sábado, outubro 14, 2006

Os novos Inquisidores


"Na sua versão moderna, o dogma exprime-se assim: "Se tu emites uma opinião acerca dos factos da vida com a qual eu não concordo, tu não podes ser senão uma pessoa moralmente desprezível, e portanto uma má pessoa". Os seus defensores partem então daqui para a promoção do insulto, da chacota, do ostracismo social, do ódio e do assassínio de carácter, provavelmente porque, por enquanto, ainda não podem assassinar mais nada."

Pedro Arroja no Blasfémias

António Marto "chocado" com Fátima


Não é o único.
Uma cidade feia, sem critérios urbanísticos, um santuário de gosto duvidoso, a proliferação da negociata fácil e do comércio Kitsh.


Mas, face á pertinente indignação do Bipo, a pergunta que fica no ar é esta – Igreja é isenta de culpas? Ou a "fabricação " de Fátima, em termos urbanos deu-se á revelia e sem o incentivo da Igreja?

quarta-feira, outubro 11, 2006


As novas tecnologias da informação, sobretudo as experiências de comunicação através da Internet trouxeram uma verdadeira revolução nos modelos e paradigmas clássicos da comunicação humana. A principal característica da comunicação através da rede é que se realiza num sistema de realidade virtual. Castells (2000) define realidade virtual como um sistema simbólico em que a própria realidade (ou seja, a existência física, material e simbólica das pessoas) é completamente absorvida e imersa num cenário de imagem virtual, num mundo de faz de conta, em que a realidade percepcionada não está apenas no ecran de computador, através do qual a experiência é comunicada, mas se transforma na própria experiência em si mesma. Outra das características do novo sistema de comunicação baseada na digitalização electrónica (Internet) e na integração em rede de múltiplos modos de comunicação, é a sua radical inclusividade, inteligibilidade e capacidade para integrar todas as formas de expressão humanas – culturais, científicas, políticas, do conhecimento, etc.

Diálogo interreligioso, prioridad del Papa»

"El secretario de Estado vaticano, el cardenal Tarciso Bertone, reiteró hoy que uno de los aspectos prioritarios de su trabajo y del pontificado del papa Benedicto XVI es el diálogo interreligioso.
El cardenal Bertone dijo que Benedicto XVI en sus discursos programáticos 'ha hablado de problema de unidad de la Iglesia y del problema ecuménico como su objetivo y su prioridad'
."

terça-feira, outubro 10, 2006

Pró-Vida


O suicídio é a causa de morte de aproximadamente um milhão de pessoas, no mundo, todos os anos. Trata-se de um importante problema de saúde pública, sendo ainda a principal causa de mortalidade entre os adolescentes e adultos jovens.
Até ao fim deste post, haverá pelo menos uma pessoa que pôs intencionalmente termo á sua própria vida.
As doenças mentais, particularmente a depressão e abuso de substâncias, estão associados a mais de 90% de todos os casos de suicídio. Contudo, este resulta de vários factores socioculturais complexos e ocorre, sobretudo, durante períodos em que se registam situações de crise a nível socioeconómico, familiar e individual.
Identificar os sinais de alerta, diagnosticar e tratar a doença mental , dar apoio eficaz ás pessoas com comportamento suicidários, são algumas das linhas de prevenção do suicídio.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Momento Zen do dia

Hoje foi o Dia Mundial dos Correios e as crianças tiveram direito á visita de um técnico dos CTT e a explicações várias sobre o seu funcionamento.

Conclusão:

Mãe, gostava de ser uma carta. Andava sempre a passear de um lado para ao outro, com autocolantes na bochecha.”
( Os selos, presumo).

O Limbo fechou

"A ideia de Limbo, concebida para salvaguardar a necessidade do baptismo para a salvação eterna, nunca chegou a ser considerada pela Igreja como verdade de fé, e o novo Catecismo da Igreja Católica nem sequer se lhe refere. Aliás, já Bento XVI, em 1984 - na altura Joseph Ratzinger, enquanto presidente da Congregação para a Doutrina da Fé -, tinha dito que o Limbo era apenas uma hipótese teológica. Ou seja, a sua existência não era oficial."
No entanto, o Limbo fez parte da doutrina tradicional da Igreja durante largos séculos.
Um bom exemplo de que nem sempre a Tradição doutrinária corresponde à Verdade e pode não passar de mera hipótese teológica historicamente situada e portanto mutável.

Os terroristas

É vulgar certas correntes de opinião usarem o terrorismo verbal ou a propaganda violenta para impor a sua ideologia. Por exemplo, certos movimentos radicais ditos pró-vida não hesitam em recorrer ao homicídio ou aos atentados bombistas para fazer prevalecer o seu "amor pela vida humana".
Os cartazes com imagens falsas, os bonecos falsos, as falácias fáceis , são também utilizados com frequência.
Tão chocantes como isso são os pretensos filmes (provavelmente falsos) que circulam na net em que se visualizam abortos. De duvidosa credibilidade , estes filmes situam-se, no plano ético , ao mesmo nível dos filmes que que circulam na net com material de pornografia infantil ou de violações "ao vivo" de mulheres.
É o mesmo tipo de material, foi obtido provavelmente da mesma forma - brutalizando as vítimas e sem a sua autorização.
Quem divulga estes filmes e os coloca on line nos seus blogues pessoais ou sites institucionais coloca-se no mesmo plano dos que divulgam material pedófilo on-line - revela desta forma tudo o que há a revelar sobre sobre os seus próprios valores éticos.

domingo, outubro 08, 2006

Cartoon 4 - Os vendedores de banha da cobra



Depois há um outro grupo de intelectuais, políticos e jovens estudantes de esquerda, que um pouco ingenuamente entram nesta discussão com estratégias agitando a bandeira dos direitos humanos. Igualmente com as tias Babás, afirmam defender os direitos das mulheres, com slogans como a barriga é minha e o corpo é meu.
Sendo eu mulher, considero claramente que ninguém, mas absolutamente ninguém tem direito ao meu corpo, ao meu útero ou à limitação da minha liberdade de determinação sexual ou das minhas decisões sobre maternidade. Ninguém pode impor a ninguém a violência de uma gravidez forçada. Ninguém. Nem a igreja, nem o Papa, nem os ideólogos políticos de qualquer quadrante.
Ninguém tem direito a dispor do corpo de outrem. Ninguém tem o direito de coisificar, manipular ou destruir outrém. E isso não se aplica apenas às mulheres mas a todas as pessoas humanas, incluindo os nascituros, que, não sendo ainda pessoas, podem vir a sê-lo, num continuum desenvolvimental. Ou seja, um embrião de cinco semanas , não é ainda uma Pessoa, mas não é um mioma uterino que possa ser extirpado sem qualquer ponderação ética, ou valorização cuidadosa. È por isso merecedor de tutela jurídica.
Interromper uma gravidez nunca é um bem em si mesmo, que possa ser apresentado como um Direito da Mulher, e acarreta riscos para a saúde física e emocional das gestantes. Riscos que podem ser reduzidos drasticamente em ambientes clínicos controlados é verdade, mas que existem, tal como existem riscos para qualquer gravidez e parto.Além disso, o Direito à Escolha tem para mim um sentido abrangente. Escolher significa ter liberdade pra discernir livremente e condições materiais concretas para optar livremente. Uma mulher que aborta porque não tem condições materiais para aceitar mais um filho ou porque está pressionada pelo marido ou porque sabe que a gravidez significa ficar no desemprego, não está a escolher. Em boa verdade, não tem Escolha.
O direito á escolha passa sobretudo e antes de mais por afirmar o direito à contracepção eficaz e à maternidade segura, o direito a ter infra-estruturas de acolhimento para idosos e crianças, o controle da vergonhosa especulação imobiliária, a melhoria das condições económicas globais e a questão do desemprego, uma efectiva protecção jurídica e social à maternidade e paternidade, por combater a violência contra as mulheres, e sobretudo por fomentar a efectiva paridade de papeis no que respeita à conciliação da vida profissional com a vida familiar.

Cartoon 3 - Os hipócritas



O debate sobre a despenalização do aborto ainda não começou e já se agitam algumas tendências.
Os que defendem a manutenção da pena de prisão até três anos para mulheres que voluntariamente abortam em fases muito iniciais da gravidez, usam agora uma roupa mais fresca, mais clean, mistura de morangos com açúcar e jovem devota do bloco de esquerda convertida recentemente ao movimento comunhão e libertação, com um toque de tia dondoca da linha em versão soft.
Tudo para a populaça, coitados, uns incultos, ou melhor, uns pobrezinhos, compreenderem a importância do não. As Bibis,as XaXás, as Pittás e outras que tais, aparecem organizadamente a defender os pretensos direitos das mulheres, sobretudo o direito inalienável de lhes ser reconhecido definitivamente a supremacia moral do estatuto de parideiras oficiais. Isso lhes basta. Falam do direito à maternidade e até , deliciosamente, do direito à escolha e de coisas igualmente fashion-clinic como o Homeschooling, o regresso ao papel da fada do lar por amor às lides domésticas, o dever de parir dez ou vinte rebentos - de preferência um em cada ano, que isto da taxa de natalidade E DA CRISE DA SEGURANÇA SOCIAL é o que se sabe, e defendem com afinco as piquenas das pobezinhas das empregadas e assim... que coitadinhas sofrem horrores com essa coisa do aborto, sobretudo o famoso síndrome pós-aborto. Claro que muitas dessas pobezinhas também sofrem gravíssimos síndromes post–parto, depressões durante a gravidez, depressões post- parto e até psicoses puerperais Não lhes ocorre sequer pensar que as vulnerabilidades sociais associadas a oscilações biológicas e hormonais expliquem mais certos síndromes do que o castigo pelo pecado ou a culpa induzida a posteriori por movimentos religiosos.
Esquecem-se ainda que os traumas psicológicos e emocionais (além dos risco para a saúde e vida da mulher) relacionados com o aborto podem ter várias explicações, uma das quais são as condições obscenas em que se pratica, na clandestinidade e da violência que isso representa para as mulheres mais desprotegidas, "que experimentam no seu corpo um procedimento cruel e degradante".

Claro que as Babás, as Lilis, as XaXás , as Bebés e as Xuxus, também já abortaram. Ou pelo menos conhecem de certezinha uma amiga intima, uma filha ou uma irmã ou uma tia que abortaram e que elas acompanharem discretamente às clínicas in, seguríssimas e assépticas onde foram realizar uma piquena intervenção, sob anestesia e sem trauma, hemorragias ou perfurações intrauterinas. Se houvesse estatísticas fidedignas, sobre a distribuição de IVG por grupos sociais em Portugal a surpresa seria imensa.
Mas as Babás, as Lilis, as XaXás , as Bebés e as Xuxus só recorrem ao aborto por motivos nobres e cleans, que nada têm a ver com essas porcas dessas abortadeiras * que andam por aí a gritar que a barriga é delas e que, se não houver uma lei com pena de prisão, hão de pôr-se em filas ás portas dos hospitais para abortar.

* - linguagem comunmente utilizada pelos defensores da pena de prisão.