Pedro Arroja, conhecido pelo seu antisemitismo entrou agora numa orgia ideológica do fundamentalismo religioso.
Curiosamente os argumentos que utiliza têm sido esgrimidos de uma forma mais subtil a bastante mais inteligente por Ratzinger himself e algumas seitas catolaicas militantes.
O pressuposto é que as sociedades seculares , livres , modernas e democráticas, a que nos habituámos nos últimos dois séculos a considerar como o paradigma da “cultura ocidental”, estão em risco.
“Os ateus e os agnósticos vão deixar de estar na moda e vêm aí tempos difíceis para eles “
Mas o risco de viver em liberdade e democracia (algo que só o secularismo permitiu em toda a história da humanidade) e o emergir do fundamentalismo religioso islâmico, associado ao terrorismo e à violência extrema, são para estes ideólogos , justificados e justificáveis:
“Apesar de alguns desencontros históricos, as religiões cristã e muçulmana acabaram por saber conviver sob condições de respeito e tolerância mútua. Aquilo que os muçulmanos ressentem não são os valores cristãos que eles, em parte, partilham e já conhecem há muitos séculos. Aquilo que eles ressentem é a nossa falta de valores e, em particular, o secularismo militante, o desaparecimento da sociedade da ideia que é a fonte de todos os valores - a ideia de Deus.”
OU seja o fundamentalismo religioso é justificável e a culpa dele é o laicismo do estado.
Ratzinger escreveu isso mesmo há uns tempos atrás e as posições públicas do Vaticano relativas aos direitos humanos e ao estado laico são extremamente próximas das dos lideres muçulmanos.
Tem razão numa coisa o Arroja.
Advinham-se tempos difíceis para os que acreditam na liberdade.
Volto ao post anterior.
Faz-lhes falta uma manhã sentados num banco de consulta do IPO.
terça-feira, novembro 06, 2007
Consulta externa de oncologia
Os locais de espera para consultas do IPO devim ser ponto obrigatório de passagem por políticos e pseudoelites intelectuais. De preferência como observadores participantes, com o processo clínico na mão sem resultado de biópsia.
São 11horas e no banco ao lado um velho de 76 anos cantarola o hino nacional para uma jovem que ali conheceu e lhe confessou em amena cavaqueira que não faz a menor ideia de como se canta. Já falou de angola, moçambique, de história, do estado novo e política, com uma leveza de antiga quarta classe que a jovem de trinta e poucos não consegue nem de perto nem de longe acompanhar.
O velho compõe a manta da mulher, exausta, na cadeira de rodas ao lado, depois de uma sessão de quimioterapia.
São 11horas e no banco ao lado um velho de 76 anos cantarola o hino nacional para uma jovem que ali conheceu e lhe confessou em amena cavaqueira que não faz a menor ideia de como se canta. Já falou de angola, moçambique, de história, do estado novo e política, com uma leveza de antiga quarta classe que a jovem de trinta e poucos não consegue nem de perto nem de longe acompanhar.
O velho compõe a manta da mulher, exausta, na cadeira de rodas ao lado, depois de uma sessão de quimioterapia.
Mulheres estejam caladas lançou-me um simpático desafio que circula na net:
“para dizermos o que diz na pag 161 do livro que estamos a ler..”
Assim de repente abro o livro na referida página e cito, ao acaso, alguns parágrafos:
“Cerca de 50% dos suicídios envolvendo mulheres, em todo o mundo acontecem na sociedade chinesa. As características únicas do suicídio na sociedade chinesa estão talvez relacionadas com um contexto sócio-cultural particular caracterizado por uma compreensão local do suicídio como um acto moral ou uma forma de protesto, (…), por alterações económicas e pelo factores de stress que acompanham as respectivas reformas, pela opressão exercida sobre as mulheres numa sociedade patriarcal, que transforma o suicídio numa alternativa trágica a situações sociais insuportáveis (…) "
Quartilho, AJR (2001) Cultura, psiquiatria e Medicina, Coimbra:Quarteto
“para dizermos o que diz na pag 161 do livro que estamos a ler..”
Assim de repente abro o livro na referida página e cito, ao acaso, alguns parágrafos:
“Cerca de 50% dos suicídios envolvendo mulheres, em todo o mundo acontecem na sociedade chinesa. As características únicas do suicídio na sociedade chinesa estão talvez relacionadas com um contexto sócio-cultural particular caracterizado por uma compreensão local do suicídio como um acto moral ou uma forma de protesto, (…), por alterações económicas e pelo factores de stress que acompanham as respectivas reformas, pela opressão exercida sobre as mulheres numa sociedade patriarcal, que transforma o suicídio numa alternativa trágica a situações sociais insuportáveis (…) "
Quartilho, AJR (2001) Cultura, psiquiatria e Medicina, Coimbra:Quarteto
quinta-feira, novembro 01, 2007
Ranking
Uma relação entre número de alunos (número de exames) e posição no ranking (nota nos exames) de escolas privadas e públicas. O que observamos é que as escolas privadas não têm resultados muito diferentes das públicas, que a diferença entre médias é maior em escolas com menos alunos e que só nessas, onde a selecção social, económica e académica é naturalmente maior, algumas escolas privadas se destacam. Um dado: a média das escolas privadas é de 10,75, a das públicas de 10,05.
portugal contemporâneo: na massa do sangue - O antisemitismo justificado
E, por falar em "bodes expiatórios" ou análises distorcidas de fragmentos da história
portugal contemporâneo: na massa do sangue
portugal contemporâneo: na massa do sangue
Para a gente se rir
“Seria "como um boneco de cera aí para as brincadeiras", num "reinar" que uns dizem "saudável". "Para a gente se rir". Um homem que fora bonito na juventude, rapagão quase perfeito, de mãos erguidas no ar a segurar a arma da tropa. E um sorriso na expressão. Com a vida entortada por um divórcio indesejado na passagem por Lisboa, "deu-se à paixão, à tristeza. Começou a andar com a cabeça de lado" e a "dedicar-se à bebida". Era o "Maná", uma pessoa "sensivelmente normal", seja lá o que isso for na compreensão de quem fez dele um bobo da corte. Porque "era bondoso".
A bondade ou uma certa simplicidade de coração podem transformar alguém mais frágil ( pelo seu comportamento, pela sua idade, pelo seu estado de saúde ou pela sua sensibilidade )em vítima.
O bode expiatório “natural” de um grupo de pessoas ditas normais que descarrega o seu gozo sádico num outro ser humano.
Não é nada de enovo.
O cinismo e a desconfiança para com os outros são mais protectores.
A bondade ou uma certa simplicidade de coração podem transformar alguém mais frágil ( pelo seu comportamento, pela sua idade, pelo seu estado de saúde ou pela sua sensibilidade )em vítima.
O bode expiatório “natural” de um grupo de pessoas ditas normais que descarrega o seu gozo sádico num outro ser humano.
Não é nada de enovo.
O cinismo e a desconfiança para com os outros são mais protectores.
quarta-feira, outubro 31, 2007
Crucificado
Os adolescentes decidiram fazer uma brincadeira. Tratava-se de torturar um homem indefeso, mais ou menos embriagado. Acharam piada. A tortura foi pública e ninguém interviu para salvar a vítima. Um homem morreu de uma forma atroz.. .
Os homicidas, na maioria jovens eram “bons rapazes”, um deles ex- seminarista.
Qualquer semelhança entre este caso e o de Gisberta, não é mera coincidência.
Os homicidas, na maioria jovens eram “bons rapazes”, um deles ex- seminarista.
Qualquer semelhança entre este caso e o de Gisberta, não é mera coincidência.
Os relacionamentos amorosos não são lineares nem previsíveis. Contudo há algo que parece inevitável – o padrão de relacionamento entre duas pessoas delineia-se muito rapidamente a partir da primeira fase do envolvimento amoroso. Os códigos de conduta inscritos e os modelos de relação, na verdade não variam muito com o tempo.
Por exemplo, se um ama mais que o outro, esse padrão tende a manter-se.
SE um é mais dependente e o outro mais prepotente, essa “equilíbrio “ de forças tende a perpetuar-se. Se um tem uma relação de entrega e compromisso e o outro tacteia estratégias de auto protecção, dificilmente essa situação se alterará com o tempo. Em boa verdade a forma como duas pessoas se relacionam amorosamente fica estabelecida nas fases iniciais do envolvimento. E é esse padrão que se mantém.
SE houver uma alteração brusca quase sempre é no sentido da ruptura.
Por exemplo, se um ama mais que o outro, esse padrão tende a manter-se.
SE um é mais dependente e o outro mais prepotente, essa “equilíbrio “ de forças tende a perpetuar-se. Se um tem uma relação de entrega e compromisso e o outro tacteia estratégias de auto protecção, dificilmente essa situação se alterará com o tempo. Em boa verdade a forma como duas pessoas se relacionam amorosamente fica estabelecida nas fases iniciais do envolvimento. E é esse padrão que se mantém.
SE houver uma alteração brusca quase sempre é no sentido da ruptura.
sábado, outubro 20, 2007
Ontem num encontro muito interessante, alguém falava na normalidade do absurdo. Por exemplo, a seguir a um “convívio” de recepção aos caloiros a alta de Coimbra, a zona nobre da Universidade parecia ter sido varrida por um cataclismo uma cena de guerra civil. Garrafas partidas, dejectos, o chão empastado em cerveja e vómitos, copos farrapos, todo o tipo de resíduos jaziam de uma forma desorganizada em todo lado. De manhã os funcionários das faculdades e departamentos, tentavam atarantados por alguma ordem no caos. E ninguém questiona a “bondade” e normalidade de festas académicas que se baseiam ano consumo desenfreado de drogas e na lixeira pura e simples. È normal, dizem.
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