terça-feira, novembro 07, 2006
Pela Vida
Numa semana morreram vinte pessoas nas estradas portuguesas.
É uma epidemia silenciosa acolhida com uma indiferença extraordinária.
Se tivessem morrido vinte pessoas de uma qualquer outra doença - como uma meningite ou uma gripe - o alarmismo nacional teria um tom de histeria colectiva.
As pessoas adoptariam medidas preventivas provavelmente exageradas para reduzir ao máximo o risco de serem afectadas.
Como é possível que face a tanta morte inútil na estrada haja um sentimento geral de indiferença e aceitação?
É uma epidemia silenciosa acolhida com uma indiferença extraordinária.
Se tivessem morrido vinte pessoas de uma qualquer outra doença - como uma meningite ou uma gripe - o alarmismo nacional teria um tom de histeria colectiva.
As pessoas adoptariam medidas preventivas provavelmente exageradas para reduzir ao máximo o risco de serem afectadas.
Como é possível que face a tanta morte inútil na estrada haja um sentimento geral de indiferença e aceitação?
Não há dúvida.
Os gatos estão cada vez mais deliciosos e cáusticos.
A entrevista ao Dr Alberto João Jardim foi um dos momentos hilariantes da minha semana.
E que dizer da frase – “na minha barriga manda o dr gentil martins?”
Os gatos estão cada vez mais deliciosos e cáusticos.
A entrevista ao Dr Alberto João Jardim foi um dos momentos hilariantes da minha semana.
E que dizer da frase – “na minha barriga manda o dr gentil martins?”
segunda-feira, novembro 06, 2006

O século XXI será um século de catástrofes globais associadas a grandes alterações climáticas. Há continentes inteiros sujeitos a fragilidades ecológicas.
Fenómenos de deslocação em massa de pessoas relacionados com alterações ambientais já estão a acontecer. Fogem da seca extrema e da desertificação progressiva .
São os refugiados das alterações climáticas.
sábado, novembro 04, 2006
Morte das Mulheres
"Os mais velhos associavam aquela a outras mortes ( de mulheres pelos seus coompanheiros)de que vão tendo conhecimento pela comunicação social: "Isto é assim, uns é a tiro, outros à facada, não me admira nada", opinava um idoso, sentado no varandim da escada a menos de um metro do sítio onde se encontrava a poça de sangue (o local onde a vítima foi atingida)."
sexta-feira, novembro 03, 2006
O Parto, para além dos riscos de morte materna, pode ser uma experiência traumática e aterradora de dor sem sentido. Mesmo com apoio médico especializado, o “trabalho de parto”, o parto e o pósparto, é antes de mais uma vivência íntima, uma vivência relacional e visceral entre a mulher e o seu bebé.
Entre a pura animalidade do trabalho de parto e o trabalho psicológico/emocional de se tornar mãe, cujo impacto se prolonga durante meses ( e ás vezes a vida inteira), há contributos novos quanto á humanização do parto.
Com recurso á tecnologia e ao suporte médico, controlando activamente a dor física , mas colocando novamente as mulheres no centro das decisões.
Entre a pura animalidade do trabalho de parto e o trabalho psicológico/emocional de se tornar mãe, cujo impacto se prolonga durante meses ( e ás vezes a vida inteira), há contributos novos quanto á humanização do parto.
Com recurso á tecnologia e ao suporte médico, controlando activamente a dor física , mas colocando novamente as mulheres no centro das decisões.
quinta-feira, novembro 02, 2006

Eu não gosto de coprolália. Muito menos da sua utilização brejeira sempre que se fala em mulheres , sexualidade feminina ou controle da fecundidade feminina.
POrque é que os discursos sobre os corpos das mulheres e sobre a fertilidade desembocam obrigatoriamente em termos grosseiros?
Duas explicações: o medo e a frustração.
Há muitos homens mal amados. São os que mais usam a expressão foder.
Como diria o Miguel Esteves Cardoso, o amor é fodido, e eu acrescento, sobretudo quando se anda mal fodido.Talvez porque a "f. " mais abjecta tem em si a sede do amor e a oportunidade do mistério.
E as mulheres estão aí, nesse centro de tudo, onde os homens se perdem e se encontram.Talvez por isso haja tanto medo das mulheres e do seu corpo e da sua vontade e do seu infinito poder. O poder do amor e da vida.
Um velha história, não é?
quarta-feira, novembro 01, 2006
Tenho evitado escrever sobre cancro da mama.
Uma pessoa da minha família, que me é muito próxima, tem sobrevivido ao cancro e á mastectomia mutiladora há cinco anos. Não fez reconstrução mamária, por receio de mais sofrimento físico. A cicatriz do tronco transformou-se agora numa linha pouco visível, mas a mutilação de um corpo não cicatriza na alma.
Estas pequnas linhas nada dizem do percurso de solidão intensa, Coragem , apego á vida e dor visceral de quem vive com cancro.
São quase obscenas de tão simplistas.
Esta semana, num relatório de TAC de rotina li – dois nódulos no pulmão esquerdo, a localização precisa e o diâmetro. Cinco anos de luta.
Repete o Tac dia 3.
Uma pessoa da minha família, que me é muito próxima, tem sobrevivido ao cancro e á mastectomia mutiladora há cinco anos. Não fez reconstrução mamária, por receio de mais sofrimento físico. A cicatriz do tronco transformou-se agora numa linha pouco visível, mas a mutilação de um corpo não cicatriza na alma.
Estas pequnas linhas nada dizem do percurso de solidão intensa, Coragem , apego á vida e dor visceral de quem vive com cancro.
São quase obscenas de tão simplistas.
Esta semana, num relatório de TAC de rotina li – dois nódulos no pulmão esquerdo, a localização precisa e o diâmetro. Cinco anos de luta.
Repete o Tac dia 3.

No hospital, a minha tia jaz numa letargia comatosa depois de um extenso AVC.
Era uma mulher sólida e simples, de alegrias fáceis e pequenas garridices. Estive esta tarde com ela, na certeza absoluta de que não só não me reconheceu, como não identificou o meu toque , ou a a minha voz.
A morte é uma questão de tempos imprecisos .
Há que aproveitar o tempo que nos é oferecido.
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