segunda-feira, abril 23, 2007

Revolução demográfica



Silenciosa mas inexoravelmente, vamos construindo uma sociedade de gerontes.
È possível que durante este século que se inicia a esperança média de vida humana nos países desenvolvidos ultrapasse os cem anos.
Os culpados? Os avanços da medicina e das biotecnologias.
Ao contrário dos dramatismos histéricos dos “natalistas”, o grande desafio da humanidade nas próximas décadas será a explosão demográfica, que afectará o desenvolvimento económico e exercerá uma forte pressão sobre os recursos do planeta, segundo a ONU.

sábado, abril 21, 2007

A mediatização de fenómenos como o de Virgínia tem impactos a uma escala imprevisível.
O efeito de mimetismo está em geral associado á mediatização excessiva e detalhada de incidentes de violência psicótica ou suicídio.
O jornalismo deveria ter em conta estas questões éticas em vez de divulgar compulsiva e inutilmente)determinadas imagens.
Um outro problema que não é discipiendo é a situação de imigrante do autor-vítima deste massacre. È muito fácil fazer generalizaçãoes xenófobas quando a imagem visual que temos sobre o mal é um estranho, um outro.
A diferenciação étnica não é apenas simbólica.

sexta-feira, abril 20, 2007

È desta forma que Márcia Smillack “ouve” este trecho musical. Em vez de sons, Márcia percebe a música como um conjunto de estímulos visuais.
Márcia pertence ao grupo de 1 a 4% de pessoas em todo o mundo que sofrem de sinestesia,uma alteração neurológica rara que provoca uma mistura dos sentidos.
Algumas destas pessoas vêem cada número, letra do alfabeto ou dia da semana como uma cor diferente. Para outras, os sons do ambiente são percepcionados como tendo padrões geométricos visuais., ou os estímulos visuais são percepcionados como tendo cheiros característicos.
Apenas recentemente experiências imagiológicas laboratoriais com PET confirmaram que a sinestesia era uma experiência sensorial genuína.
Uma das possibilidades de explicar esta perturbação é o facto de algumas áreas cerebrais serem contíguas (por exemplo, as áreas cerebrais activadas pela visualização de números estão muito próximas de áreas cerebrais activadas pela visualização de cores). Certas experiências de “confusão sensorial” poderiam ser explicadas por um curto-circuito neuronal em áreas cerebrais adjacentes.

quinta-feira, abril 19, 2007

Quem lida com doentes mentais psicóticos, quem contacta diariamente com doentes inimputáveis perigosos internados porque cometeram crimes, não acha estranho o massacre da Universidade de Virgínia. Um pessoa portadora de esquizofrenia paranóide, num ambiente desestruturado, sem medicação ou apoios psicossociais, pode ter comportamentos disruptivos de agressividade extrema contra si mesmo ou contra terceiros.
O que é extraordinário neste caso é APENAS a facilidade com que um indivíduo com uma doença mental grave pode ter acesso a armas de guerra.
Mais facilmente do que comprar um maço de tabaco.
( Nos Estados Unidos isto é mesmo verdade).
Ou ter acesso a filmes violentos que sirvam de inspiração, como o filme norte-coreano que o atirador tentou imitar.
Aliás a exposição mediática deste incidente é perigosa - pode conduzir a outros surtos de violência psicótica num mimetismo radical.
Hoje á tarde. Unidade de Psiquiatria.

Doente para um aluno:

- Não fales mais comigo. Não és real.

O Delírio nihilista, embora raro, é uma forma fascinante de alteração de pensamento que se caracteriza por uma angustiante e persistente negação da realidade – resultante da convicção delirante de que o mundo, as outras pessoas ou a própria pessoa não existem.

A crença de que a realidade resulta de um relativismo construído ( com base na percepção sensorial, na conceptualização pura ou na representação imagética individualmente construída) colide com a ideia de que a realidade existe de per si, independentemente da forma como é apreendida e reconfigurada.

De certa forma, a ideia de que interpretação da realidade é igualmente válida seja qual for a forma da sua apreensão /reconstrução simbólica, equiparando-se num mesmo nível de validade , a experiência mística o delírio ou a experiência científica, aproxima-se do nihilismo.

Por isso a sistemática negação da validade do conhecimento científico como forma válida de interpretação inteligível do real tem muito de esquizofrenizante.

quarta-feira, abril 18, 2007

Não há questões estritamente metafísicas.

Todas as questões metafísicas ou as questões de fé podem conduzir a questões de investigação científica.

“Fenómenos” como experiências místicas intensas, a oração ou crença em Deus podem ser investigadas.

Genialidade , doença e cérebro

Genialidade e cérebro

No excelente De Rerum Natura discute-se as diferenças entre Religião, Filosofia e Ciência.
A discussão prolonga-se nas caixas de comentários ( este é um dos raros blogues em que as mensagens nas caixas de comentários atingem o nível de qualidade dos posts).
Aqui fica um exemplo:
"Era o que faltava os filósofos ou os cientistas terem de se abster de defender certas ideias porque são contrárias ao dogma religioso. Aliás, é algo hipócrita a posição de algumas pessoas religiosas a este respeito — pois caso um cientista conseguisse provar a existência do Paraíso, ou que o vinho realmente sofria uma transubstanciação ao ser benzido na missa, de certeza que os religiosos não diriam “ah, pá, isso que se lixe, é irrelevante, é de outro domínio, eu tenho a minha fé e isso das provas científicas não interessa para nada”.
O camandro é que não interessa. Só não interessa porque nunca se conseguiu provar o que as religiões declaram que é verdade sem provas.»Desidério Murcho

Na Mouche

terça-feira, abril 17, 2007

Factos

"Todas as questões filosóficas que foram respondidas foram respondidas pela ciência. É esta a relação histórica entre filosofia e ciência.
A filosofia perguntou de que era feita a matéria, o que é o espaço e o tempo, se as coisas mudam ou se a mudança é ilusória, se tudo tem causa, e assim por diante, e a ciência foi respondendo conforme foi revelando o suficiente acerca do universo para colocar estas perguntas de uma forma concreta, detalhada, e testável.
A filosofia ainda tem muitas perguntas sem resposta, acerca da ética, da consciência, do conhecimento e até acerca da ciência e da filosofia em si.
Mas em geral a filosofia coloca perguntas, não dá respostas.
Não sabemos as coisas por especulação filosófica, mas sim por investigação científica. "