terça-feira, novembro 14, 2006

Solidão






Luís de Camões, numa frase simples, escreveu a mais radical definição de solidão:

“É solitário andar por entre a gente”.


Na turba que se move, por entre a gente que nos acotovela e invade,
atravessando a mole humana que fervilha de inquietação e bulício,
podemos andar completamente sós,
mais que sozinhos, solitários,
habitados por uma solidão sem rosto que ninguém pode tocar.

Estar solitário é este vazio de gentes em nós.
Curiosamente o poeta descreve esta solidão primordial como um sintoma da paixão.

O que é verdade.
Nunca estamos tão radicalmente sós como quando amamos.
Ou deixamos de amar.

sexta-feira, novembro 10, 2006

A contracepção eficaz reduz o aborto

Num Blogue do Não:

“Mas o estudo aborda também a relação entre a contracepção e o aborto, concluindo que a mudança para a contracepção moderna por parte das mulheres que usam contracepção tradicional (15% em média) e que não usam qualquer contracepção (9% em média) reduziria o aborto, em média, em 57%.
Mesmo abstraindo-nos da grandeza dos números, torna-se evidente que a aposta na informação e disponibilização de contracepção tem um impacto directo na redução do aborto”

De facto :
Generally, there is a clear relationship between abortion and use of traditional contraceptive methods: the greater the ratio of traditional methods to all methods used, the higher the level of abortion (figure 4). A simulation using data from Armenia, Azerbaijan, Georgia, Kazakhstan, the Kyrgyz Republic, Romania, Russia, Turkmenistan, Ukraine and Uzbekistan showed that if women using traditional methods (an average of 15 per cent of all women of reproductive age) were to switch to modern methods of contraception, which have low failure rates, abortion rates could be reduced by an average of 24 per cent. If women with an unmet need for any contraception (about nine per cent of all women) were to adopt modern contraception, abortion rates would be reduced by an average of 33 per cent. Thus, abortion rates could be reduced by as much as 57 per cent on average if both traditional method users as well as women with an unmet need for family planning were to become users of modern methods (Westoff, 2003)."

Ora parece que finalmente estamos todos de acordo, mesmo as organizações que têm feito campanhas contra a pílula e o preservativo ou abaixo assinados contra a Educação Sexual nas escolas.
Só falta que a Igreja Católica venha defender em público a contracepção eficaz em vez de métodos contraceptivos falíveis e a disponibilização de Meios contraceptivos como a pílula e o preservativo como forma de prevenir o aborto. Por uma questão de coerência.

terça-feira, novembro 07, 2006

Pela Vida

Pela Vida

Numa semana morreram vinte pessoas nas estradas portuguesas.
É uma epidemia silenciosa acolhida com uma indiferença extraordinária.
Se tivessem morrido vinte pessoas de uma qualquer outra doença - como uma meningite ou uma gripe - o alarmismo nacional teria um tom de histeria colectiva.

As pessoas adoptariam medidas preventivas provavelmente exageradas para reduzir ao máximo o risco de serem afectadas.

Como é possível que face a tanta morte inútil na estrada haja um sentimento geral de indiferença e aceitação?
Não há dúvida.
Os gatos estão cada vez mais deliciosos e cáusticos.
A entrevista ao Dr Alberto João Jardim foi um dos momentos hilariantes da minha semana.
E que dizer da frase – “na minha barriga manda o dr gentil martins?”

segunda-feira, novembro 06, 2006


O século XXI será um século de catástrofes globais associadas a grandes alterações climáticas. Há continentes inteiros sujeitos a fragilidades ecológicas.
Fenómenos de deslocação em massa de pessoas relacionados com alterações ambientais já estão a acontecer. Fogem da seca extrema e da desertificação progressiva .
São os refugiados das alterações climáticas.

sábado, novembro 04, 2006

Morte das Mulheres

"Os mais velhos associavam aquela a outras mortes ( de mulheres pelos seus coompanheiros)de que vão tendo conhecimento pela comunicação social: "Isto é assim, uns é a tiro, outros à facada, não me admira nada", opinava um idoso, sentado no varandim da escada a menos de um metro do sítio onde se encontrava a poça de sangue (o local onde a vítima foi atingida)."