarinho até desapareceres na travessa para a estação dos barcos. Foi anteontem. Às onze horas tirei o cozido do forno e comi sozinho. Ontem também. Hoje também. Não levaste roupa, nem pinturas, nem a fotografia do teu pai, nada.

Ainda há bocadinho acabei de gravar o episódio da novela para ti. A tua mãe telefonou, a saber porque é que não fomos ao Feijó, e eu disse-lhe que daqui a nada lhe ligavas. Porque tenho a certeza de que tu não te foste embora, visto sermos felizes. Tão felizes que um dia destes vou comprar um micro-ondas para, se chegares a casa, teres a comida quente à tua espera."

págs. 39 a 40 (1ª edição)