quarta-feira, abril 30, 2008

Abertura à vida

Por vezes existe a falsa ideia de que um leigo nada deve fazer se alguém ao seu lado fizer uma súbita paragem cardíaca.
No entanto inúmeros estudos indicam que mesmo todos os leigos deveriam saber manobras básicas de suporte de vida que permitam intervir antes da chegada das equipas de emergência. Aqui ficam duas indicações básicas:

1- Ligar 112
2- Comprimir com regularidade o centro do tórax. Deve usar as duas mãos e pressionar com força e rapidamente no centro do peito. Não é preciso fazer apoio respiratório.

Segundo a sociedade americana de cardiologia, mais vale uma manobra pouco correta de compressão cardíca que não fazer nada.
Portanto, se alguém a seu lado fizer uma paragem cardíaca súbita aja assim:

Abertura à vida


5 passos simples para avaliar uma situação de AVC.
Qualquer destes sintomas - contactar 112


Pouco há a dizer sobre Jacinta. Uma energia brutal em palco e uma voz extraordinária. Gostei de estar com ela. Sobretudo porque ainda é Abril.

terça-feira, abril 29, 2008

Jesus Light ( ou descafeínado, como preferirem)

Aos que defendem a religião hard como se fosse uma espécie de tortura imposta contra a alegria das coisas simples, uma religião de interdições, feita de regras, imposições ou atrozes sacrifícios e sangue.
Vinde a Mim todos os que estais cansados de carregar o peso do vosso fardo e Eu vos darei descanso. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.”
Ela conta-me da violência do primeiro ciclo de quimio. Como se o corpo de repente mirrasse intoxicado de citostáticos: não é apenas o tumor, são as vísceras todas que se debatem num envenenamento lento, vomitando-se a si mesmas. O sofrimento físico é intraduzível nas palavras que usamos diariamente para fazer as contas à vidinha.

È como estar grávido da morte e ter de abortar todos os dias, explica.

quinta-feira, abril 24, 2008

Abertura à morte

São um casal conservador e hipercatólico. Praticam a abertura à vida (???) proclamada pelo vaticano e incentivada pela seita católica de que são regulares participantes ( é um movimento ultra). Ou seja, usam apenas "métodos naturais".

Apesar dos problemas de saúde dela, que se agudizam com a gravidez e durante o puerpério e já originaram internamentos em situação grave , seis filhos em seis anos , com uma regularidade que me lembra o verso da natália correia. Não sabemos se a doença é uma causa ou uma consequência do fundamentalismo religioso. Nem qual o desfecho da vida desta mulher.

Uma morte precoce antes dos quarenta anos ou a aceitação da contracepção eficaz?

Casados à força

A nova legislação sobre o divórcio tem sido fecunda em reacções que entram no anedotário nacional. A mais divertida e patética foi esta cartilha paternalista dirigida aos… cônjuges dos deputados. Inacreditável.

Neoliberalismo

Uma excelente notícia para os pais e mães deste país – as alterações das licenças de maternidade/paternidade , enquadradas numa política de incentivo da natalidade. Igualmente de louvar a protecção dos direitos dos pais, que assim vêem reconhecida na lei o direito de serem a pais a sério, apoiando e vivendo a sua experiência de parentalidade.

Mas, face a uma medida legislativa positiva, aparecem os demagogos do costume. Segundo o CDS/PP, o alargamento das licenças pode “assustar os empregadores” e “reduzir os incentivos a contratar jovens". ..
Mas.... vamos lá ver, não eram estes que andavam por aí a clamar contra o catastrofismo bíblico da baixa de natalidade em Portugal? Não são estes que andam por aí a clamar incentivos legais á função reprodutiva?

quarta-feira, abril 23, 2008

Neoliberalismo

José António Barros, o próximo presidente da Associação Empresarial de Portugal, veio a público lamentar o facto de “ser mais fácil uma pessoa divorciar-se do que despedir um empregado”.
Não sei se o indivíduo lamenta a falta de celeridade em despedir criadagem ( visão neoliberal de empregado) se o facto de poder mais facilmente ser despedido como homem a dias para todo o serviço lá de casa ( visão liberalóide de marido).

O regresso de santana berlusconni

É uma inevitabilidade. Santana lopes está de regresso. Vamos ter de escutá-lo nas próximas semnas a falar do PSD-PPD e com muitas expressões com Deus pelo meio.
É tão inevitável esta berlusconnização da política portuguesa à direita como o narcisismo doentio de santana e a sua secreta esperança de reescrever a história. Mais ou menos com este guião:

A tradição já não é o que era

È recomendado por fontes tradicionalistas amantes do velhinho latinório. Trata-se de um site de beneditinos. Eis os links disponibilizados pelos beneditinos sobre o short divorce, com estadias em sítios paradisíacos enquanto se trata da papelada.
Estamos sempre a aprender nos sites da vera tradição defensores dos valores da família .

Soy feminista

Nunca he declarado la guerra a los hombres; no declaro la guerra a nadie, cambio la vida: soy feminista. No soy ni amargada ni insatisfecha: me gusta el humor, la risa, pero sé también compartir los duelos de las miles de mujeres víctimas de violencia: soy feminista.
Sí, soy feminista porque no quiero morir indignada.

terça-feira, abril 22, 2008



A rapariga chora convulsivamente, as mãos a tremer sobre os joelhos esquálidos. Chora em soluços contínuos, numa aflição de carne desfeita e à sua volta as batas brancas agitam-se em palavras protectoras e de reconforto. A palavra, a presença, duas pequenas técnicas de controle de ansiedade, o espaço para exprimir a dor. È uma dor simples e sem outro espaço para desaguar que não aqui. A dor do abandono completo.

quinta-feira, abril 17, 2008


Ao que parece, as alas mais conservadoras e admiradoras do franquismo das cúpulas militares espanholas estão à beira da apoplexia. Estão agora subordinadas a uma mulher, socialista e catalã. Mas, o que mais os incomoda, quase como um insulto obsceno, é que esta mulher, ministra da defesa, estay embarazada de siete meses. Eles bem falam sobre a beleza da maternidade e da obrigação femeeira de parir, mas, a bem dzer , os ideólogos da direita conservadora têm um asco especial às mulheres grávidas.

domingo, abril 13, 2008

É curioso verificar que das centenas de associações que há uns tempos de repente brotaram do nada e aparecerem ao terreiro para proclamar uma hipotética defesa da vida, a esmagadora maioria desapareceu sem deixar rastro. E, das que permanecem, muitas delas são organizações fantasma, sem qualquer intervenção social activa e com uma eficácia nula.

Das duas uma – ou eram associações virtuais, criadas na onda da propaganda política de momento com a finalidade de impor a manutenção da criminalização das mulheres ou eram instituições competentes e com eficácia no apoio a mulheres grávidas com dificuldades. Essas, aonde estão?

A explicação dos pássaros

O novo Governo socialista será composto por 17 ministros, nove dos quais são mulheres, uma das quais - Carme Chacón, estrela ascendente do Partido Socialista da Catalunha e ministra da Habitação no anterior Governo - assumirá a pasta da Defesa, aos 37 anos de idade e grávida de cinco meses.

A explicação dos pássaros

As seitas fundamentalistas cristãs, especialmente as de conteúdo messiânico que anunciam o fim dos tempos, têm, alguns temas em comum. Em primeiro lugar parecem resultar da influência carismática de um fundador doente mental, com delírios paranóides ou messiânicos. Fascinante é o facto desses delírios poderem ser partilhados ou disseminados dentro de um grupo ou uma pequena comunidade circunscrita. O fenómeno não é novo. Fenómenos de folie a deux têm, sido descritos e a contaminação do delírio é explicável por contextos de fechamento e violência sobre os elementos da seita. Em quase todos os casos documentados há uma violência extrema em particular sobre as mulheres do grupo. Pedofilia ( sobre meninas), violações, sequestro, poligamia imposta, torturas físicas, incesto, são os denominadores comum destas seitas religiosas de fundamentalismo cristão.

No fundo levam ao extremo a prática de alguns valores defendidos pelos mais ortodoxos fundamentalistas religiosos sobre o papel das mulheres.

Crianças


Não sei o que é mais triste. Se a forma como a menina se agarra à outra menina acabada de ser parida, em casa, sem apoio nenhum ( é o terceiro filho).

Não sei o que é mais chocante, se esta criança, neste abandono sofrido após um parto solitário, se a outra criança que ela aconchega nos braços, uma menina, para dar continuidade ao ciclo de dor e pobreza.

Foto de Augusto Brázio, vencedor da oitava edição do prémio Fotojornalismo Visão/BES. O fotógrafo freelancer ganhou com a imagem de uma mulher de 19 anos, cujo terceiro filho acabava de nascer, quando foi assistida pelo INEM.

Os velhos


A catedral é esplendorosa sob um sol radioso entremeado de chuva.
Lá dentro, entre plácidos turistas perdidos sob a luz dos vitrais decorre uma celebração. Gente velhíssima segue o culto.
O padre é igualmente velho, tão velho como a velha solista que entoa em voz lamuriosa salmos de esperança. O senhor é meu pastor, derrama-se o salmo pela musicalidade das abóbadas. E no entanto, o velho padre, na homilia, balbucia ferozes tristezas e calamidades, de uma desesperança incongruente e patética.
Eu sou o bom pastor, repete inutilmente Cristo.
Ninguém o escuta, muito menos os padre, que inicia um discurso niilista sobre a comunicação social. Enquanto fotografo um capitel questiono alguém – mas o que se passa? Zapatero toma hoje posse, respondem-me. Estão furiosos!
Pobres almas, que se servem dos salmos mais doces e das palavras mais belas do evangelho para vomitar ódios antigos de velhos púlpitos.
Não admira que as igrejas se esvaziem de fiéis e se encham de turistas.

sexta-feira, abril 11, 2008

Metadona

O mais apaixonante de tudo é construir pontes e encontrar lugares de esperança onde não se encontra nada mais que o vazio. Ultimamente tenho tocado em muitos lugares sem esperança, como o mundo de S., uma jovem toxicodependente que vive na rua com os seus cães. Os cães – uma pequena matilha que a seguem para todo o lado estão lustrosos e bem escovados. S. aparece pálida, a camisola azul esburacada, magríssima, os dentes perdidos sob os piercings, quase sempre sem falar.
Tem uns olhos belíssimos que se passeiam por nós, numa agressão contida enquanto sorve a dose de metadona. Quando passa por mim, eriçada de gestos agudos, só vejo a adolescente perdida, que vive na rua com os seus cães a comer restos. Juro, apetece-me abraçá-la, por um momento penso no que aconteceria àquela criança grande se alguém simplesmente a abraçasse. O gesto agressivo e noção de um comportamento pouco terapêutico, fazem-me recuar. Por instantes – S esboça um sorriso, como se intuísse o meu pensamento. Até àmanhã, diz-me.
Hoje, Alguém a olhou.
No mais intimo da nossa vulnerabilidade humana podemos ser um segredo do absoluto, um mumúrio interior ou a sombra desse devir que habita já em nós.

Há divórcios bons

"Betsey Stevenson e Justin Wolfers, professores na Universidade de Pensilvânia, procuraram responder, num artigo publicado em Fevereiro de 2006 no prestigiado Quarterly Journal of Economics sobre os efeitos de leis civis facilitadoras do divórcio.

Conclusões?
A violência doméstica desceu um terço nos Estados que liberalizaram o divórcio.
O número de esposas assassinadas pelos maridos diminuiu 10%.
O número de suicídios femininos também decresceu.
E quais os efeitos sobre as taxas de divórcio? (…) A resposta não podia ser mais desoladora para os que se opõem à lei. A seguir à facilitação do divórcio, as taxas de divórcio tendem a aumentar, mas ao fim de alguns anos tal efeito diminui substancialmente. A longo prazo não é possível determinar qual o efeito, sendo até possível que o número de divórcios diminua em consequência da lei.»

quinta-feira, abril 10, 2008


A propósito de estrelas...
Não sei se me interessei pelo rapaz
Por ele se interessar por estrelas,
Se me interessei por estrelas
Por me interessar pelo rapaz
Hoje quando penso no rapaz penso em estrelas
E quando penso em estrelas penso no rapaz
Como me parece que me vou ocupar com as estrelas
Até ao fim dos meus dias
Parece-me que não vou deixar de me interessar pelo rapaz
Até ao fim dos meus dias
Nunca saberei
Se me interesso por estrelas
Se me interesso por um rapaz que se interessa por estrelas
Já não me lembro
Se vi primeiro as estrelas
Se vi primeiro o rapaz
Se quando vi o rapaz, vi as estrelas

Adília Lopes
Nunca são as coisas mais simples que aparecem
quando as esperamos.
O que é mais simples,
como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se
encontra no curso previsível da vida.
Porém, se
nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos
nos empurrou para fora do caminho habitual,
então as coisas são outras.
Nada do que se espera
transforma o que somos se não for isso:
um desvio no olhar; ou a mão que se demora
no teu ombro, forçando uma aproximação
dos lábios.

Nuno Júdice

sábado, abril 05, 2008

Uma religião militantemente proselitista?


"Um governo militantemente ateu?04.04.2008, Vasco Pulido Valente
Com o risco de repetir Constança Cunha e Sá, insisto no tema. D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, disse esta semana que “o Estado não pode ser militantemente ateu” e “deixar de reconhecer” e “respeitar” a religião de cada um. O que estaria muito bem se D. Jorge não acrescentasse que o Estado deve também “proporcionar” a cada um “as condições necessárias” para “viver” essa “religião”. Evidentemente, quando D. Jorge pede ao Estado um papel activo, não pensa, por exemplo, nos vários ramos do protestantismo, no judaísmo ou no islamismo. Pensa na Igreja Católica Apostólica Romana e o que lhe custa é a progressiva perda de influência da Igreja na sociedade portuguesa, por iniciativa ou perante a indiferença de um Estado que, historicamente, a tinha promovido e sustentado. O arcebispo protesta com veemência contra “a incrível exclusão da presença católica” do “ambiente público” e do “ambiente político”. Mas nenhuma liberdade de nenhuma espécie foi tirada à Igreja. Nem a liberdade de se exprimir, nem a de se reunir, nem a de se manifestar. Se a sua “presença” no “ambiente” público e político não é maior, só se pode queixar de si própria e de uma cultura, a cultura do Ocidente “liberal”, que não a favorece. O Papa Ratzinger avisou que a Igreja se iria inevitavelmente tornar numa pequena minoria ignorada e fraca; e que o tempo triunfante da aliança com o Estado acabara para sempre. Só que a realidade não dói menos por ser prevista e até esperada. O episcopado e os católicos não se resignam ao lugar que é neste momento o seu e tomam por um “ataque” o que não passa, no fundo, do curso “natural” das coisas.
O resultado do referendo sobre o aborto, o “facilitismo” do divórcio, a união de facto e o casamento de homossexuais (que não tardará) não são um “ataque” do Estado à Igreja Católica. São a consequência - em Portugal, como em Espanha ou em Inglaterra - dos valores que a maioria adoptou e pratica.
É compreensível e legítimo que a Igreja se insurja contra tudo isto. Já não é compreensível e legítimo que declare o pobre governo do PS “militantemente ateu” e, ainda por cima, por obra e graça de “forças” que Sócrates não “vigia”.

Criminalidade Violenta 2

Enquanto o PGR perde tempo com birras de miúdos mal comportados, os jornais de hoje estão cheios das principais causas de morte violenta em Portugal - acidentes de viação e violência de género.
Claro que sobre casos taão violentos, não há Youtube nem prós e contras nem exploração jornalísta nem indignação pública, nem intervenções das principais figuras do Estado.

Padre Vieira

Manuel Vieira, foi afastado e exilado por críticas públicas a um documento de Ratzinger e por defender uma perspectiva diferente da serôdia “moral sexual da Igreja”.
Tanto bastou para o Padre Manuel perder uma série de cargos e funções onde tinha alguma visibilidade e por ser remetido a um violento silêncio. O que significa que a Inquisição continua bem viva e embora não queime os corpos das pessoas em autos públicos de fé, queima almas, corações, futuros e continua na sua tentacular e soturna obra de esmagamento da humanidade.
A este propósito, as palavras de um outro Padre Vieira, António, continuam acutilantes e lúcidas, de uma actualidade extraordinária. Ele, um dos génios portugueses vítima inevitável da Santa Inquisição, explicou de uma forma brilhante, o porquê da palavra de deus aparentemente não ser mais escutada e seguida.
E isto aplica-se integralmente àquelas questões de moral sexual ( como a proibição da contracepção ou do uso do preservativo, ou a proibição da ordenação de mulheres ou a homofobia ou a legislação sobre o divórcio) que alguns acham essenciais para manter , nem que seja à força, a “integridade católica” , mas que são absolutamente risíveis pela forma como são doutrinariamente fundamentadas
E são tão risíveis que , basicamente, ninguém as cumpre.
Dizei-me, pregadores (aqueles com quem eu falo indignos verdadeiramente de tão sagrado nome), dizei-me: esses assuntos inúteis que tantas vezes levantais, essas empresas ao vosso parecer agudas que prosseguis, achaste-las alguma vez nos Profetas do Testamento Velho, ou nos Apóstolos e Evangelistas do Testamento Novo, ou no autor de ambos os Testamentos, Cristo? É certo que não, porque desde a primeira palavra do Génesis até à última do Apocalipse, não há tal coisa em todas as Escrituras. Pois se nas Escrituras não há o que dizeis e o que pregais, como cuidais que pregais a palavra de Deus?
Mais: nesses lugares, nesses textos que alegais para prova do que dizeis, é esse o sentido em que Deus os disse? É esse o sentido em que os entendem os padres da Igreja? É esse o sentido da mesma gramática das palavras? Não, por certo; porque muitas vezes as tomais pelo que toam e não pelo que significam, e talvez nem pelo que toam. Pois se não é esse o sentido das palavras de Deus, segue-se que não são palavras de Deus. E se não são palavras de Deus, que nos queixamos que não façam fruto as pregações? Basta que havemos de trazer as palavras de Deus a que digam o que nós queremos, e não havemos de querer dizer o que elas dizem?! E então ver cabecear o auditório a estas coisas, quando devíamos de dar com a cabeça pelas paredes de as ouvir! Verdadeiramente não sei de que mais me espante, se dos nossos conceitos, se dos vossos aplausos?

A voz de António Vieira levanta-se hoje inteira e viva. Apesar da santa Inquisição.

quinta-feira, abril 03, 2008


A amiga de longa data pergunta-me como vai o doutoramento.
Enquanto me preparo para responder outra amiga do grupo boceja ruidosa e ostensivamente… e fala da carteira que vai comprar.
Encolho os ombros, sem entrar em detalhes, anoto mentalmente a mensagem não verbal (inconsciente) e deixo passar uns minutos até a amiga bocejante revelar – ando há que tempos para me inscrever no doutoramento mas não tenho tempo.
O bocejo da amiga prolonga-se mais. È médica e isto dos outros andarem a tirar doutoramentos e ela não, provoca-lhe qualquer coisita mais aguda que um bocejo.
Sorrio para dentro e ponho-me a falar de sapatos .

quarta-feira, abril 02, 2008