segunda-feira, dezembro 04, 2006

Negligências


As mulheres cujo peso é muito abaixo do normal antes de engravidarem têm 72 % mais de hipóteses de sofrer um aborto nos primeiros três meses, sugere um novo estudo.
Ora cá está. Mais um comportamento negligente, fútil e irresponsável das tontinhas das mulheres que aumenta a incidência de aborto.
Que tal criminalizar a magreza feminina ?
Hoje vai falar-se um pouco de Esclerose Múltipla. Doença degenerativa do SNC, é em Portugal , a segunda causa de incapacidade de adultos jovens.
Alterações da visão e da fala, paralisia parcial ou completa de alguma parte do corpo, tremor das mãos, perturbações do equilíbrio, perda de sensibilidade com frequência e continuidade, fadiga extrema. Estes são os principais sintomas da EM, que se vão agravando com o tempo e podem conduzir uma progressiva e irreversível deterioração do estado físico, das relações sociais, da mobilidade, autonomia e qualidade de vida.
Agora as boas notícias :
1 - O diagnóstico e intervenção terapêutica precoces (que terão de ser multidisciplinares) assim como o apoio de novas propostas terapêuticas e até das tecnologias de informação trazem uma esperança efectiva, não em termos de de cura , mas de manutenção da qualidade de vida ( um jargão médico que significa bem-estar e felicidade) a estes jovens doentes. A coragem , o apoio médico eficaz, o empenho amoroso das famílias é a chave fulcral desta “luta diária” que só quem é doente conhece intimamente.

2 - Uma das esperanças de cura efectiva está na pesquisa em células estaminais.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Tonterias e consensos

A Mafalda, continua nervosíssima com a citação do Juíz do Tribunal Constitucional Dr.Paulo Mota Pinto que coloquei ( linkei) neste meu singelo blogue.
E, com a coerência a que já nos habituou, a Mafalda resolveu assumir que:
O que o Dr. Paulo Mota Pinto diz no que transcreve já nós dissemos neste blogue (...) ” .

Ou seja, a Mafalda concorda com o Dr Paulo Mota Pinto relativamente a esta consideração muito específica, por mim citada.
Acontece que também eu.
Afinal há mesmo consensos.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Quase


Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá-Carneiro

Pueril


Num mundo de permanente competição e cinismo, é bom saber que conservamos alguma ingenuidade, no sentido daquela serena bondade de coração de que nos falam alguns poetas, certos místicos e todas as crianças.

Os intocáveis




A propósito da sua investigação antropológica sobre as castas de intocáveis, na índia, Rosa Maria Perez alertava para a nossas próprias categorias antropológicas de castas e intocáveis, nas sociedades ocidentais.
Dito de outras forma, quando estamos imersos num determinado referente cultural aceitamos como “natural” e definitivo, como algo de evidente e inquestionável um conjunto de representações sociais, modelos comportamentais e papéis prédefinidos que são interiorizados e incorporados como uma segunda pele sem que um juízo crítico de autoreflexividade permita destrinçar o que é verdadeiramente o EU e o que é circunstância cultural ou contingência.
Cada vez mais vivemos numa sociedade rigidamente estratificada, aglutinada em pequenas tribos impermeáveis, com pouquíssima interpenetração ou diálogo fusional com outras realidades ou outros grupos de pessoas.
O Outro é cada vez mais o estranho, o alien, percepcionado como alienado da realidade que nos é oferecida e que fazemos nossa, e julgamos única, última, verdadeira, sem que uma ponte ou uma ligeira interrogação nos faça intuir que o outro também é pessoa.. Há cada vez mais intocáveis, numa lógica de distanciamento do outro e de manutenção de territórios físicos, ideológicos, estéticos, políticos.

Cada grupo social elege a sua própria casta de intocáveis.

007


Gostei.Um olhar de gelo.

terça-feira, novembro 28, 2006

Felizmente há consensos

Extractos De um voto de vencido No Acórdão do Tribunal Constitucional :

(...)“aceito, porém, “a tese de que esta protecção "( da vida intrauterina) "não tem que assumir as mesmas formas nem o mesmo grau de densificação da exigida para o direito à vida subjectivado em cada pessoa, bem como a tese de que tal protecção se pode e deve ir adensando ao longo do período de gestação.
Aceito, ainda, que, quando se verifique estarem outros direitos constitucionalmente protegidos em conflito com a vida intra-uterina, se possa e deva proceder a uma tentativa de optimização, não sendo esta possibilidade vedada por qualquer escala hierárquica de valores constitucionais ...."

segunda-feira, novembro 27, 2006

Os eunucos e as mulheres

A Mulher não pode dispor do seu corpo. grávido . apregoam.

E se em vez de uma mulher fosse um homem?
Se lhe crescesse um feto no escroto contra a sua vontade?
Como seriam os discursos sociais e religiosos sobre o aborto se os homens engravidassem?