domingo, dezembro 31, 2006
ùteros tranparentes
Os úteros grávidos são violados com máquinas imagiográficas e aparelhos tecnológicos (incluindo sondas com máquinas de filmar)que os reduzem a um aquário, a corpos esventrados numa trasnparêancia de entranhas dissecadas, retiradas do contextto de uma PESSOA - corpo vivo e habitado de sentir - reduzidos a fragmentos de sentidos do vivido, reduzido á condição de objecto - o aquário, o receptáculo, a incubadora - violadas até que apenas prevaleça a imagem fabricada em Photoshop de um embrião de dois milímetros e só essa - o seu dono, o seu inquilino, o ser sagrado que detem os direitos todos e perante o qual elas, pessoas, deixam de o ser.
sábado, dezembro 23, 2006
Natal
Menina de nove anos é mãe mais jovem do Peru
02/12/2006
19h12-Uma menina de nove anos deu à luz um menino neste sábado, num hospital público de Lima. A gravidez foi fruto de um estupro. A informação foi divulgada pelo ministro peruano de Saúde, Carlos Vallejos.
O bebê nasceu com 2,520 kg e 47 cm e apresenta dificuldades respiratórias. Ele permanecerá na UTI até alcançar saúde adequada para idade. A mãe precoce receberá ajuda psicológica e seu filho terá toda assistência de que precisar', ressaltou o ministro Vallejos, após visitá-la. "Ela permanecerá no hospital todo o tempo que for necessário até que seu filho e ela estejam em perfeitas condições", declarou.
A garota foi vítima de abuso sexual de um primo de 29 anos. O caso comoveu o Peru, quando sua gestação foi revelada em setembro passado, tornando-a a mãe mais jovem do país. A menina tinha apenas oito anos de idade, media 1,20 cm quendo foi alvo de violação e abusos sexuais repetidos por jovens de 26 anos, seus familiares.
Nesa zona do peru extremamente pobre , as violações e gravidezes de meninas são frequentes - as meninas ficam mais expostas á violência por causa da pobreza absoluta das funções que são obrigadas a cumprir desde muito novinhas: nas plantações ou no pasto, com os animais. Em geral, elas estão sozinhas ou, quando muito, acompanhadas por outras meninas iguais a elas.
No caso de NVT, a gravidez foi confirmada depois de confessado a violação e depois da menina se queixar de dores intensas.. Num país extremamente católico e conservador como o Peru, ninguém considerou a hipótese de um aborto, ainda que a gestação não estivesse num estado tão avançado.
Na nicarágua, um caso semelhante originou reacções radicais.
02/12/2006
19h12-Uma menina de nove anos deu à luz um menino neste sábado, num hospital público de Lima. A gravidez foi fruto de um estupro. A informação foi divulgada pelo ministro peruano de Saúde, Carlos Vallejos.
O bebê nasceu com 2,520 kg e 47 cm e apresenta dificuldades respiratórias. Ele permanecerá na UTI até alcançar saúde adequada para idade. A mãe precoce receberá ajuda psicológica e seu filho terá toda assistência de que precisar', ressaltou o ministro Vallejos, após visitá-la. "Ela permanecerá no hospital todo o tempo que for necessário até que seu filho e ela estejam em perfeitas condições", declarou.
A garota foi vítima de abuso sexual de um primo de 29 anos. O caso comoveu o Peru, quando sua gestação foi revelada em setembro passado, tornando-a a mãe mais jovem do país. A menina tinha apenas oito anos de idade, media 1,20 cm quendo foi alvo de violação e abusos sexuais repetidos por jovens de 26 anos, seus familiares.
Nesa zona do peru extremamente pobre , as violações e gravidezes de meninas são frequentes - as meninas ficam mais expostas á violência por causa da pobreza absoluta das funções que são obrigadas a cumprir desde muito novinhas: nas plantações ou no pasto, com os animais. Em geral, elas estão sozinhas ou, quando muito, acompanhadas por outras meninas iguais a elas.
No caso de NVT, a gravidez foi confirmada depois de confessado a violação e depois da menina se queixar de dores intensas.. Num país extremamente católico e conservador como o Peru, ninguém considerou a hipótese de um aborto, ainda que a gestação não estivesse num estado tão avançado.
Na nicarágua, um caso semelhante originou reacções radicais.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
De passagem
O que me irrita é estes opinion makers da moral a metro, que nada sabem do medo, nem da dor dos outros...
Mas pra condenar e julgar, lá estão, hirtos, na primeiríssima fila.
Amén.
Mas pra condenar e julgar, lá estão, hirtos, na primeiríssima fila.
Amén.
quarta-feira, dezembro 20, 2006
domingo, dezembro 17, 2006
Ùteros transparentes

No dia em que deu entrada na unidade fiquei nua de sentimentos perante aquela mulher. Uma mistura de raiva profunda ( mas quem foi o monstro que te fez isto??) compaixão e perplexidade.
Era uma criança num corpo de mulher. O diagnóstico referia uma oligogrenia profunda, próxima daquilo que os manuais clássicos de psiquiatria classificariam de imbecilidade, associada a alterações do comportamento.
Para nós passou a ser a menina. Um rosto disforme, uma grave deformação física associada a um retardo mental profundo e irreversível. Tão profundo que praticamente não falava (não fala). Monossílabos simples, sim não, comida, “nina”, e um léxico considerável de coprolália para expressar dor ou desconforto. De vez em quando podia autoagredir-se. Sobretudo quando a gravidez que motivou o internamento se tornou mais evidente e ela não conseguia lidar com o desconforto inexplicável daquele peso horrível na barriga, as pernas inchadas, as dores ocasionais.
Chegou ao serviço em estado de gravidez avançada. Tão avançada que finalmente (e só então), se tinha tornado evidente a situação para o meio de pertença. Tão avançada que a hipótese de aborto terapêutico estava completamente posta de lado.
Para nós tratou-se de fazer diariamente a gestão de uma gravidez medicamente vigiada com eventuais alterações comportamentais que pusessem em risco a mulher e o feto. Em cada consulta obstétrica de rotina a forte sedação era obrigatória. A higiene pessoal, a alimentação, a segurança, a comunicação eram prioridades face a uma doente mental gestante altamente dependente. Higiene oral, o pentear os cabelos, os cuidados básicos com o corpo, a alimentação, tudo, mas mesmo tudo teve de ser prestado, /organizado, com paciência e persistência… E o internamento hospitalar até ao momento do parto tornou-se absolutamente obrigatório.
Oferecemos-lhe uma boneca com que passava os dias a brincar, tentámos explicar-lhe que trazia uma espécie de boneca dentro da barriga.Inutilmente,. Um olhar apagado e infantil fitava-nos ás vezes, numa perplexidade muda. Quando o desconforto era insuportável punha-se em posição fetal e bamboleava-se longamente agarrada á barriga. Curiosamente começou a chamar “mamã” a alguém da unidade.
A partir daí passou a ser oficialmente “ a menina" e passeava muitas vezes nos corredores de mãos dadas com “ a mamã”.
sábado, dezembro 16, 2006

“Do outro lado, não há hesitações de espécie nenhuma: a ICAR, por exemplo, promove um concurso de arte infantil sobre a vida intra-uterina denominado "A minha primeira morada". Reparem bem: morada. A metáfora imobiliária é claríssima: o útero não é da mulher, o útero é do inquilino (o feto) e/ou do proprietário - o estado, a Igreja, a sociedade.Pela parte que me toca não cedo um milímetro. Continuo feminista - isto é, alguém que acredita que a igualdade plena entre os sexos é uma questão de civilização; e continuo radicalmente liberal - alguém que acredita que, apesar do determinismo social, devemos pugnar pela autonomia e dignidade plenas das Pessoas.”
Miguel Vale de Almeida
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Prémio nobel da economia
ò mãe, explica lá , se no natal todas as pessoas dão prendas aos meninos pobres, porque é que continua a haver meninos pobres todos os natais???
Momento Zen
Ruborizadas pelo frio, cachecóis às cores e risos que tilintam na tarde, tropecei nelas nas escadas, três miúdas com dois caixotes carregados de bonecas a escapulirem-se de casa em direcção ao jardim.
- Ei meninas, onde vão com tantas bonecas?
- Deixa mãe, as nossas bonecas vão fazer uma visita de estudo ao parque.
Okey, já cá faltava o argumento pedagógico.
- Ei meninas, onde vão com tantas bonecas?
- Deixa mãe, as nossas bonecas vão fazer uma visita de estudo ao parque.
Okey, já cá faltava o argumento pedagógico.
Deus, Pátria e Família
A tia adelaide na televisão, faz um tratado político sobre os valores da família tradicionais e explica porque chegou aos 94 anos:
“nam fui á escola, nunca . Fui trabalhar para o campo com oito anos, guardar umas vacas”(…)Passei muita fome, muito trabalho, muita porrada do pai da minha filha. (..)
Nasceu-me a filha e ele disse – se fosse um filho era meu , é uma filha , não é minha é dos teus amásios ....só vivi com ele quatro anos, depois ele enforcou-se, ainda bem”.
“nam fui á escola, nunca . Fui trabalhar para o campo com oito anos, guardar umas vacas”(…)Passei muita fome, muito trabalho, muita porrada do pai da minha filha. (..)
Nasceu-me a filha e ele disse – se fosse um filho era meu , é uma filha , não é minha é dos teus amásios ....só vivi com ele quatro anos, depois ele enforcou-se, ainda bem”.
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