quarta-feira, fevereiro 21, 2007

No meu país não.



O que distingue a civilização da barbárie é a estreita linha que separa o Estado de normas e crenças religiosas.

O que distingue a civilização da barbárie é o respeito pelas mulheres.

Foto – Sharia: jovem mulher iraniana prestes a ser apedrejada

Dª Elvirinha morreu a semana passada. Deixou de passear pelos corredores em longas marchas intermináveis, rosto esguio, olhar impenetrável, um tom de voz imponente, lencinho cuidadosamente enrolado á volta do pescoço, e as bijouterias compradas na feira que ela exibia como jóias.
Mais do que o penteado irrepreensível , Dona Elvirinha exibia uma pose de aristocrata embevecida, nunca se soube ao certo se fruto de algum delírio de grandeza se resquícios de um passado obscuro.
Nada de sorrisos fáceis, de convívios excessivos ou demasiadas futilidades com as outras internadas com quem partilhava o espaço de confinamento existencial do manicómio… Vinte, trinta, quarenta anos de internamento numa instituição psiquiátrica transformam o internado num produto da instituição, normativizando as condutas e a identidade. Mas Dºa Elvirinha evitava a normalidade, as provocações ou as pequemas maledicências institucionais com uma frase única : Eu sou uma senhora. E estava tudo dito.

O corpo


O corpo não espera. Não.
Por nós ou pelo amor.
Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;

este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória,
tudo o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera;
este pousar que não conhece,
nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge de Sena

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Robots-enfermeiros

"União Europeia
Projecto pode criar robots-enfermeiros

O projecto IWARD, financiado pela União Europeia, está a criar robots-enfermeiros que poderão ser uma ajuda preciosa para os Hospitais.
Os robots poderão aliviar carga de trabalho aos enfermeiros O IWARD tem em vista o desenvolvimento de três robots que realizarão as tarefas normalmente executadas por enfermeiros como medir a temperatura ou a pressão sanguínea.
Espera-se que, uma vez em funcionamento, estes robots inteligentes sejam capazes de efectuar ainda outras actividades como fazer limpezas ou mesmo atender pacientes de forma remota.
Acredita-se que dessa forma os enfermeiros ficarão com uma carga de trabalho menor que poderá ser aproveitada para passar mais tempo com os pacientes.
Cada robot-enfermeiro será concebido com uma plataforma comum e uma série de sensores que permitam a programação para diferentes tarefas.

A manter-se o actual quadro legal, podemos confiar na discricionariedade e competência dos juízes no sentido da não condenação de mulheres?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Vê-se bem que Marcelo Rebelo de Sousa é PROFESSOR DE DIREITO: até para compreender o voto dele é preciso um MANUAL.

Não percebe o que Marcelo Rebelo de Sousa anda por aí a dizer sobre este referendo? Deixe lá, o resto da humanidade também não.

sexta-feira, janeiro 19, 2007



Uma questão de confiança



«Fala-se e sugere-se que as mulheres decidirão abortar por questões fúteis, por dá cá aquela palha. A construção do género, construção social que se vai fazendo desde o nascimento e que define identidades, comportamentos e papéis sociais, há muito que decretou que as mulheres não são de fiar. Houve tempos em que nem se podia ouvir o seu testemunho em tribunais, as juristas, formadas em faculdades portuguesas, não podiam defender casos em tribunal e seguiu-se, já no regime de Salazar, a proibição da sua entrada na carreira de juízes.

Estas condicionantes históricas mais óbvias, somadas a outras ainda anteriores, foram formando uma representação do feminino que lhe tira dignidade e o respeito do outro. Assim se constroem estereótipos, que só eles explicam a continuada atitude da crença na irresponsabilidade das mulheres. Sendo fúteis, incapazes de decidir com racionalidade, inseguras, frágeis, emocionais e medrosas, a sua decisão não é credível, alguém deverá decidir por elas: por isso se criaram as comissões de ética em vários estabelecimentos de saúde que decidiam se as mulheres podiam ou não abortar, mesmo que a sua interrupção de gravidez fosse legal. [...]

Foi Adão e Silva que muito recentemente disse que, quando o Homem não decide, deixa de ser um cidadão e passa a ser um servo. Será que isso se aplica às mulheres? Quem deverá decidir então? »

Madalena Barbosa, Público, 04-01-2007
SE eu morrer antes do dia 11, não quero missinhas, tá?

Por uma questão de solidariedade para com todos os católicos que morrerem depois desse dia e vão votar SIM.
Ah... e para que conste, não vou comprar outro telemóvel no dia 12 de fevereiro.